Frente ampla
A entrada do PT ao bloco golpista de Rodrigo Maia não tem nada de luta contra Bolsonaro e os únicos beneficiados são os golpistas que querem limpar seu passado de golpe
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PT ao lado de golpistas de carteirinha | Foto : Divulgação/Câmara dos Deputados

Na última sexta-feira (18/12), o Partido dos Trabalhadores (PT) através da sua presidente nacional e deputada federal Gleisi Hoffmann quando o PT anunciou que aderiria ao grupo do atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e não ao de Arthur Lira (PP-AL) nas próximas eleições para a presidência da Casa. A deputada Gleisi Hoffmann afirmou que “a adesão do bloco não significa adesão à candidatura” do atual presidente da Casa. “A oposição construirá um nome para apresentar ao bloco também com alternativa”, disse em entrevista a jornalistas.

O bloco encabeçado pelo golpista Rodrigo Maia possui onze partidos: PT, PSL, MDB, PSB, PSDB, DEM, PDT, Cidadania, PV, PC do B, Rede. Como podemos ver, a maioria desses partidos foram apoiadores do golpe em 2016, da perseguição ao PT, da prisão de Lula e apoiaram abertamente Jair Bolsonaro durante as eleições em 2018.

Havia uma grande pressão da ala direita do PT para apoiar algum bloco da direita golpista para as eleições da presidência da Câmara dos Deputados. Um setor do PT chegou ao absurdo de propor o apoio ao bolsonarista declarado Arthur Lira, mas que foi derrotado por outra ala da direita do PT para apoiar o bloco encabeçado pelo “democrata” Rodrigo Maia.

Após a declaração de apoio, uma Carta Aberta foi lida pelo golpista Rodrigo Maia com os representantes dos partidos golpistas ao lado da presidente do PT, Gleisi Hoffmann.

O que está em jogo são negociatas e não a derrota de Jair Bolsonaro

Uma das justificativas para a entrada do PT no bloco formado pelo golpista Rodrigo Maia (DEM) é que seria uma aliança entre os setores democráticos da Câmara dos Deputados para agir contra as arbitrariedades e desvaneios autoritários de Bolsonaro. Justificativa que não passa de uma falácia para esconder uma política rasteira.

A participação de outros partidos da direita que votam em acordo com a quase totalidade dos projetos apresentados ou apoiados pelo fascista Jair Bolsonaro contra os trabalhadores revela esta afirmação.

Já para o PT, o que evidencia que é uma busca de cargos, verbas e negociar comissões é que uma ala a direita do PT sempre buscou acordos com a direita “civilizada” na chamada frente ampla. Essa política se apoia principalmente num setor da ala parlamentar do PT que busca se adaptar ao regime político golpista para manter mandatos, cargos e recursos do parlamento.

Lutar pela democracia com a direita golpista?

Na carta apresentada e assinada pelos representantes de 11 partidos diz num trecho que “Esta não é uma eleição entre candidato A ou candidato B. Essa é a eleição entre o ser livre e o subserviente; ser fiel a democracia ou aliado do autoritarismo; ser parceiro da ciência ou conivente ao negacionismo; ser fiel aos fatos ou devoto das fake news.”

Esse trecho não tem nada mais do que muita demagogia e dissimulação. O bloco de Rodrigo Maia é formado pela direita que deu o golpe em 2016 e que mantem aprovação da totalidade das medidas de ataques aos trabalhadores, a suas organizações e que não quer tirar Bolsonaro da presidência a todo custo e sim buscar controlá-lo em alguns aspectos.

A maior comprovação desta afirmação é que o atual presidente da Câmara Rodrigo Maia engavetou 56 processos de impeachment contra o presidente ilegítimo Jair Bolsonaro. Se esse a chapa que luta contra o autoritarismo, contra o negacionismo e favorável a ciência e não mentiras, a primeira medida era pelo menos pautar os inúmeros processos para a derrubada de Jair Bolsonaro. E isso não teria nada de antidemocrático, pois foi eleito em eleições fraudulentas, destruindo a economia do país, matando as pessoas de fome e coronavírus e ameaçando em todo momento um golpe militar.

Ou seja, esse bloco formado por Maia não tem nada de defesa da democracia e sim um joguinho entre setores da direita golpista para pressionar o governo e negociar verbas e cargos para esses partidos.

Nenhum ganho nem para o PT, democracia ou a população. Quem se beneficia é a direita

O ingresso do PT nesse bloco formado por Rodrigo Maia é um enorme erro e, ao contrário do que está sendo apresentado, não irá trazer nenhum benefício para Gleisi Hoffmann, nem para o Partido dos Trabalhadores, a democracia e muito menos para a luta contra o governo fascista de Jair Bolsonaro.

Os únicos vencedores desse apoio é a direita golpista, os verdadeiros pais de Jair Bolsonaro. Isso porque é um fortalecimento da política da frente ampla, tão propagandeada pela direita porque coloca a esquerda e a luta contra o golpe a reboque dessa direita apresentada como ‘civilizada’, mas que endossa completamente o governo Bolsonaro.

Outra grande vitória da direita com a entrada do PT nesse bloco golpista é a consolidação da política de isolar o PT e a ala lulista. Através do fantasma do bolsonarismo, a direita apresenta a justificativa que vale qualquer medida contra Bolsonaro, inclusive apoiar a direita que deu o golpe em 2016 e que pouco diverge com a política da extrema direita.

Esse apoio do PT a direita, limpando seu passado sujo e golpista, apresentando-os como combatentes contra o bolsonarismo, está abrindo caminho para que a política da burguesia seja implantada: tirar o PT e Lula, colocando um candidato de sua confiança na presidência. Há uma tentativa muito controlada de tentar substituir Jair Bolsonaro por um elemento mais comedido e que segue à risca a cartilha rezada pela burguesia.

Mas para isso não pode haver a ingerência do PT e Lula ou a mínima possibilidade de ganhar as eleições e caso a polarização continue e não retirem o PT do páreo, a burguesia não vai hesitar em apoiar novamente Jair Bolsonaro para continuar na presidência.

Esse é o grande jogo da burguesia, em primeiro lugar e como prioridade absoluta é impedir da maneira que for necessária a volta do PT a presidência da República e colocar alguém de sua confiança, como a direita tradicional apresentada como ‘civilizada’ ou chamada de centrão. Não é por acaso que Rodrigo Maia e a direita do centrão não coloca em marcha sequer o impeachment de Bolsonaro.

O base do PT deve repudiar esse apoio e mobilizar para que saiam desse bloco golpista e que seja denunciado como bolsonaristas enrustidos que apenas querem lucrar eleitoralmente com a ampla rejeição a Bolsonaro e sua política contra os trabalhadores e a população.

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