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Mal eleito, Luis Arce faz um chamado para um govereno de conciliação nacional, o que significa. a aliança com os golpistas de 2019
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Luis Arce, presidente eleito da Bolívia | Foto: Reprodução

Ao contrário do que foi levantado pela esquerda pequeno burguesa que festejou a vitória do MAS nas eleições bolivianas como sendo o fim do golpe de estado, golpe este dado no final de 2019, e o restabelecimento da democracia no país, a realidade mostra que o governo de Luis Arce é apenas mais uma etapa do golpe.

A subida de “Lucho”, como é conhecido Luis Arce, veio após uma larga onda de capitulações do MAS frente ao processo de golpe de Estado. Logo após as eleições de novembro de 2019, quando Evo Morales foi reeleito  e a direita e a extrema direita iniciaram uma mobilização violenta para que renunciasse, o presidente boliviano optou por primeiro aceitar a recontagem dos votos, depois, aceitou novas eleições e terminou renunciando ao cargo de presidente, cargo que passou a ser ocupado por Jeanine Añez.

Após o golpe, a população iniciou uma onda de manifestações contra a direita golpista, manifestações essas que foram acalmadas pelo MAS que acreditava em novas eleições em março. O coronavírus acabou sendo a desculpa ideal para que os golpistas adiassem as eleições para setembro e posteriormente para o dia 18 de outubro, praticamente sem nenhuma oposição real do MAS, que se bastava a criticar a direita através das redes sociais.

Mesmo com uma ampla mobilização da população após o adiamento das eleições de setembro para outubro, com participação massiva dos operários através da Central Operária Boliviana (COB), o MAS acabou por não procurar organizar a população e aceitou a lei dos golpistas que definia a data final para as eleições no dia 18 de outubro, quando, na verdade, o partido deveria organizar a população pedindo a derrubada do governo golpista.

Evo não pode concorrer, nem para presidente, nem para senador, além de se encontrar exilado na Argentina, após pequeno exílio no México. Também não houve em momento algum a tentativa de uma mobilização por parte da esquerda boliviana para que Evo pudesse se candidatar, sendo que claramente é em sua figura que os trabalhadores mais depositam esperanças.

Após a subida de Arce ao governo boliviano, o novo presidente disse que não faria um governo com Evo Morales e que este seria o governo da paz social, ou seja, o governo que colocaria fim à polarização política do país. Pouco antes das eleições, Arce havia dito que não interferiria na imprensa burguesa, ao contrário do que propunha Evo com tentativas de uma regulamentação da imprensa.

Isso, somando-se o fato de que mesmo antes dos resultados eleitorais oficiais a direita dita “moderada” ou “tradicional” tenha declarado Arce como vencedor, enquanto a extrema direita acabou negando o resultado final das eleições, mostra que este governo é um governo de capitulação e conciliação com a ala tradicional da burguesia, a ala que, na realidade, foi a que impulsionou o golpe de estado no País e que ficou com o governo após a renuncia de Evo, na figura de Jeanine Añez.

No entanto, é um erro acreditar que Lucho é um novo Lenín Moreno. Os golpes da América Latina tem mostrado que após governos ultra moderados terem chegado ao governo após o processo de golpe, caso de Alberto Fernandez na Argentina e López Obrador no México, a burguesia somente espera o enfraquecimento econômico dos países, fruto da crise econômica mundial, para que a população pareça insatisfeita e, assim, seja aberta a possibilidade de um novo golpe.

Sendo assim, a eleição do MAS é fruto da mobilização dos trabalhadores na Bolívia, que, ao invés de saírem completamente vitoriosos com a volta de Evo Morales e um confronto mais amplo com o imperialismo, receberam uma espécie de placebo. Dessa forma, a população pode acalmar os ânimos e, após o fracasso econômico fruto da conciliação com o imperialismo, novamente se revoltar, desta vez, contra o governo do MAS.

Como a extrema direita de Camacho está se colocando como contrária à essas eleições, não é absurdo dizer que será esse o setor que pode iniciar a próxima investida de golpe, caso a tentativa de restabelecer a direita por parte da burguesia seja fracassada.

Os trabalhadores bolivianos não podem cair na crença de que tudo se resolveu nas eleições e devem exigir que Evo Morales tenha todos os seus direitos políticos de volta, além de lutar pela reversão de tudo o que é fruto do golpe de estado e cobrar do governo eleito maior participação no governo. Além disso, por mais que este governo demonstre ser mais direitista e capitulador do que os governos de Evo, a população tem de se colocar contrária a qualquer tentativa de golpe de estado por parte da direita.

Somente a mobilização da população será capaz de rever os quadros de golpes de estado na América Latina. As eleições, por mais que expressem em uma medida muito pequena os anseios da população, devem servir como um dos instrumentos da luta popular, mas não como o fim de toda essa luta.

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