Eleições municipais
Grande vitorioso da eleição foi o “centrão”, que foi incapaz de ir para o segundo turno nas eleições presidenciais de 2018
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Michel Temer | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Com todo tipo de censura na internet, proibição de campanha de rua, manipulações grotescas da imprensa capitalista e perseguições do Judiciário golpista, era mais do que esperado que as eleições de 2020 seriam uma manipulação e fraude absolutas. Se, junto a isso, for acrescentado que partidos de esquerda, como o PCO, não tiveram direito a um único segundo na televisão, e, em alguns, casos, sequer tiveram o direito a saber quantos votos obtiveram, chega-se facilmente à conclusão que não são eleições sérias. Neste cenário, o resultado não poderia deixar de ser uma verdadeira aberração: os grandes vencedores foram os partidos tradicionais da burguesia — isto é, o chamado “centrão”.

“O pe-fe-lê voltou”

Presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia. Foto: REUTERS/Adriano Machado

Em evento do Democratas após o golpe de 2016, uma ala do partido, ao declarar seu apoio a Rodrigo Maia, cantou em coro “ô, o pe-fe-lê voltou”. O “pe-fe-lê” em questão é o PFL, antigo nome do DEM e que concentrava os principais elementos do partido oficial da ditadura militar, a ARENA. Com toda a sua infraestrutura montada durante o período mais sangrento da história recente do País, o PFL já teve o controle de milhares de cidades brasileiras, mesmo após a queda do regime. Após um desgaste que já vinha desde a ditadura militar, passando pelo período em que serviu como grande apoiador da política neoliberal implementada pelo PSDB, o DEM, “milagrosamente”, poderá conquistar o seu número recorde de prefeituras em capitais. A depender do segundo turno, caso vença em Macapá e no Rio de Janeiro,  alcançará essa façanha.

Contando as prefeituras de todas as capitais, incluindo capitais, o DEM cresceu 72%, indo de 265 para 465.

Satélites do DEM e substitutos do MDB

PSD. Foto: Reprodução

Com todo o combate que a burguesia deu ao MDB durante os últimos anos, de modo a atacar o governo do PT e a indústria nacional, seria muito difícil que o partido tivesse um crescimento nas eleições de 2020. Mesmo assim, sua queda não foi tão expressiva: 25%. Ao mesmo tempo, partidos que cumprem o mesmo papel, de reunir as oligarquias e servir de sustentação para a política neoliberal, cresceram, como é o caso do PSD e do PP. Junto a eles, cresceram também partidos que costumam estar na órbita do PSDB-DEM: PSL, Avante, Solidariedade, PSC, Patriota e Republicanos (ex-PRB).

A derrota da esquerda

João Alfredo, latifundiário do PSOL. Foto: Reprodução

Ao mesmo tempo que os partidos do chamado “centrão” tiveram uma importante recuperação em 2020, a esquerda voltou a perder espaço, o que vem acontecendo a cada eleição após o golpe de 2016. O PT, maior partido da esquerda, conquistou apenas 179 prefeituras. Isto é, 75 a menos que as conquistadas em primeiro turno em 2016. Em 2012, o PT havia eleito 630 prefeitos. O PCdoB, por sua vez, elegeu apenas 46 prefeitos, o que representa uma queda de 55% do número de eleitos em 2016. O PSOL teria sido o único partido de esquerda que cresceu. Mesmo assim, ganhou apenas 4 prefeituras, e todas elas com candidatos bastante direitistas, incluindo um latifundiário.

Os vencedores sem voto

Feito esse rápido balanço, chega-se à conclusão, portanto, que os grandes vencedores das eleições de 2020 foram os mesmos partidos políticos e coligações que formaram o governo de Michel Temer. Isto é, dos partidos tradicionais da burguesia, dedicados à aplicação da política neoliberal ao extremo, à repressão contra o povo, a todo tipo de fisiologismo no Congresso Nacional e, o que é mais importante, que deram o golpe de 2016.

Essa tese, no entanto, não teria qualquer respaldo na realidade. Temer deixou a presidência com uma rejeição altíssima. Seu candidato em 2018 teve pouquíssimos votos, mesmo contando com seu apoio. Seu governo foi alvo de centenas e centenas de protestos, que levaram a todo o País a palavra de ordem de “Fora Temer”. Seu governo entrou em uma crise tão profunda que esteve por um triz de ser derrubado pela mobilização dos caminhoneiros em 2018.

Por que, da noite para o dia, o povo teria voltado a simpatizar com Temer e com seus apoiadores? Por que, de repente, os trabalhadores, que vêm se chocando cada vez mais com a política da direita, decidiram votar “contra a polarização”? O fato é que os trabalhadores não decidiram lutar contra a polarização: é a burguesia, utilizando todos os seus recursos de manipulação, que procura reestabelecer um regime político em que seus partidos de confiança tenham controle.

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