A cor do sangue
O vermelho é a cor da luta dos trabalhadores
Bandeiras vermelhas estão nas lutas e manifestações há 171 anos
ATO,MST
A cor do sangue
O vermelho é a cor da luta dos trabalhadores
Bandeiras vermelhas estão nas lutas e manifestações há 171 anos
FNIF
ATO,MST
FNIF

A identificação da cor vermelha com a luta dos trabalhadores e, portanto, com a esquerda, o oposto da burguesia, vem de muito tempo.

O ano de 1848, em muitos países da Europa, foi marcado por revoluções burguesas contra a aristocracia e a velha nobreza que tinha voltado ao poder após a derrota de Napoleão e o Congresso de Viena, em 1815. A nova classe que era dona do capital era a nova burguesia das indústrias. E ela queria ter o poder político em suas mãos.

Nesse contexto, em vários países europeus, naquele ano, explodiram revoluções que tiveram a burguesia aliada aos trabalhadores para derrubar reis e imperadores. Isto aconteceu na Alemanha, na Áustria, na Hungria, na Itália e, sobretudo, na França. A capital Paris, que era de longe a mais importante e a maior cidade do continente europeu, foi palco de uma grande revolução. Esta tirou o poder do rei e impôs um novo sistema político: a república. Os trabalhadores franceses entraram de cabeça nesta revolução dirigida e a serviço dos planos da burguesia que estava se tornando a verdadeira dona do país. Entraram de cabeça e pagaram muito caro por isso.

Logo que a República Francesa foi vitoriosa contra o velho sistema monárquico, a classe trabalhadora apresentou suas reivindicações: salários que dessem para viver e redução da jornada de trabalho para 10 horas. Imediatamente a burguesia mostrou sua cara e o sentido da revolução de fevereiro. Era uma revolução a serviço única e exclusivamente de uma classe: a classe dos proprietários do novo capital industrial, comercial e bancário. Para os trabalhadores sobraram as balas de fuzil e de canhão. A primeira fase da revolução de 1848 foi contra a nobreza. A segunda será contra os novos inimigos.

Os trabalhadores resistiram, fizeram barricadas e desfraldavam a bandeira azul, branca e vermelha para seus ex-aliados de ontem. Os canhões do general Cravaignac bombardearam os bairros operários e destruíram as barricadas. No final destas jornadas de resistência operária, do mês de junho de 1848, as bandeiras da República Francesa que estavam nas mãos dos mortos ou dos feridos não eram mais azul, branca e vermelha, mas tinham uma cor só: o vermelho do sangue operário francês, esmagado pela burguesia. A mesma que era dona das fábricas, das lojas e dos bancos onde estes revolucionários trabalhavam.

Esta é a origem do vermelho das nossas bandeiras, roupas e chapéus. O simbolismo do vermelho passará a ser a bandeira da classe trabalhadora mundial.

Depois de 48, as bandeiras vermelhas começaram a aparecer nas lutas e manifestações. Pouco a pouco o vermelho é consagrado como a cor símbolo do socialismo e da luta operária.

Durante a Comuna de Paris, que foi o primeiro governo operário da história, fundado em 1871 na capital francesa por ocasião da resistência popular ante a invasão por parte do Reino da Prússia, as bandeiras vermelhas do socialismo e pretas do anarquismo tremulavam sobre as barricadas e os prédios públicos de Paris. O triunfo do vermelho se deu com a Revolução Russa. A bandeira vermelha ganhou, então, a foice e o martelo, símbolo da aliança básica que deu a vitória àquela revolução: os operários e os camponeses. Mais tarde, em 1949, a revolução chinesa adotou a bandeira vermelha com estrelas amarelas.

E por tudo isso esse é um símbolo tradicional da esquerda. Quando evitam o vermelho hoje, setores da esquerda estão capitulando a uma pressão da direita. Estão se escondendo, sendo covardes, desonrando toda uma história de lutas.