Ocupação do MST no Extremo Sul da Bahia sofre com ameaças de latifundiários

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Cerca de 150 famílias sem-terra ocuparam na madrugada de sábado (14/04), o latifúndio abandonado de nome Fazenda Aliança, município de Eunápolis, na Bahia, em referência ao calendário de lutas do chamado “Abril Vermelho”. O latifúndio possui mais de mil hectares de terras griladas e está abandonado há mais de 10 anos.

As famílias batizaram o acampamento de Márcio Matos, homenagem ao dirigente recentemente assassinado na frente do seu filho, de apenas seis anos.

Após a ocupação teve início uma série de acontecimentos para intimidar e aterrorizar as famílias que se encontram no local. Já foram visitados pela polícia militar, e mais recentemente por pistoleiros e latifundiários que ameaçaram descaradamente as famílias.

Em um desse ataques, o acampamento foi invadido por uma picape Hilux em alta velocidade, que quase atropelou as crianças que brincavam no terreiro. Dentro do veículo estava o latifundiário conhecido como Arildo Bahia, irmão do ex-secretário de Agricultura de Eunápolis. O latifundiário, além de ameaçar as famílias, “exclamou em voz alta que tinha avisado a Márcio Matos (dirigente assassinado) que ele iria morrer”, revelando que há todo um esquema montado pelos latifundiários e poderosos da região para perseguir e colocar “preço” por lideranças sem-terra.

As famílias revelam também que Arildo Bahia “estava avisando às famílias que saíssem imediatamente do acampamento para não sofrer o mesmo fim”, avisando que mais violência está por vir.

Em outro episódio, as famílias foram surpreendidas por homens fortemente armados escoltando outro fazendeiro, e também policial, conhecido como Rezende, afirmando que as famílias teriam que sair para não sofrerem as consequências.

A situação está cada vez mais violenta para os trabalhadores sem-terra. Após o golpe, os latifundiários estão cometendo as maiores arbitrariedades, pois se sentem a vontade e sabem que não serão punidos. O acampamento Márcio Matos está sofrendo essa pressão e as famílias resistem bravamente, mas é preciso denunciar e alertar a população e as entidades sindicais e progressistas para apoiar as famílias.