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A vitória do candidato de oposição no México, Lópes Obrador, despertou no Brasil e em outros lugares, um sentimento de grande vitória da esquerda em oposição o avanço da direita nos demais países, especialmente na América Latina.

Mas essa vitória não representa uma reversão da tendência direitista que se tem visto nos países da América Latina, como no Brasil, Argentina, etc. É preciso ver a questão de conjunto.

Existem diversas apreciações. Alguns setores que se opõem a esse governo no México, são setores que acham que é o nacionalismo de esquerda, como Lula foi no Brasil, etc. E tem outros que acham que não tem golpe, que não tem avanço da direita, nada, como é o caso do PSTU, e que usa a vitória de Obrador no México para falar que não existe onda conservadora no continente.

O méxico tem uma história bastante acidentada, tendo sido uma colônia fundamental da Espanha, e, sendo vizinha dos EUA, foi objeto de uma atividade agressiva do país vizinho, que acabou levando embora uma boa parte do território mexicano.

Essa instabilidade culminou com a tentativa dos franceses, na época do império, de tomar conta do México e estabelecer uma monarquia. Os franceses invadiram o México, e isso levou, depois, a uma guerra, a derrubada do imperador e um novo período de instabilidade.

Finalmente, a oligarquia mexicana, de conjunto com a norte-americana, estabeleceu uma espécie de ditadura com aparência constitucional, de longo período, chamado de “porfiriato”.

Revolução Mexicana

Em 1910, começa a famosa revolução mexicana, o maior movimento revolucionário que teve na América Latina até os dias de hoje, provavelmente junto com o movimento da Bolívia. Ela marca o período de revoluções que vai atingir o mundo todo.

Essa revolução foi em grande medida uma revolução camponesa. Essa economia era mais profundamente agrária que a brasileira, pois ali havia uma população nativa antes dos europeus chegarem.

A revolução leva ao poder um governo democrático, que é derrubado um golpe civil-militar, com o início da guerra civil, onde morre uma das mais famosas lideranças da revolução, Emiliano Zapata. Depois de dez anos, os nacionalistas assumem o poder.

Nos anos 20, ocorre um grande florescimento da cultura mexicana, intimamente ligada à revolução mexicana. Se destacam três pintores, Davi Siqueiros, membro do Partido Comunista Mexicano, que inclusive organiza a primeira tentativa de homicídio contra Leon Trotski. Ainda teríamos Orosco e o maior dos três, um dos maiores da história da arte, que é Diego Rivera.

Cardenas chega ao poder na década de 30, tendo como principal ato de governo a nacionalização do petróleo. Ele deu impulso ao desenvolvimento da economia nacional. Ele é oriundo das fileiras revolucionárias, e se torna um dos maiores representantes do nacionalismo mexicano.

Os revolucionários são derrotados por setores conservadores, e começa um movimento para que a oligarquia tome conta do poder, até o partido do governo se chamar PRI, Partido Revolucionário Institucional.

Finalmente, o PRI, com a crise de 1974, chega à lona. O FHC mexicano sai de dentro do PRI, Miguel de la Madri. Dada a total falta de flexibilidade do sistema mexicano, todos os governos posteriores são neoliberais. Cria-se um bipartidarismo com um segundo partido ainda mais direitista.

No México não houve a chamada onda nacionalista. Houve uma eleição onde a esquerda iria ganhar o governo, uma esquerda parecida com a do Brasil, Argentina, etc. mas ela foi escandalosamente fraudada.

Uma expressão da rigidez do regime mexicano é o desenvolvimento de um movimento guerrilheiro, que começa mais ou menos nessa época, do neoliberalismo, e que perdura até hoje, que é o movimento zapatista.
O fato é que num país do tamanho do México, se criar um movimento armado, junto aos camponeses, é um sinal de que o regime não permite a absorção de determinados setores de esquerda que enveredaram para uma política de luta armada.

Os governos recentes não só levaram uma política de terra arrasada na economia, como levaram a fundo uma campanha intensa do chamado combate às drogas, o que produziu no país uma matança enorme, sem “combater as drogas”, apenas aumentando a repressão contra o povo.

Nessa marco político, é mais compreensível a vitória do candidato da esquerda, o Obrador. Ao contrário do Cardenas, ligado aos zapatistas, Obrador é uma pessoa saída do PRI, quando o partido deu essa guinada neoliberal. Mas, sendo do PRI, nunca teve uma base popular.

O governo dele será mais um governo do regime político. Inclusive, o EZLN condena Obrero como sendo “mais do mesmo”.

Obrador não é uma “novidade”, um Hugo Chaves, um Lula. Esse governo eleito, Obrador, não tem o mesmo conteúdo nacionalista dos anteriores. Por um fator simples: que os governos nacionalistas não foram resultado de uma eleição.

Esses governos foram resultado de uma movimentação revolucionária que tinha no continente, principalmente na América do Sul. O efeito no restante do continente americano foi menor, tanto que não foi suficiente para que o Cardenas ganhasse a eleição no México.

Neste momento, já não temos essa mobilização revolucionária. O que nós temos um esfriamento da mobilização, teve algumas reivindicações satisfeitas, com programas sociais. E todo o continente teve um crescimento econômico, que os governos nacionalistas utilizaram para conseguir uma certa estabilidade.

O governo Lópes Obrador não sobe diante de uma crise revolucionária em nenhum lugar do continente. Não se trata de um problema de ideologia, mas das razões objetivas, reais, a situação das relações de força.

Não adianta pensar que esse governo surge como o governo Kirchner, Chaves, Evo Morales, Lula. Pois todos são resultado de um grau de radicalização política.
Ao mesmo tempo em que a direita avança sobre o regime político, existe uma tendência forte da população à esquerda, uma tendência à polarização no continente. Mas quem está com a iniciativa política não são as massas que se deslocam à esquerda, mas a direita que avança sobre os regimes políticos.

A vitória de Obrador também revela um profundo grau de decomposição dos partidos dominantes.
Obrador, por fim, tem como eixo fundamental de campanha a questão da “luta contra a corrupção”, ou seja, a Lava Jato mexicana, para varrer a esquerda da situação política. Seu governo é uma oscilação à esquerda, mais parecida com François Hollande (França) que com Evo Morales (Bolívia), não aponta para nenhum tipo de ruptura.

Não se pode alimentar a ilusão de que se pode derrotar os golpistas, a direita, pelas eleições. Essa é a campanha no fundo das matérias que celebram a vitória de Obrador no México.

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