O resultado eleitoral vale muito dinheiro: esse é o motivo de ser bem manipulado e controlado

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A burguesia e a esquerda pequeno-burguesa apresentam as eleições como se fossem uma disputa entre programas, ideias e propostas, em que a população vota de acordo com seu apoio a este ou aquele programa, ideias e propostas.  O candidato vencedor teria, portanto, o apoio da maioria da população. Esta concepção, favorável a burguesia é profundamente falsa. As eleições são um jogo de cartas marcadas na qual o poder econômico é um fator determinante.

Há na esquerda nacional uma grande empolgação em torno das eleições de 2018, um setor da pequena burguesia de esquerda segue a política burguesa e se apresenta como candidato, com a mesma demagogia e com promessas que não podem cumprir, seja por ingenuidade, seja por oportunismo não conseguem se diferenciar dos candidatos legitimamente burgueses, com a diferença que sua candidatura não tem a mínima perspectiva, servem como coadjuvantes para o teatro da burguesia.

Um setor da esquerda advoga uma perspectiva mais realista, em termos, diante do golpe de Estado e do deslocamento das massas da população para a esquerda, expressa no apoio a candidatura do ex-presidente Lula, procuram defender que as eleições estariam ganhas para a esquerda, devido a este repúdio popular contra o golpe e contra os candidatos da burguesia.

Para tanto, basta que o PT tenha um candidato, que mesmo não sendo o ex-presidente Lula, devido à perseguição política que sofre, herdaria deste todo seu prestígio popular e sua votação. Seria esse um meio simples e pacífico de por o golpe de joelhos e retomar a normalidade institucional e o crescimento econômico.

O fato, porém é que as duas concepções da esquerda estão presas à concepção geral da burguesia sobre a eleição, de que ela é democrática, atende a vontade popular. A primeira é totalmente submissa, a segunda não compreende a extensão dos meios de manipulação da burguesia e sua necessidade vital de controlar o Estado.

A burguesia exerce um controle profundo do processo eleitoral, que não é democrático, é um sistema montado para que prevaleçam os interesses econômicos da burguesia imperialista em primeiro lugar. Eles controlam a máquina estatal, a justiça eleitoral, possuem diversos partido, a imprensa, investem muito dinheiro na eleição, tem muitos meios de manipulação para garantir que seus interesses sejam efetivados, contra isso o mero desejo eleitoral difuso na população não pode fazer frente. Para garantir seus interesses a burguesia derrubou um governo eleito, cassou milhões de votos, tomou o poder, colocou o principal líder popular na cadeia, rasgou a constituição e não irá entregar o poder simplesmente por uma eleição, que a própria burguesia prepara-se para fraudar e ganhá-la a todo custo, a se na eventualidade ela não ganhe, não estará resolvido o problema, ela já derrubou o governo eleito…

A candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva apresenta-se, no entanto, de maneira um tanto distinta, pois sua candidatura expressa não apenas um desejo difuso contra o golpe da população mas um eixo de mobilização que polariza o país entre os golpistas e a esmagadora maioria do povo, aponta para radicalização do povo na luta contra o golpe. O povo quer votar no Lula para derrotar o golpe a burguesia não quer o Lula, é  esse choque que pode levar a derrota dos golpistas. Qualquer tentativa de saída negociada ou meio termo dará mais armas aos golpistas e aos grandes capitalistas internacionais que estão por detrás do golpe.