Deboche capitalista
No dia em que sua fala foi noticiada, o Brasil registrava 115.953 casos e 7.958 mortes por Covid-19. A maioria desses números não incluem a pequena parte rica da sociedade.
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O presidente da XP, Guilherme Benchimol. Foto: reprodução. |

Na última terça-feira, 5 de maio, o presidente e fundador da XP, Guilherme Benchimol, fez uma declaração na qual afirmava que “o Brasil está bem” em relação aos números da Covid-19 e que “o pico da doença passou quando a gente analisa a classe média, classe média alta”. Não bastasse isso, afirmou também que “O desafio é que o Brasil é um país com muita comunidade, muita favela, o que acaba dificultando o processo todo”, ou seja, o problema é dos pobres. Essa fala poderia ser vista como insignificante, se não fosse extremamente trágica.

De fato, a análise dele poder ser vista como “correta”, e é aí que está o problema. No dia em que sua fala foi noticiada pelo jornal Folha de S. Paulo, o Brasil registrava 115.953 casos e 7.958 mortes pelo novo coronavírus. A maioria desses números, porém, não incluem a pequena porção rica da sociedade a qual Benchimol faz parte, afinal, o isolamento social funciona realmente para estes que possuem condições materiais para ficar em casa, o que já faziam antes, e, se forem infectados, podem arcar com as despesas dos hospitais privados, maioria no país.

O fato é que os números continuam crescendo exponencialmente, alcançando recorde de mais de 600 mortes em 24h horas. Mas os empresários, representados pelo presidente fatídico Jair Bolsonaro, não dão a mínima para isto. Pelo contrário, querem obrigar os trabalhadores e trabalhadoras a continuarem produzindo sua riqueza acumulada que permite que os capitalistas continuem em suas casas, protegidos da Covid-19. A classes trabalhadora vê suas vidas e de seus próximos em risco.

As enormes filas nas lotéricas para o saque da esmola emergencial do governo, o problema com a subnotificação de casos e mortes por coronavírus, a falta de medicamentos em hospitais públicos, a crise na rede pública de saúde de alguns Estados e Municípios, a demora nos resultados dos testes e as ações e ameaças catastróficas do presidente revelam um caminho para uma enorme hecatombe social, se nada for feito.

Mais do que nunca, fica claro que a população mais pobre é quem sofre com a pandemia, tendo suas famílias destruídas pelas mortes que não param de crescer. A fala do presidente da XP nos mostra uma realidade cruel que precisa ser transformada: a realidade do capital. A crise do novo coronavírus revela a tragédia que é o capitalismo.

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