Como derrotar o golpe
Militares atropelam a lei. Vetam a posse de Jango, o legítimo sucessor constitucional de Jânio que renunciara. Brizola organiza a resistência. Mobiliza o povo. Derrota o golpe
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Povo em armas nas ruas atendendo o chamado do governador Brizola derrotou o golpe em 1961 | Foto Reprodução Partido Democrático Trabalhista

Era Agosto de 1961.

Sete meses após a posse, o presidente direitista Jânio Quadros renuncia à presidência da República do Brasil. Jango, o vice-presidente constitucional, de forma natural, legalmente eleito na eleição de 1960, deveria tomar posse em substituição ao presidente que renunciara.

Só que não.

João Goulart, popularmente conhecido como Jango, foi vetado pelos militares das três armas, a assumir o posto que a Constituição lhe conferia, e que obteve com a chancela popular nas eleições pelo povo brasileiro.

Diferentemente de hoje, em que, se vota apenas para o presidente, e automaticamente o vice da própria chapa ou coligação elege-se também, à época, era de outra forma a votação para o vice-presidente. O presidente e o vice, ambos eram votados em cédulas próprias e separadas. Tanto que, o candidato a presidente do PTB não era Jânio, era o Marechal Lott.

Militares golpistas, aproveitando-se que o vice-presidente João Goulart encontrava-se fora do país, em missão oficial na República Popular da China, deflagraram a marcha para o golpe de Estado. O exército, a Marinha, a Aeronáutica, todos em uníssono, fizeram publicar manifesto, nos principais jornais da burguesia sempre golpista, pelo veto à posse do vice-presidente constitucional do Brasil.

Pelo golpe também estavam os governadores todos do Brasil, menos dois. Um deles era Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul.

A renúncia do presidente Jânio Quadros

Apenas sete meses de governo, o presidente Jânio Quadros renuncia. A renúncia ocorreu no dia 25 de agosto de 1961.

Alguns dias antes, Brizola havia se encontrado com Chê Guevara em Punta Del Este, no Uruguai, na Conferência Interamericana da Aliança para o Progresso. Voltando de Punta Del Este, Chê, guerrilheiro revolucionário Cubano, passa por Brasília onde é condecorado pelo presidente.

O encontro de Brizola com Chê Guevara e a campanha da legalidade são narrados pelo filme Brizola, Tempos de Luta, dirigido por Tabajara Ruas, que pode ser assistido aqui, a partir de 29:57. https://vimeo.com/58124703.

Campanha da Legalidade

Brizola, jovem governador no esplendor de seus 39 anos de idade, deflagra a Campanha da Legalidade. A legalidade era a posse do vice-presidente legalmente eleito, João Goulart, o Jango.

Brizola organiza a resistência no Rio Grande do Sul com os primeiros manifestos transmitidos pelas rádios (cadeia de rádios pela legalidade).

Preparação para a Guerra Civil

Brizola em seus manifestos, de forma moderada, mas firme, defende a legalidade, a posse do vice-presidente legalmente eleito. Militares passam a fechar as rádios que não se submetiam à censura determinada pelos golpistas, inclusive aprendendo os cristais, sem os quais rádios não conseguiam nada transmitir. Última rádio ainda não fechada, Brizola a requisitou, e nos porões do Palácio Piratini instalou seus equipamentos todos, inclusive para preservar de possíveis danos por bombardeio que os militares determinavam que fossem feitos por sobre a sede do governo do Rio Grande, para fazer calar a voz rebelde daquele ousado e determinado guerreiro, solitário, resistia ao golpe.

De Brasília, veio a ordem para bombardear o palácio Piratini. Ordem para destituir o governo Leonel Brizola. Ordem foi dada para que o comando da base aérea de Canoas na Grande Porto Alegre, iniciasse o bombardeio do Palácio de governo, a muralha de resistência ao golpe.

Antes no entanto, Brizola preparava-se para a guerra civil. Por sua determinação, a Brigada Militar do estado foi postada para defender o Palácio. O povo do Rio Grande foi mobilizado. Multidão acorreu à praça central frente ao Palácio Piratini. Barricadas foram providenciadas para barrar os tanques militares. Metralhadoras foram assentadas nas torres da catedral e no terraço do palácio Piratini para rechaço de possíveis bombardeios. Povo é armado com armas sobrantes da Brigada Militar.

Deserções da trincheira golpista começam a acontecer. Sargentos da Base aérea de Canoas esvaziam os pneus das aeronaves que não conseguem decolar. General Machado Lopes, comandante do 3o. Exército muda de lado, dirige-se ao palácio Piratini e coloca o comando da tropa às mãos legalistas do governador Brizola.

Mobilização popular vence. Estava derrotado o golpe.

Revolução traída

Na calada da noite, o Congresso Nacional, na iminência de ver o golpe não prosperar, sabota a mobilização revolucionária. Às pressas, retira os poderes do presidente, e implanta um improvisado Parlamentarismo. Jango, o vice-presidente capitula de forma vergonhosa. Aceita o cargo de presidente esvaziado de poder.

Lições que a presidenta Dilma não colocou em prática

Dilma, de formação Brizolista, guerrilheira, a lição de 1961, não a colocou em prática.

Em 2016, o país precisava da Dilma “Brizolista”, ou seja, que fizesse como o então governador do Rio Grande fez em  1961. Encampar a TV Globo, por exemplo. Providência que Brizola em 1961, requisitou a rádio Guaíba. À época, eram as transmissões por rádios que alcançava todos os rincões.

Poderia Dilma, tal qual fez Brizola em 1961, com o encampe legal da TV Globo, formar uma nova “cadeia da legalidade”. Armar e mobilizar o povo, e derrotar o golpe.

O golpe de 2016 cobra o preço das lições da Campanha da Legalidade, liderados por Brizola, não colocadas em prática por Dilma.

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