O PT tem que ser de “centro-esquerda”: o que Haddad quis dizer?

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Em recente entrevista à TV247, o ex-candidato a presidente, Fernando Haddad, referiu-se a si próprio, como candidato, e ao PT como partido, de “centro-esquerda” em oposição à esquerda.

O que significa isso? Na expressão centro-esquerda, que não descreve adequadamente a situação política, criada para confundir as pessoas, o fundamental não é a palavra esquerda, mas a palavra centro. A burguesia acha que para conseguir a estabilidade do regime político é preciso um centro político estável. Esse centro político deveria ser constituído por partidos de centro-esquerda, de centro e de centro-direita. Partidos de esquerda e de direita deveriam ser minoritários na situação política.

O exemplo do parlamentarismo francês expressa isso bem. A centro-esquerda é o Partido Socialista francês, e a centro-direita, os Republicanos de Sarkozy. Os partidos de centro são partidos menores que são, na realidade, partidos de direita. As combinações políticas do regime deveriam alternar entre essas duas formações políticas. Uma hora governa a social-democracia, com a oposição da centro-direita. Às vezes a social-democracia se alia a outros partidos de esquerda, às vezes com outros de centro-direita.

Quando Haddad fala em centro-esquerda, está dizendo que é preciso um partido, o PT, que seja uma peça de recomposição do regime político abalado pela crise, pelo golpe, a economia, a corrupção etc. E essa peça seria um partido de centro com cara de esquerda, o PT, que governaria com um partido de direita, com cara de centro, que seria o PSDB e o DEM.

Para não deixar dúvidas, em várias oportunidades anteriores Haddad se referiu ao PT como um partido social-democrata. A Social Democracia europeia é uma peça fundamental para levar adiante a política neoliberal. O Partido Socialista português está no governo, sem maioria parlamentar, e para conseguir governar tem que se apoiar em outros partidos de esquerda. O Partido Social-Democrata espanhol, que é um dos partidos europeus que está na linha de frente a favor da intervenção militar na Venezuela é um partido ultra-direitista que, todos sabem, desde a transição democrática da Espanha é manipulado pela CIA. Esses dois partidos estão se liquidando por conta da política que estão levando adiante. O Partido Socialista francês está liquidado. De um modo geral, em toda a Europa, a Social-Democracia está em crise, uma completa falência política. Os partidos socialistas foram aqueles que nos momentos de extrema dificuldade da direita carregaram o caixão da política neoliberal.

Temos que diferenciar entre a direção da Social-Democracia e o movimento que ela dirige. Na base destes partidos há pessoas muito moderadas e outras bastante esquerdistas porque eles são, como o PT, os grandes partidos de esquerda em cada um desses países. Mas a direção destes partidos é extraordinariamente direitista.

Quando Fernando Haddad fala que é de centro-esquerda, que quer um partido de centro-esquerda, social-democrata, está dizendo que quer que o PT seja um partido que dê sustentação ao regime político burguês. E, somos obrigados a concluir, que dê sustentação ao regime político burguês nas atuais condições.

Quando perguntado sobre o como mudar a situação do país com Bolsonaro, ele disse que a resposta está nas instituições políticas do Brasil. Quer dizer, as mesmas instituições políticas que criaram Bolsonaro e colocaram-no no governo vão tirá-lo de lá. É a história que já ouvimos na época do golpe: não vai haver golpe porque as instituições democráticas são sólidas, até que o golpe as arrebentou com a maior facilidade.

A resposta está no povo pobre e trabalhador, a única força capaz de enfrentar a direita e o imperialismo. É preciso construir um partido operário, revolucionário e comunista, capaz de liderar o movimento das massas trabalhadoras nesse sentido.