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Organizações artificiais querem tomar a frente do movimento

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Luis Posada Carriles

O sonho dele era matar Fidel

O mais notório terrorista de extrema-direita cubano, financiado pelo imperialismo, morreu impune em território americano

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Outdoor em Cuba comparando George W. Bush (esquerda), Posada Carriles (centro) e Adolf Hitler (direita) – Foto: Indi and Rani Soemardjan

(*) Márcia Choueri, correspondente em Havana

Seu nome era Luis Clemente Faustino Posada Carriles, foi talvez o terrorista mais ativo e cruel contra Cuba, e dizem que tinha verdadeira obsessão por matar Fidel Castro, de quem tinha sido contemporâneo na Universidade.

Mas este não é um estudo de caso psiquiátrico. O sujeito já morreu, aos 90 anos, de câncer na garganta. Em seus últimos anos, viveu livremente nos Estados Unidos, apesar das provas contra ele de diversos crimes de planejamento e organização de atos terroristas, que causaram numerosas mortes.

A biografia de Posada Carriles é interessante porque se entrelaça com a história da intervenção norte-americana na América Latina, nos últimos 60 anos.

Logo após a derrubada da ditadura de Batista e a tomada do poder pelos revolucionários, vivendo em Havana, Posada Carriles se vinculou a grupos opositores, tornando-se especialista em explosivos.

No início de 1961, pede asilo na embaixada da Argentina e, em 25 de fevereiro desse ano, passa com um salvo-conduto para o México e, em seguida, para os Estados Unidos. Ao chegar naquele país, Posada Carriles se integra à Operação 40, uma operação secreta da CIA destinada a derrubar chefes de Estado pouco afins com a política estadunidense. Dali, ele é mandado para a Guatemala, em março de 61.

Pense em qual seria a probabilidade de ele sair de Cuba em fevereiro, e em março já ser mandado pela CIA para a Guatemala, como por um acaso do destino. É óbvio que a CIA já estava contatando e contratando cubanos contrários ao regime na própria Ilha, ou seja, que os Estados Unidos atuavam clandestinamente para derrubar um governo estrangeiro. Que surpresa!

Vale lembrar que, já em 17 de março de 1960 – bem antes da declaração do caráter socialista da Revolução Cubana –, o presidente norte-americano Eisenhower aprovara secretamente o chamado Projeto Pluto, para financiar o recrutamento e preparação de um exército de exilados cubanos, a ser treinado na Base Trax, na Guatemala, e que em 17 de abril de 1961 invadiria Cuba por Praia Girón, ou Baía dos Porcos.

Essa invasão foi precedida de várias ações terroristas em Cuba, desde o mês de fevereiro. No dia 5, explodiu uma bomba em Bayamo, e um avião jogou panfletos sobre Havana. No dia 7, explodiu um carro em Havana. No dia 13, detiveram um homem tentando colocar outra bomba, e no mesmo mês foram assassinados dois jovens milicianos. Em 14 de março, uma embarcação armada abriu fogo de metralhadoras e canhões contra a refinaria de Santiago, e no dia 18 a polícia cubana prendeu vários agentes da CIA. No mês de abril, dia 13, quatro dias antes da invasão, provocaram um incêndio criminoso que queimou a maior loja de departamentos da capital, e, no dia 15, aviões de guerra atacaram simultaneamente três aeroportos de Cuba.

Ou seja, em apenas dois meses, foram praticados, além de um ataque aéreo, diversas ações terroristas dirigidas pela CIA em Cuba, com numerosas mortes e perdas materiais. Apesar de tudo isso, a invasão de Praia Girón acabou sendo um vexame militar, derrotada em apenas 72 horas pelos milicianos e exército cubanos, comandados pelo próprio Fidel.

Voltando ao biografado, sabe-se que Posadas Carriles foi treinado pelos serviços secretos dos Estados Unidos durante os anos 60 e, segundo documentos oficiais daquele país, foi agente da CIA entre 1965 e 1974. Segundo o FBI, em maio de 1965, ele participou de uma conspiração para derrubar o governo da Guatemala, e a CIA informa que, um mês depois, ele estava no México junto com outro terrorista, Jorge Más Canosa, tentando explodir um navio soviético.

Ainda como funcionário da CIA, foi “assessor de Segurança” dos serviços secretos da Venezuela, Guatemala, El Salvador, Chile e Argentina. Em outubro de 1967, foi transferido para a Venezuela, onde se incorporou à Diretoria Geral de Polícia (DIGEPOL), sob o pseudônimo de Comandante Basilio, tendo sido acusado de participar de torturas e assassinatos. Aliás, ele adquiriu a cidadania venezuelana e, apesar de tantos serviços prestados ao Tio Sam, nunca recebeu o green card.

Em 1971, ele projetou e organizou um atentado contra Fidel Castro, que se encontrava no Chile, em visita ao presidente Salvador Allende. Segundo consta, os membros de seu grupo, que tinham documentos falsos de jornalistas da Venevisión, chegaram a estar diante do Comandante, mas não se atreveram a concretizar a ação e desistiram no último momento.

Em 1974, ele deixa o cargo na polícia venezuelana, e em 1975 cria em Caracas uma empresa de investigações, utilizada para encobrir suas atividades terroristas no norte da América do Sul e na América Central.

Enquanto isso, a CIA estava convidando o coronel chileno Manuel Contreras, da DINA, a uma visita em que assentaram as bases de uma operação internacional anticomunista, que seria chamada Operação Condor. Essa operação – que durou vários anos – foi implementada oficialmente em novembro de 1975, pelos regimes ditatoriais do Cone Sul: Chile, Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Bolívia e mais a participação esporádica de Peru, Equador, Colômbia e Venezuela. O governo dos Estados Unidos – através da CIA principalmente – proporcionou planejamento, coordenação, formação em tortura, apoio técnico e ajuda militar às juntas militares desses países, durante as administrações de Johnson, Nixon, Ford, Carter e Reagan. A Operação Condor foi uma verdadeira transnacional do terror, responsável, pelo desaparecimento, tortura, sequestro de crianças, assassinatos das formas mais cruéis, contra militantes progressistas e de esquerda, em ações isoladas ou associadas das polícias e forças armadas desses países.

Em agosto de 1976, Posada Carriles esteve envolvido no assassinato de funcionários cubanos na Argentina e, durante esse mesmo ano, junto com outro terrorista, Orlando Bosch, fundou o “Comitê de Organizações Revolucionárias Unidas – CORU”. Organizou uma equipe de terroristas para atuar no Chile, junto com a DINA, na repressão aos opositores do regime de Augusto Pinochet, fazendo parte da Operação Condor.

Enquanto esteve no Chile, reuniu-se com um ultradireitista italiano, o neofascista Stefano Delle Chiaie, membro da Operação Gladio. A Operação Gladio foi criada após a Segunda Guerra, pela CIA e o MI6, com o objetivo de se preparar para uma eventual invasão soviética à Europa ocidental, e se compunha de forças armadas paramilitares clandestinas atuando em vários países. Muitos membros da Gladio eram ex-agentes nazistas. Após esse encontro, a América Latina foi alvo de uma série de ataques, no mesmo ano de 1976. Em 22 de abril: bomba contra a embaixada de Cuba em Portugal, dois mortos; 1º de julho: bomba no Centro Cultural Costa Rica-Cuba, na Costa Rica; 9 de julho: bomba em bagagens do voo de Cubana de Aviación na Jamaica; 10 de julho: bomba na agência da Cubana de Aviación em Barbados; 11 de julho: bomba nos escritórios da Air Panamá na Colômbia; 4 de outubro: o CORU assume ter colocado uma bomba num canal de televisão de Porto Rico, enquanto projetavam um filme cubano.

Em 6 de outubro de 1976, explode em pleno voo um avião de Cubana de Aviación que saíra de Barbados, levando a equipe juvenil de esgrima de Cuba. O ataque causou a morte de 73 pessoas.

Posada Carriles e Orlando Bosch foram identificados como autores do crime no mesmo dia e detidos em Caracas. Enquanto aguardava o julgamento, Posada tentou fugir, mas foi recapturado. Em 4 de novembro de 1984, tentou e fracassou novamente, e finalmente conseguiu escapar, em 18 de agosto de 1985. Após passar 15 dias escondido em Caracas, passou a Aruba em barco, depois em avião para a Costa Rica e posteriormente a El Salvador. Todas essas operações foram financiadas pela Fundação Nacional Cubano-Americana, organização contrarrevolucionária financiada pela CIA.

Durante seu período em El Salvador, na década de 80, ocupou um cargo de assessor da presidência do país, como cobertura para participar da guerra contra o governo sandinista da Nicarágua. Nesse período, participou do fornecimento de armas aos Contras nicaraguenses, numa operação que ficaria conhecida como o escândalo Irã-Contras. Operação de quem? Da CIA, claro.

Em 1988, foi para a Guatemala, como assessor de segurança da Empresa de Teléfonos de Guatemala. Em 1992, participou da iniciativa da FNCA, que criou uma ala militar para promover atentados contra Cuba e seus principais líderes. Em meados da década de 90, foi localizado novamente em El Salvador, mas o governo salvadorenho, ao ser avisado, apenas o processou por documentação falsa, para evitar deportá-lo.

Em 1997, houve uma onda de ataques com bombas a instalações turísticas em Havana, que causou a morte de um turista italiano. Todos os participantes das ações – que foram presos pela polícia cubana – confirmaram a participação de Posada Carriles no planejamento da operação. Contaram que tinham sido recrutados na América Central pessoalmente por ele, que também os ensinou a manipular as bombas. O próprio terrorista assumiu isso publicamente, numa entrevista a um canal de televisão de Miami. E em julho de 1998, em entrevista ao New York Times, ele informou que Jorge Más Canosa, diretor da FNCA, tinha lhe dado 200 mil dólares por suas operações. Quem financia a FNCA?

Transferiu-se, então, para o Panamá, onde é detido e acusado no ano 2000, junto com outros participantes, de ter preparado um plano para assassinar Fidel Castro durante um evento internacional. Foi julgado e condenado, mas a presidenta Mireya Moscoso o anistiou, em seu último ato de governo, em 2004.

Em abril de 2005, Posada entrou ilegalmente no território dos Estados Unidos, a partir do México. No dia 13 desse mês, seu advogado pediu asilo político, tentando evitar sua extradição, imediatamente solicitada por Cuba e Venezuela, pelos crimes cometidos e, no caso da Venezuela, também por ser fugitivo da justiça.

Em 3 de maio, Roger Noriega, funcionário do Departamento de Estado, negou que ele estivesse em território estadunidense. Em 17 de maio, ele foi entrevistado pelo Miami Herald na Flórida, sendo detido nesse mesmo dia. Ele havia retirado o pedido de asilo e estava tentado sair ilegalmente do país. 

Depois de várias idas e vindas judiciais nos Estados Unidos – mas nunca acusado de terrorismo –, ele foi libertado em maio de 2007, tendo sido retiradas as acusações. No final de março de 2010, foi visto numa manifestação em Miami a favor da “liberdade em Cuba”.

Faleceu em 23 de maio de 2018. Mas sua morte não apaga nem os danos causados, nem as evidências de que os Estados Unidos praticam habitualmente o terrorismo contra outros países e povos.

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