Aliança pelo Brasil
Uma vez que aumenta o repúdio ao golpe de Estado e aos ataques da direita, a burguesia busca uma alternativa mais repressiva para conter o movimento operário e popular.
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Alinaça pelo Brasil. Foto: Reprodução |

Recém criada por Bolsonaro, a Aliança Pelo Brasil é o princípio de um partido fascista. Diante das diversas crises com sua antiga legenda, o Partido Social Liberal, que agrupava no momento os setores mais direitistas do regime político brasileiro, Bolsonaro optou pela criação de um novo partido, mais puro-sangue.

Diversas personalidades da extrema-direita já parabenizaram Bolsonaro pelo novo partido. O dirigente fascista italiano, Matteo Salvini, disse:“De mim e da Liga [partido fascista da Itália], congratulações e afetuosos desejos de muitos novos sucessos ao presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, por sua nova aventura com o Aliança pelo Brasil. Um abraço.”

O apoio de Salvini já é esclarecedor em si. A Aliança pelo Brasil foi feita à imagem e semelhança de Bolsonaro e os fascistas brasileiros. A extrema-direita, antes agrupada em diversas legendas, como o PSL, o PSC de Witzel, o PP e assim por diante, agora tem um partido para chamar de seu.

No programa do partido contém as bases da ideologia fascista, como “respeito a Deus e à religião”; “defesa da vida, da legítima defesa, da família e da infância”; além de coisas contra os direitos das mulheres (contra o aborto) e das comunidades LGBT, e assim por diante. Um partido criado por um setor dissidente da burguesia que decidiu partir para uma ofensiva maior contra os oprimidos e o movimento operário.

O ataque ao socialismo aparece através da defesa do “liberalismo econômico” (neoliberalismo) contra a “economia planificada” defendida pelos comunistas. Afirma que “repudia o socialismo e o comunismo” e prega a eliminação de “controles e interferências estatais sobre a economia, através de mecanismos burocráticos, tributários ou regulatórios.” 

Além disso, ataca profundamente o conceito de Estado Laico. “A relação entre esta nação e Cristo é intrínseca, fundante e inseparável” e “jamais a laicidade do Estado significou ateísmo obrigatório”, afirma o programa, que segundo ele mesmo se baseia “nos princípios das tradições lusitanas e hispânicas, do Direito Romano, da filosofia grega, da moral judaico-cristã.” O aborto aparece como “a destruição de todo o edifício moral e jurídico sustentador do Estado”.

Com isso, fica expressa a polarização política. Uma vez que aumenta o repúdio ao golpe de Estado e aos ataques da direita, a burguesia busca uma alternativa mais repressiva para conter o movimento operário e popular. Bolsonaro criou o princípio de um partido fascista.

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