EUA
Enquanto povo negro vai sendo assassinado pelo novo coronavírus, a ala direita do Partido Democrata faz demagogia.
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Democratas Barack Obama e Joe Biden. Foto: Getty Images |

Na última semana, dois dos principais representantes da ala direita do Partido Democrata dos Estados Unidos, o ex-presidente Barack Obama e o ex-vice presidente Joe Biden, vieram a público para se posicionar em relação ao número assustador de negros atingidos pela pandemia do novo coronavírus. Na cidade de Chicago, por exemplo, em que apenas 30% da população é negra, cerca de 70% das vítimas letais do coronavírus eram negras. No estado inteiro da Louisiana, a situação é bem semelhante: enquanto 32% da população é negra, os negros correspondem a 70% das estatísticas de mortos pela pandemia.

Os dados escancaram o racismo da sociedade norte-americana — que é o racismo da sociedade capitalista de uma maneira geral —, e é justamente por isso que vários setores da política se mostraram solidários ao povo negro. A demagogia com os negros, imigrantes, mulheres e outros setores oprimidos pelos capitalistas foi o que permitiu, inclusive, que Obama chegasse ao poder em 2008 e que Hilary Clinton desbancasse o então pré-candidato Bernie Sanders em 2012.

Por meio de seu perfil no Twitter, Obama publicou, no dia 13 de abril, a seguinte mensagem:

Não podemos negar que fatores raciais e socioeconômicos estão desempenhando um papel em quem está sendo o mais atingido pelo vírus. É um lembrete para nossos políticos mantenham nossas comunidades mais vulneráveis ​​em primeiro plano ao tomar as decisões.

Já Joe Biden, que é o atual candidato do Partido Democrata para concorrer às eleições presidenciais do fim deste ano, declarou, segundo matéria publicada pelo jornal norte-americano The New York Times no dia 9 de abril:

Não causa surpresa que o coronavírus está ampliando o racismo estrutural que foi construído profundamente no nosso cotidiano, nas nossas instituições, nas nossas leis e em nossas comunidades.

Ambas as falas, portanto, vão no mesmo sentido: condenar publicamente o fato inegável de que os negros são perseguidos pela sociedade capitalista. No entanto, muito mais importante que fazer discurso contra o racismo é ter uma política que permita colocar um ponto final na exploração de negros por brancos. E essa luta, por sua vez, só é possível por meio da mobilização do povo negro para lutar, junto com a classe trabalhadora, pela derrubada do capitalismo.

O que chama a atenção, no entanto, é que os dois são representantes legítimos do imperialismo — isto é, representantes do principal motor da desigualdade social. O programa de Biden e de Obama — e o programa que o Partido Democrata vem desenvolvendo durante os últimos anos — é um programa de total colaboração com os capitalistas, um programa que visa destruir os países colonizados pelo imperialismo norte-americano e de total expropriação da população em favor dos bancos. Nesse sentido, não há como a situação dos negros melhorar, mas sim serem jogados a uma situação de miséria ainda maior e, portanto, de maior vulnerabilidade à devastação do coronavírus.

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