Críticas ignoram o essencial
Diante de um jogo tecnicamente fraco entre Corinthians e Palmeiras, imprensa burguesa tenta colocar a culpa no futebol brasileiro
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Primeiro jogo da final do Paulistão da pandemia foi muito brigado e pouco jogado | Foto: Cesar Greco/Palmeiras.

O primeiro jogo da final do Campeonato Paulista, disputado pelos arquirrivais Corinthians e Palmeiras, chamou a atenção negativamente. Foi um jogo truncado, com poucos chutes a gol. Uma apresentação muito distante do que os torcedores buscam, em especial por se tratar de um grande clássico do futebol nacional.

Algumas reações mais exageradas apareceram na imprensa burguesa, como a expressada pelo comentarista Mauro Cezar Pereira, que apresenta suas análises nos canais pagos ESPN e no site do UOL. Mauro chegou a formular a frase “O futebol morreu um pouquinho ontem”.

Creditar a apenas um jogo de futebol tamanha culpa é obviamente um exagero. E mais do que isso, a crítica deixa de lado aspectos essenciais do problema, como a falta de torcida nesses jogos durante a pandemia e a pressão de décadas a favor da europeização do futebol brasileiro.

A falta de torcida é recorrentemente ignorada pelos cronistas esportivos dos monopólios da imprensa. O que dá vida ao espetáculo nos jogos de futebol é justamente a paixão expressa pelos torcedores, em especial aqueles organizados em torcidas, com faixas, bandeiras e cantos de apoio e de cobrança, sinalizadores de fumaça, etc.

Falar em morte do futebol deixando de lado a bizarrice que representa a naturalização dos jogos sem torcida demonstra um olhar muito parcial sobre o problema. A frase “futebol sem torcedores não é nada” tem aparecido em manifestações de diversas torcidas mundo afora, em total contradição com os interesses capitalistas que giram em torno do esporte mais popular do planeta.

Outro fator que passa longe das discussões é a propaganda exacerbada que a imprensa nacional faz há décadas da suposta eficiência do futebol europeu. As seleções brasileiras que disputaram as Copas de 1982 e 1986 são lembradas até hoje em todo o mundo como equipes que encantaram os amantes do futebol. A qualidade técnica desses grupos recheados de craques como Zico, Sócrates, Júnior, Éder, Falcão, Toninho Cerezo, entre outros, contrastou com a falta do título máximo do esporte.

A imprensa monopolista aproveitou para impulsionar uma campanha de combate ao futebol arte, que segue firme até hoje, adaptando o discurso a cada nova situação. O craque Neymar, reverenciado pelos melhores jogadores estrangeiros, foi duramente atacado em momentos importantes da seleção brasileira, por driblar demais, cair demais, provocar adversários e por aí vai.

Diversos craques brasileiros ficam de fora da seleção por motivos completamente alheios ao futebol, alguns são taxados de indisciplinados, outros não se adaptam ao grupo, têm algum desafeto com o treinador. As histórias individuais se acumulam e jogadores consagrados nem chegam a disputar uma Copa do Mundo.

Vale relembrar das “feras do Saldanha”, quando o cronista esportivo João Saldanha, o comunista apelidado de João Sem-Medo, criou a base da melhor seleção de todos os tempos, que conquistou o título mundial em 1970. O time comandado por Saldanha deu show nas eliminatórias e devolveu a confiança ao torcedor depois da fraca campanha no mundial anterior. O princípio básico de Saldanha foi rechear o time de craques, matéria-prima abundante no Brasil, e jogar ofensivamente, com dois pontas abertos (posição onde a habilidade dos brasileiros sempre se destacou). Nem o afastamento do técnico, meses antes da Copa, conseguiu apagar sua importância.

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