Crise total
A Ford anunciou recentemente que irá encerrar suas atividades no Brasil, fechando suas fábricas remanescentes. Além dela, há também demissões em diversas outras empresas.
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Imagem da produção no interior da fábrica de Camaçari (BA) da Ford | Foto: Reprodução

No último período, foram muitas as notícias a respeito de demissões em diversas empresas e até de fechamentos de fábricas em cidades do país. Uma das que mais chamou a atenção foi a Ford, que irá encerrar totalmente suas atividades no país, deixando centenas de milhares de trabalhadores desempregados. Além dela, a Volkswagen também anunciou recentemente um Plano de Demissão Voluntária (PDV) em Taubaté (SP).

Alguns outros exemplos são o Banco do Brasil – na mira da sanha privatista do ministro Paulo Guedes, que anunciou que irá demitir cerca de 5 mil funcionários e fechar 112 agências por todo o país. Além disso, também há a empresa Yoki, que também anunciou que irá fechar sua fábrica em Nova Prata (RS), demitindo 300 funcionários.

O anúncio do encerramento das atividades da Ford no Brasil veio como uma bomba para as cidades de Taubaté (SP) e de Camaçari (BA), onde já houve manifestações contra a medida nesta terça-feira (12). A cidade de Camaçari é responsável pela produção dos modelos Ka e EcoSport e o fechamento da fábrica será imediato. Segundo o sindicato destes trabalhadores na Bahia, a fábrica, que tem 21 anos, é responsável por 12 mil empregos diretos (pessoas que trabalham na fábrica) e 60 mil indiretos (pessoas que trabalham em empresas que fornecem produtos e serviços para a montadora). Trata-se de um ataque gravíssimo à classe trabalhadora baiana.

O presidente do sindicato em Camaçari, Júlio Bonfim, conta que participou de uma reunião virtual com o representante da Forda na América do Sul, Lyle Waters. Sobre a reunião, Bonfim afirmou: “Ele foi direto. Disse que a empresa investiu bastante, mas com esta instabilidade econômica do Brasil não tinha como continuar. Falou também das dificuldades em razão da pandemia”. A Federação das indústrias da Bahia (Fieb) afirmou, sobre o fechamento: “É uma perda relevante para a indústria baiana que terá impactos negativos para a cadeia automotiva do estado”. A Fieb estaria procurando, junto ao governo da Bahia e ao Ministério da Economia, alguma empresa para assumir a unidade fabril que será abandonada pela Ford.

Além de Camaçari, também serão fechadas as fábricas em outras cidades, como Taubaté (SP) e Horizonte (CE), onde se encontra a fábrica da Troller. No interior paulista, a interrupção se dará ao longo do ano e irá causar a perda do emprego de 830 funcionários. A montadora já havia interrompido as atividades de sua unidade em São Bernardo do Campo (ABC paulista). São mais de 100 anos de atividade no Brasil finalizados com os fechamentos previstos para este ano.

Com relação ao PDV da Volkswagen em Taubaté, o Sindicato dos Metalúrgicos afirmou que ele tem como foco trabalhadores com doença ocupacional, de áreas desterceirizadas ou que tiveram os contratos temporariamente suspensos (layoff) no ano de 2020, em programa que afetou 1,3 mil funcionários. A adesão para o PDV pode ser feita até sexta-feira (15). Este Plano foi aprovado em acordo absurdo com o sindicato após o anúncio da empresa de que se livraria de 35% da mão de obra no país por conta dos impactos da pandemia. A aprovação de um acordo absurdo como esse pelo sindicato se trata de uma verdadeira capitulação da organização que deveria defender os interesses dos trabalhadores.

As montadoras são os exemplos mais urgentes de toda uma onda de demissões que volta a assolar o país, por serem unidades com o maior número de trabalhadores. Apesar de os diretores dessas empresas apresentarem uma série de justificativas para essa ação, é óbvio que isso é um sinal do aprofundamento da crise do capitalismo moribundo atingindo os capitalistas, que precisam cortar seus gastos com os trabalhadores para salvaguardar seus lucros.

Essa política dos capitalistas é extremamente nefasta e um verdadeiro crime contra a classe trabalhadora, que deve ser denunciado todo o tempo. No entanto, ela só é posta em prática por conta da inatividade total dos sindicatos, que fecharam as portas durante o ano de 2020, desmobilizando todos os trabalhadores e deixando o caminho livre para que a burguesia pudesse fazer o que bem entendesse. Sob a justificativa da pandemia, os sindicalistas procuraram tirar longuíssimas “férias” e deixaram os trabalhadores que sustentam sua existência totalmente desguarnecidos. Em alguns lugares, cometeram até o crime de entregar suas sedes para os governadores direitistas fazerem demagogia com os hospitais de campanha totalmente inúteis criados durante a pandemia.

Essa política deve ser interrompida imediatamente. O País enfrenta os maiores índices de desemprego de sua história, com mais da metade de sua força de trabalho desempregada, na informalidade ou em sub-empregos. E agora, os capitalistas aproveitam essa desmobilização total para promover mais uma onda de demissões e de fechamentos de fábricas, que irão aumentar ainda mais esses índices. É preciso que os sindicatos voltem à atividade, saiam às ruas e promovam greves, manifestações, ocupações de fábricas, a classe trabalhadora precisa reagir aos ataques promovidos pelos capitalistas, que querem fazer com que o proletariado pague pela crise terminal do capitalismo.

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