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O regime está se fechando: Bolsonaro ameaça prender Greenwald
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O regime está se fechando: Bolsonaro ameaça prender Greenwald
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Bolsonaro disse que o jornalista Glenn Greenwald pode “pegar uma cana aqui” e que sabe como o pai do presidente da OAB “foi desaparecido” na ditadura.

Está ficando tarde para a burguesia colocar uma focinheira e controlar o monstro que criou. Colocar Bolsonaro na linha em vez de removê-lo é manter uma fera indômita por perto. Todo dia ele abre a boca e jorra ameaças, frequentemente várias vezes ao dia, não mais à democracia, pois ela acabou em abril de 2016, mas à civilização humana.

Desde o final de semana, o ogro está particularmente inspirado, depois que multidões em vários pontos do País o mandaram tomar naquele lugar: no estádio do Palmeiras, no jogo deste time contra o Vasco, em uma apresentação da Gal Gosta e na micareta de Fortaleza (chamada de Fortal), que foi um protesto estrondoso.

Sentindo o chute na canela, o presidente ilegítimo, mais próximo de governador-geral da colônia escravizada, desferiu esses ataques aí, talquei?

Primeiro, durante evento na Vila Militar, na Zona Oeste do Rio, no sábado (27), ao ser questionado por jornalistas sobre a portaria com o número da besta, 666, publicada recentemente por Sérgio Moro, permitindo a deportação sumária de estrangeiros, Bolsonaro declarou que Moro  tem “carta branca”.

“Ele tem ‘carta branca’. Eu teria feito um decreto. Tem que mandar pra fora. Quem não presta, tem que mandar embora. Tem nada a ver com o caso desse Glenn não sei o quê aí. Tem nada a ver com o caso dele. Tanto é que não se encaixa na portaria o crime que ele tá cometendo. Até porque ele é casado com outro homem, e tem meninos adotados no Brasil. Tá certo? Malandro, malandro, pra evitar um problema desse, casa com outro malandro, ou não casa, e adota criança no Brasil. É um problema que nós temos…Ele não vai embora. O Glenn pode ficar tranquilo. Talvez ele pegue uma cana, aqui, no Brasil. Não vai pegar lá fora, não”, jorrou a boca de Bolsonaro.

O jornalista Glenn Greenwald demonstrou indignação por Bolsonaro insinuar que ele se casou com o hoje deputado do PSOL David Miranda e adotou dois filhos brasileiros para evitar a lei de deportação. Greenwald disse que se casou há 14 anos, antes até de se tornar jornalista, quando era advogado.

Greenwald afirmou: “Ao contrário dos desejos de Bolsonaro, ele não é (ainda) um ditador“. E disse que ele não tem o poder de prender pessoas, porque ainda existem tribunais em funcionamento. E que, para prender alguém, tem que apresentar provas para um tribunal.

Glenn não contava com a falta de astúcia de alguns e que essa situação está mudando rapidamente.

Na sequência, o ditador voltou à carga e decretou que o jornalista Glenn Greenwald, no seu “entender”, praticou um crime.

Não precisa nem mais de provas, nem de tribunais. O grande Jair Bolsonaro Supremo acaba de emitir seu julgamento: “No meu entender, isso teve transações. No meu entender, transações pecuniárias e, pelo que tudo indica, a intenção é sempre atingir, no caso aí, atingir a Lava Jato, atingir o Sérgio Moro, atingir a minha pessoa, tentar desqualificar, desgastar”, simples assim. Sem prova nenhuma, sem necessidade de nenhuma investigação mais da Polícia Federal, nada, Jair concluiu que Greenwald pagou ao “hacker” e é um criminoso.

O conteúdo das mensagens divulgadas pelo Intercept vai para a casa do Queiroz e pronto e não vêm ao caso.

Para mostrar que é inesgotável, Jair começou a semana atacando o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz:  “Se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu, eu conto pra ele. Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro”, disse Bolsonaro em coletiva de imprensa a respeito de Fernando Santa Cruz, incinerado no forno de uma usina de açúcar pela ditadura militar em 1974.

A Ação Popular (APML – Ação Popular Marxista Leninista) não era um grupo armado. Jamais algum integrante pegou em armas. Não foi grupo sanguinário nem violento coisa nenhuma. Fazia apenas trabalho de conscientização das classes excluídas de sua condição e da necessidade de derrubar a ditadura, principalmente no campo. Por meios pacíficos.

Jair fez a afirmação no mesmo tom que elogiou antes o torturador Brilhante Ustra e o ditador Pinochet, no Chile, ou seja, endossando, demonstrando admiração e vontade de fazer igual.

A situação é grave. Se ele tem conhecimento de crimes esses anos todos e, em vez de denunciá-los, os glorifica, ele é cúmplice ou conivente. Temos um criminoso sentado no poder e servindo a interesses externos.