Frente ampla
Com o pretexto de combater a extrema-direita, Flávio Dino quer aliança com “todo mundo”
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FHC e Dino, juntos não só na foto | Arquivo.

Em entrevista para a TV 247, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), reafirmou sua política de frente ampla defendendo a aliança com setores da direita. Segundo ele, as diferenças devem ser “colocadas em segundo plano” contra a extrema-direita.

Algum desavisado poderia achar que tal política se refere a um aliança da esquerda. Na realidade, Dino deixa claro que sua política é a unidade com o chamado “centrão”, ou seja, PSDB, DEM, MDB e outras legendas direitistas. “Se por acaso na aprovação do Fundeb tivesse ficado apenas os que defendem ‘Lula livre’, nós teríamos perdido”, com essa frase, Dino mostra que seria preciso se unificar com os golpistas, inclusive com aqueles que defendem retirar os direitos de Lula e colocar Lula na cadeia.

Não iremos nos ater nas considerações sobre a votação do Fundeb, por si só uma amostra da farsa que é a política de frente ampla. A esquerda parlamentar apresenta como grande vitória uma medida que na realidade é mais um ataque contra o povo. Mas deixemos isso de lado.

A grande questão é: por que setores da direita golpista, que de tão golpistas são a favor da prisão de Lula, seriam contra Bolsonaro? O que Dino apresenta como não sendo um impedimento para uma unidade, é na verdade uma prova de que esses setores estão unificados com Bolsonaro, não contra ele.

A prisão de Lula, os ataques a seus direitos democráticos, os ataques golpistas contra o PT e a esquerda unificam a direita, toda ela. Ou seja, diferente do que diz Flávio Dino, o “centrão” não tem interesse em luta contra Bolsonaro, a não ser de um ponto de vista eleitoral. Nesse sentido, então, a frente ampla é uma tentativa de renovar a imagem da direita golpista tendo em vistas as eleições. Para isso, a direita usa a presença de elementos da esquerda na frente ampla.

Expliquemos um pouco melhor. A burguesia foi obrigada a se unificar e apoiar Bolsonaro em 2018 pela falta de um candidato que emplacasse. Procura, por meio da frente ampla, cavar um candidato para 2022 que seja viável na disputa com Bolsonaro. Ou seja, sua “luta contra Bolsonaro” é eleitoral, a direita com a qual Flávio Dino participa da frente ampla é pelo fica Bolsonaro até 2022 e se não conseguir um candidato melhor irá apoia-lo, como fez em 2018.

Da parte da esquerda que defende a frente ampla, como é o caso de Dino, há a política eleitoral e oportunista. As alianças de Dino com a direita não são novidade. O PSDB e outros partidos da direita fazem parte de seus dois governos no Maranhão. Dino chegou a receber a Aécio Neves no palanque nas eleições de 2014.

Isso mostra que a política de aliança com a direita golpista está longe de ser justificada pela extrema-direita. Esse é apenas um pretexto para uma política eleitoral oportunista.

A frente ampla é uma operação eleitoral da direita, esta, procurando usar a esquerda para reciclar sua imagem. A esquerda que a apoia está apenas acreditando que uma aliança com a direita irá garantir a eleição de alguns candidatos. De fora de tudo isso está Lula, o único que realmente tem apoio popular. O objetivo é justamente isolar o PT e Lula e forçar a esquerda a apoiar um candidato que seja do gosto da direita.

Dino propõe a frente ampla para abri o caminho para a direita e garantir algum privilégio eleitoral – seu 2º mandato como governador termina em 2022 e, sem isso, não tem para onde ir a não ser que se eleja como parlamentar com o apoio da direita. O povo, por sua vez, não ganha nada, apenas um novo governo de direita – único resultado possível da operação em marcha para colocar a esquerda a reboque de FHC e tantos outros. Em suma, a frente ampla visa à manutenção do golpe de Estado e de sua política de devastação dos direitos do povo.

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