Direita nacional
Mandatos que tiveram início no dia de ontem estarão a serviço do mesmo setor que organizou o golpe de Estado de 2016
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Eduardo-Paes
Eduardo Paes | Foto: Reprodução

No dia 1º de janeiro, mais de cinco mil prefeitos tomaram posse no Brasil. Eleitos no mês de novembro, esses prefeitos são o resultado de uma enorme fraude da burguesia para garantir que o Estado permanecesse sob o controle da direita nacional. O maior partido de esquerda do País — o PT — não ganhou uma única capital, além de perder dezenas de outros municípios. O segundo maior partido da esquerda em termos eleitorais — o PCdoB — chegou a perder cerca de metade do número de prefeituras sob seu comando.

Apesar de o resultado ter sido um desastre total para a esquerda nacional, seus articuladores e parlamentares saíram comemorando uma suposta “derrota” do bolsonarismo. Não existe, contudo, derrota de um grupo político sem a vitória de outro. E se quem saiu vitorioso não foi a esquerda, quem então teria “derrotado” o bolsonarismo? A própria direita nacional, naturalmente.

Os intelectuais da esquerda pequeno-burguesa, neste sentido, decidiram comemorar uma vitória que não é sua, mas sim de seu inimigo! No Rio de Janeiro, por exemplo, a esquerda chegou a apoiar o direitista Eduardo Paes, do DEM, em nome de um suposto combate ao bolsonarismo. Um dia depois de vencer Marcelo Crivella (Republicanos), Eduardo Paes ligou para o presidente ilegítimo Jair Bolsonaro e afirmou que queria governar em diálogo com o governo federal.

Comemorar a vitória da direita nacional é um suicídio político completo. Em primeiro lugar, a direita nacional é o principal setor do golpe de Estado de 2016. Foram o DEM, o PP, o MDB, o PSDB, muito mais que Bolsonaro ou o PSL, que organizaram o golpe de Estado contra toda a esquerda de conjunto. Dois anos depois, articularam a prisão de Lula. E em 2019, apoiaram abertamente a candidatura de Bolsonaro, como forma de impedir o PT de vencer a eleição. Neste sentido, a direita nacional é o “pai do bolsonarismo”: Bolsonaro apenas foi colocado no poder para levar adiante o programa neoliberal.

Na medida em que a esquerda apoia a direita nacional, está jogando areia nos olhos da população diante de seus choques com o regime político. Os ataques que o povo está recebendo estão todos eles relacionados com o golpe: reforma trabalhista, reforma da Previdência, privatizações, cortes de gastos etc. Tanto é assim que a grande maioria dos projetos do governo Bolsonaro são aprovados pelo parlamento. O candidato da direita nacional à presidência da Câmara dos Deputados, Baleia Rossi (MDB), votou junto com o presidente ilegítimo em 90% das pautas! Até mesmo os ataques aos direitos democráticos fazem parte do programa da direita nacional. Embora seus representantes não costumem fazer discursos tão violentos como os da extrema-direita, sabem que é necessário intensificar a repressão para conseguir impor seus interesses à população.

A direita nacional não derrotou o bolsonarismo porque extrema-direita e direita são ambas expressões dos interesses da classe dominante. No que é fundamental, seus programas coincidem. Além disso, ambos setores estarão dispostos a apoiar um ao outro para combater a esquerda. Bolsonaro se uniu à direita nacional para derrubar Dilma Rousseff, e a direita nacional se uniu a Bolsonaro para derrotar o PT nas eleições de 2018.

Assim sendo, a resposta para o título dessa matéria não pode ser outra: não se deve esperar um recuo do bolsonarismo, mas sim um avanço da política dos golpistas de conjunto. Um avanço na destruição do País, na retirada de direitos, nos ataques às condições de vida etc. Novas “reformas” e privatizações, demissões e muito arrocho.

No primeiro dia de seu mandato, Eduardo Paes já demonstrou como serão os governos da direita nacional. O novo prefeito do Rio de Janeiro publicou 74 decretos, dos quais 44 estão relacionados a seu plano de ajuste fiscal. Em um deles, suspendeu todos os concursos públicos. Paes ainda prevê uma reforma tributária e uma reforma previdenciária na prefeitura.

Diante do avanço dos golpistas no regime, a política da esquerda deve ser a de mobilizar o povo contra os seus inimigos. Isto é: denunciar todos os planos macabros da direita nacional, bem como os setores que se propõem a colaborar com os golpistas, preparar a derrubada do governo Bolsonaro e lutar pela candidatura de Lula.

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