“Outras doenças emergentes”
Na última coletiva de 2020, médico da OMS dissipa ilusões com vacina e prevê pandemias mais letais do que o coronavírus. É preciso acabar com a burguesia para impedir tais ameaças
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Greve-Correios
Mobilização pelo governo dos trabalhadores é o mais urgente passo para impedir pandemias mais letais | Foto: Reprodução

O médico chefe do programa de emergências da OMS, Mark Ryan, declarou que o coronavírus “é muito grave, se espalhou com extrema rapidez e afetou todos os cantos do planeta”. A declaração foi dada durante a última coletiva realizada pela OMS em 2020, ocorrida na última terça-feira (29).

Ryan previu que o Covid-19 tende a se tornar “um vírus endêmico, que continuará a ser uma ameaça, mas uma ameaça de nível muito baixo”. Contudo, advertiu que, apesar da devastação que causou,  “esta não é necessariamente a maior [pandemia]” que o mundo pode enfrentar, anúncio que se assemelha a uma preparação para o pior.

O mundo encerrou o último dia de 2020 com um total de infectados pela pandemia de coronavírus ultrapassando 83,8 milhões de pessoas, das quais, mais de 1,82 milhão morreram, segundo estatísticas oficiais reconhecidamente aquém da realidade, aqui no Brasil, na Europa, nos EUA e em muitos outros países.

“Este é um alerta”, disse o médico. “Estamos aprendendo agora como fazer as coisas melhor: ciência, logística, treinamento e governança, como nos comunicar melhor. Mas o planeta é frágil. Vivemos em uma sociedade global cada vez mais complexa. Essas ameaças continuarão.”

 

Fratura exposta

Em alguma medida, é normal que interações sociais e deslocamentos por ambientes distintos produzam agentes patogênicos. O que foge ao habitual é a forma como os governos burgueses lidaram com a pandemia. Mesmo nos países centrais do imperialismo, a organização para enfrentar a pandemia mostrou-se um desastre, especialmente para a classe trabalhadora destes países, que a exemplo do resto do planeta, foram os mais duramente atingidos, entre infectados e mortos.

Não faz muito tempo, capitalismo já revelou, simbolicamente, sua etapa de franca crise ao revelar-se incapaz de conciliar os interesses da burguesia decadente com a preservação do patrimônio cultural de um país central do imperialismo, a França, o que trouxe consequências desastrosas para um dos mais conhecidos símbolos da nação: a Catedral de Notre-Dame, em Paris, cujo teto foi destruído por um incêndio em abril de 2019. Com a pandemia, a decadência do capitalismo abandonou o aspecto simbólico e ganhou contornos monstruosos.

 

Vacina não acaba com o genocídio

Ainda em sua entrevista, Mark Ryan dissipa qualquer ilusão de que com as vacinas produzidas, as massas pobres e exploradas do planeta terão alguma melhoria.

“O cenário provável é que se torne outro vírus endêmico que continuará a ser uma ameaça, mas uma ameaça de nível muito baixo no contexto de um programa de vacinação global eficaz”.

Não é preciso muita imaginação para perceber que o proletariado, especialmente das nações atrasadas, continuarão sendo duramente castigados pelo coronavírus, sendo também os principais atingidos pela “ameaça”, ainda que “de nível muito baixo”.

Vivendo em bairros desprovidos de qualquer infraestrutura digna de seres humanos nas grandes cidades -ou em condições igualmente miseráveis nos sertões-, trabalhando em ambientes insalubres e pobres demais para dispor das condições mínimas de higiene ou de tratamento médico em caso de enfermidades, diversas epidemias como dengue deixam claro que reduzir uma pandemia para uma epidemia não diminui o sofrimento da classe trabalhadora.

Mesmo agora, a predominância quase total de trabalhadores entre as vítimas fatais do Covid-19 deixa claro o recorte classista que separa quem recebe atendimento adequado e quem não, quem vive e quem morre.

Contribuindo ainda para diminuir as expectativas sobre a vacinação, vendida pela direita como a solução miraculosa, no que a esquerda pequeno-burguesa faz eco de maneira acrítica, o médico da OMS evidencia que um isolamento social real -não a farsa vista no mundo inteiro que protegeu a pequena burguesia e condenou centenas de milhares de trabalhadores à morte- continuará sendo a maneira mais segura de se enfrentar os perigos do coronavírus:

“A existência de uma vacina, mesmo com alta eficácia, não é garantia de eliminação ou erradicação de uma doença infecciosa” — e que esta “é uma barreira muito alta para ser superada”.

 

Só o fim da burguesia pode assegurar o fim da pandemia

“Este vírus é altamente transmissível, mata pessoas e priva muita gente de seus entes queridos, mas sua prevalência é comparativamente baixa em comparação com outras doenças emergentes”, disse o médico, reforçando que ameaças muito maiores do que o coronavírus podem estar a caminho.

Diante de um cenário tão ameaçador para a população, só uma mobilização política que acabe com a ditadura da burguesia -escondida sob o véu da democracia “mais ou menos” liberal- pode pôr um fim às ameaças que pairam sob as massas pobres e trabalhadoras.

Fica claro pelas declarações da OMS que o coronavírus continuará infectando e matando milhares de pessoas. Fica claro também, que pandemias ainda mais infernais podem atingir o proletariado mundial a qualquer momento, sem que as instituições burguesas tenham a menor capacidade de fazer qualquer coisa que seja, nem entre os trabalhadores dos países centrais do capitalismo.

“Se há algo que devemos tirar desta pandemia, com toda a tragédia e as perdas, é que devemos agir juntos. Precisamos nos preparar para algo que pode ser ainda mais grave no futuro” diz Mark Ryan em determinado momento da coletiva. Nisso podemos dizer que concordamos. E esta preparação começa pelo levante popular por um governo dos trabalhadores, voltado aos interesses das massas e que livre a humanidade da burguesia e do pesado custo social cobrado por esta casta de parasitas.

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