Crise aumenta
Capital especulativo que sai do país é o dobro do ano passado, querem mais privatização e menos direitos aos trabalhadores
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Dinheiro especulativo não gera investimentos nem garante empregos, é só para lucro fácil e rápido. | Foto: Reprodução CCO Domínio Público

Que a economia brasileira vai mal, não precisa ser economista inteligente para ver. Mas toda hora há um indicador novo mostrando a fragilidade da economia brasileira e a incapacidade da equipe econômica entreguista e golpista em lidar com a crise.

A imprensa burguesa no Brasil, especialmente a televisiva, acostumou o público a crer que os índices das bolsas de valores são representantes fiéis da economia. Se a bolsa cai, representa que a economia vai mal. Se a bolsa sobre, representa que a economia vai bem. Mas esse sobre e desce não representa muito da economia real. Há muito de especulação e jogo de interesses.

Nos últimos dias vimos uma debandada de especuladores internacionais, tirando R$ 88,2 bilhões da Bolsa de Valores de São Paulo, a principal do país. Esse valor “representa o dobro do registrado em todo o ano passado, quando os estrangeiros levaram de volta para casa R$ 44,5 bilhões” (Brasil 247, 2/10/20).

Esse fluxo de capitais não gera necessariamente benefício às empresas capitalistas, mas quando a especulação retira grandes somas de dinheiro das bolsas, ela dá um recado para todo mundo, diz que naquele país a coisa vai de mal a pior e aquela economia não vai gerar os lucros que o capital especulativo deseja. Aí ele migra para outros lugares mais lucrativos. O recado que os especuladores internacionais estão dando é de que não têm confiança na política econômica do governo brasileiro. Isso tem implicações políticas, mais que econômicas.

A Bolsa de Valores já foi um importante instrumento dos capitalistas para angariar recursos para o financiamento das empresas. Essa função ainda existe mas já foi há muito tempo subjugada pela especulação e pelo jogo de mercado atrás de lucros fáceis, especialmente as bolsas das economias periféricas, como a brasileira. Hoje, é um dinheiro que entra fácil no país e sai mais fácil ainda. Na maioria dos casos, o dinheiro de especulação não ajuda a capitalizar uma empresa, não se converte diretamente em investimento.

A bolsa de valores realiza o registro, a compensação, a liquidação e a listagem de todos os ativos e valores mobiliários negociados. O valor das ações de empresas abertas depende, em tese, do valor de mercado da empresa, das suas expectativas de lucro e também de vários outros fatores que interagem com essas expectativas. Se não houvesse o interesse de grandes negociadores nas bolsas, que têm, em geral a função de gerir grandes fundos de ações, fundos de pensão e outros assemelhados, as bolsas poderiam representar bem as flutuações e expectativas das empresas. Mas seus índices podem ser manipulados, especialmente se for uma bolsa pequena ou muito suscetível ao ir e vir de capitais estrangeiros ou de grandes empresas financeiras.

No caso brasileiro, essa “fuga” de capitais tem implicações políticas. É sinal de que o capital estrangeiro pode retirar o apoio ao governo golpista. É um sinal que essa parte dos capitalistas está dando para outros capitalistas e, por meio da imprensa burguesa, para a correia de transmissão dos interesses do grande capital. Assim é que entendem os altos escalões do Judiciário, os altos escalões do Ministério Público, a burocracia estatal e os parlamentares burgueses. Essa é a implicação imediata.

Geralmente, quando isso ocorre, imediatamente atrás da notícia da fuga de capitais, vem os recados de que o governo tem que privatizar mais, tem que garantir mais os interesses do grande capital, tem que reduzir direitos e, quando há o início de mobilização social se fortalecendo ou se espraiando, a imprensa burguesa pede mais truculência das forças de repressão. Isso aqui no Brasil e em todos os outros países do mundo.

No caso brasileiro, a presença errática do capital estrangeiro nos dois últimos anos tem servido de forte pressão sobre o governo golpista e tem surtido efeito. Sempre que há um movimento de debandada de capital, o governo cede e procura apressar as “reformas” de destruição do Estado e de direitos. A cada movimento do capital internacional, o governo promete mais privatizações e deixa as empresas estatais brasileiras mais baratas.

 

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