Censura
O governo fascista de João Dória não quer que os presos tenham acesso à cultura.
Prefeito de São Paulo, João Doria 04/04/2017 REUTERS/Nacho Doce
Foto: Veja |

O governador de SP, João Doria (PSDB), retirou livros que estavam sendo doados a um programa de incentivo à leitura em presídios. Foram 12 títulos, totalizando 240 exemplares, rejeitados pelo governo paulista.
Trata-se do projeto “Remição em Rede”, que busca estimular a leitura entre os detentos. O programa atendeu a 200 presos no ano passado, e agora seria ampliado para 400 pessoas. A cada resenha escrita, o preso tem 4 dias de sua pena retiradas. Isso significa que, conforme a velocidade de leitura, pode-se diminuir em alguns meses por ano o tamanho da pena. Mas novamente fica claro que Doria não quer, nem diminuir a superlotação carcerária, nem estimular o acesso da população pobre à cultura.

A doação é feita pelo Grupo Mulheres do Brasil, em parceria com editoras e empresas. Mas desta vez, a remessa inteira foi vetada pelo Coronel Henrique Pereira de Souza Neto, diretor da Funap, fundação que coordena projetos em presídios paulistas. A educadora Janine Durand denuncia que, mesmo antes de vetar, o coronel havia pedido uma “justificativa sobre a escolha de cada livro,” agindo censor e interventor sobre um projeto público. Em e-mails enviados à equipe, a Fundação informa que alguns livros “não atendem o que se espera para a população atendida pela Funap.”

Os títulos vetados são: “Crônica De Uma Morte Anunciada”, de Gabriel Garcia Márquez; “O Estrangeiro”, de Albert Camus; “As Cartas Que Não Chegaram”, de Maurício Rosencof; ”O Fim de Eddy”, de Édouard Louis; “O Amor Que Sinto Agora”, de Leila Ferreira; “Bonsai”, de Alejandro Zambra; “Caderno de Memórias Coloniais”, de Isabela Figueiredo; “O Quarto Branco”, de Gabriela Aguerre; “Enquanto Os Dentes”, de Carlos Eduardo Pereira; “Cabo de Guerra”, de Ivone Benedetti; “Paisagem de Outono”, de Leonardo Padura e “Vá, Coloque Um Vigia”, de Harper Lee. Os dois primeiros autores são detentores do prêmio Nobel de Literatura, e a última, vencedora de Prêmio Pullitzer.

Este problema se arrasta desde julho do ano passado, quando a Funap reteve os livros e não repassou às penitenciárias. Procurado por jornalistas da Folha de S. Paulo, a assessoria de João Dória desconversou, dizendo que os detentos já tem acesso a milhares de livros, e por isso não houve censura. É este é o “centro democrático e civilizado” que certos setores da esquerda namoram para fazer Frente Ampla – um absurdo!

Não se trata de um caso isolado, mas de uma política de Estado. Há menos de um mês, o governo do Coronel Marcos Rocha (PSL) retirou livros das bibliotecas das escolas públicas por considerá-los “inadequados.” No ano passado, vários ataques foram feitos à literatura, às artes plásticas e ao cinema nacional. Além disso, ao invés de contratar e valorizar os professores, o governo bolsonarista passa a incorporar militares no quadro diretor das escolas públicas, para agir como estão acostumados – tutelando e censurando a expressão e o acesso da população à cultura. É a mesma política que todos os governos fascistas adotam quando sobem ao poder.

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