O problema do Imperialismo do Brasil a Síria

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Neste vídeo, o companheiro Rui Costa Pimenta explica o imperialismo. Para isso ele destacou as interpretações incorretas dadas por partidos de esquerda do Brasil e aproveitou o exemplo do último ataque sofrido pela Síria para demonstrar de forma prática como ele age e fazer um paralelo em relação ao golpe no Brasil, enfatizando tratar-se também de uma manobra de dominação do imperialismo, muito embora sob outro formato.

“Bom, companheiros, vamos começar pelo último acontecimento de importância mundial que foi o ataque ontem dos três principais países imperialistas, EUA, Inglaterra e França contra a Síria.

Nós fizemos ontem um programa analisando mais em detalhes a importância e os porquês desse acontecimento, que discute um problema que diz mais respeito justamente às questões nacionais brasileiras, e que é o problema do imperialismo.

Esse problema do imperialismo ele tem sido muito mal compreendido, inclusive em relação ao golpe de Estado no Brasil. Uma boa parte das pessoas que se opõe ao golpe de Estado, a imprensa que se opõe ao golpe de Estado na internet, por exemplo, procura apresentar o golpe como sendo uma maquinação política uma intriga de setores da política nacional contra o PT, inclusive foi essa consideração um dos aspectos que levou o PT a ficar indefeso diante do golpe. Porque, o próprio PT, considerou que tudo era, desde o começo, um resultado de uma política tipo paroquial:  o partido tal; o outro partido…; fulano não ganhou eleição então tentou recuperar através de uma manobra no congresso nacional; chegaram até a aventar que o impeachment tinha sido colocado em pauta por motivos pessoais pelo Eduardo Cunha, que é uma avaliação totalmente ridícula de toda a situação; e assim por diante; deixando de lado o jogo político de grande envergadura que existe em escala internacional. Isso se deve em grande medida a uma incompreensão do que é o imperialismo.

Muita gente fala no imperialismo, principalmente a esquerda que se diz socialista e revolucionária, mas no final das contas a gente percebe que é uma palavra cujo conteúdo é muito obscura para toda essa esquerda. Ontem tivemos uma demonstração, uma espécie de aula do que é o imperialismo. O imperialismo, três países aí que se consideram donos do mundo, as três potências militares mais importantes do capitalismo, eles decidiram atacar um país, bombardear a capital de um país independente, com base em um acontecimento totalmente forjado, um pretexto, foram lá e atacaram o país sem mais nem menos. Para a gente entender bem essa situação, era como se eles tivessem decidido vir aqui para as costas brasileiras com porta-aviões e outras máquinas de guerra, e bombardeassem a cidade de São Paulo ou o Rio de Janeiro.

Vocês imaginem uma coisa dessas?!

Simplesmente porque aí eles discutiram que no Brasil, sei lá, a polícia militar mata muita gente na periferia, e eles querem dar uma lição na pessoa de democracia, de humanidade e ect e tal. Lógico que o pretexto é totalmente falso! Não vou nem entrar no mérito aqui, porque, praticamente ninguém no mundo inteiro conseguiu acreditar nesta história, que já está muito surrada e muito envelhecida. Mas aí vocês veem claramente o que é o imperialismo. O imperialismo é a dominação do mundo por um grupo de países. Não gostei do que você fez, vou lá e te bombardeio.

No caso da Síria, logicamente que os países imperialistas centrais, eles estão muito insatisfeitos com a derrota que eles sofreram, e eles estão buscando uma reversão desta situação. Provavelmente reestabelecer a guerra na Síria, talvez não através deles mesmos, mas talvez através dos próprios países do oriente médio como a Arábia Saudita, ou outros, para reverter um jogo onde eles perderam. Isso aí com um custo enorme para a própria Síria, como nós vimos nos últimos sete anos, é uma guerra levante a diante pelo imperialismo, a chamada guerra por procuração, o imperialismo montou, ou aliciou, ou comprou diretamente um conjunto de facções armadas para combater o governo sírio. Então nós tivemos aí uma demonstração explícita do que é o imperialismo. Eles decidem atacar um país e eles vão lá e atacam esse país. Eles têm uma enorme superioridade econômica por todos os países do mundo, essa superioridade econômica leva a uma superioridade militar e eles fazem o que querem.

Muita gente destacou que a defesa síria derrubou uma boa parte dos mísseis que foram lançados, e vocês imaginem que neste ataque de advertência eles despejaram 103 mísseis de alta capacidade destrutiva sobre a capital síria. Muita gente destacou que a Síria derrubou 71 desses 103 mísseis, o que não deixa de ser um recorde interessante, e é devido à organização militar da Síria pelos russos, mas a gente vê que o ataque foi impune. É como se um bando armado decidisse entrar em um bairro de São Paulo onde tem trabalhadores, matar um monte de gente, sair e falar: Oh, vocês tomem cuidado, porque nós não gostamos disso, não queremos aquilo, e não vamos permitir aquele outro. Isso é o imperialismo! As pessoas ficam discutindo, discutindo, discutindo, mas não conseguem entender abertamente.

Qual é a importância desse problema para nós?

A importância é que a mesma coisa sobre uma outra forma está acontecendo no Brasil. Ao invés dos norte-americanos, inglêses, francêses e etc, mandarem uma frota, ou contratarem mercenários para lutarem no Brasil contra o governo brasileiro, eles contrataram mercenários no Congresso Nacional, no judiciário, na polícia, e derrubaram o governo brasileiro. Como o povo brasileiro não estava, e não está até agora, organizado para resistir efetivamente a este tipo de estupro político, eles se deram bem. Então porque então forçar a barra,  porque ir mais longe e fazer que nem na Síria. Na Síria, eles foram derrotados militarmente, o governo não cedeu às pressões não militares que o imperialismo fez anteriormente.

Então é muito importante a gente vê as conexões entre os acontecimentos”

Como se pode perceber pela forma clara e objetiva desta exposição, o Imperialismo não deixa dúvida quanto a sua condição de grupo dominante e militarmente superior pelas suas condições econômicas, impondo uma obrigação aos países independentes de submissão sob pena de ter que sofrer consequências severas, como um ataque bélico que se deu na Síria, ou outra manobra de ataque com os mesmo objetivos mas sobre outras formas, como o golpe de Estado no Brasil.