Uma política reacionária
Músico faz malabarismo político para garantir a vitória da direita golpista, objetivo final da frente-ampla
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Caetano-Veloso
Caetano Veloso, um dos principais articulistas da frente ampla | Foto: Aline Fonseca

As eleições fraudulentas de 2020 estão servindo como o ensaio geral da política de frente ampla, cujo, objetivo é isolar o Partido dos Trabalhadores, em particular a ala lulista, ligada ao movimento operário e popular, ao mesmo tempo em que reabilita a direita golpista tradicional, utilizando o bolsonarismo como espantalho.

Caetano Veloso, como político, tem cumprido importante papel nessa articulação que visa substituir o bolsonarismo pela direita tradicional e golpista em nome do realismo político e despolarização.

O músico está na articulação de um manifesto em favor da candidatura da ex-chefe de polícia,  Martha Rocha, do PDT, à prefeitura do Rio de Janeiro. O “Juntos com Martha Rocha e Anderson Quack, para livrar o Rio de Crivella!” já foi assinado por uma centena de personalidades, desde artista como o próprio Veloso, Patrícia Pillar a intelectuais e profissionais liberais.

No manifesto apela-se para, suposto realismo político, para justificar a frente-ampla, segundo o mesmo:

“Entre nós, há eleitores que gostariam de poder votar em outras candidaturas legítimas do campo democrático, como Benedita da Silva, Renata Souza e Bandeira de Mello. Há também entre nós simpatizantes destes e de outros partidos. No entanto, é hora de termos grandeza e sabedoria, e não de alimentar disputas ou rivalidades partidárias entre nós. Não podemos repetir os erros do passado, que tanto nos fizeram sofrer. É hora de fazer, através do nosso voto, a unidade progressista que os partidos por si só não conseguiram fazer”.

Ainda segundo o mesmo documento,

“… ela é a única candidata do nosso campo que tem condições de chegar ao segundo turno tirando Crivella, como mostra a mais recente pesquisa Datafolha”.

A última pesquisa IBOPE aponta Eduardo Paes (DEM) com 33% das intenções de voto, enquanto Crivella (Republicanos) aparece com 15%, Martha Rocha (PDT) com 14% e Benedita da Silva (PT) com 9%.

Crivella aparece como o espantalho do bolsonarismo, justificando a unificação deste campo que inclui golpistas e anti-golpistas, tendo a esquerda, em particular o PT, maior partido do país, de abandonar suas candidaturas para apoiar o suposto centro político, que é na verdade uma direita.

Contudo, a manobra é mais sinuosa, diferentemente do título do manifesto, trata-se mais de levar o DEM a governo, do que tirar Crivella. Eis a essência da frente ampla, usar a base da esquerda e o bolsonarismo como espantalho para levar de volta ao poder a direita golpista tradicional que se desmoralizou completamente durante o processo do golpe de Estado.

A operação ainda tem um outro sentido, apresentar ao povo uma alternativa de “esquerda” ao Partido dos Trabalhadores, alternativa essa que está sendo cuidadosamente preparada pela burguesia golpista: o PDT, no Rio de Janeiro, e o PSOL de Boulos, em São Paulo. É a conformação da frente-ampla, cujo sentido é isolar e inviabilizar a liderança do PT na esquerda, para que a rejeição do bolsonarismo, que tende a ser muito grande, não seja canalizado quase que totalmente por este partido, mas diluído para que a burguesia golpista tradicional possa se apresentar também como anti-bolsonaro e, no momento apropriado, chantagear, com a ajuda da esquerda da frente-ampla, a população a votar neles como meio de impedir Bolsonaro, esse é o único meio para que a burguesia golpista se reabilite, quer dizer, fazer com que a polarização seja artificialmente canalizada para seu candidato.

Caetano Veloso é não somente um avalista desta política, como uma peça de propaganda importante, pelo prestígio que tem. Sua atuação política nesse momento se resume à defesa da articulação desta política da direita golpista tradicional.

Mesmo sua suposta crítica ao liberalismo, que tanta polêmica causou se liga à política de frente ampla, e não a uma adesão ao filo-estalinismo como pensaram alguns, muito menos uma adesão ao marxismo. Quando o compositor foi a um programa da Rede Globo elogiar o epígono filo-estalinista e reformista, Domenico Losurdo, e para promover o discípulo brasileiro do epígono italiano, Jones Manoel, foi tão somente para promover mais uma voz contra, desta vez pela esquerda, o lulismo e ao PT, o partido que, em especial por conta do líder deste partido, o ex-presidente Lula, que tem a maior influência no movimento operário e popular nacional.

Veloso foi e é uma das vozes que operacionalizam esta unidade da esquerda pequeno-burguesa contra o lulismo e o PT, que é principalmente, saiba a esquerda ou não, uma frente contra o movimento operário e popular para defender a burguesia golpista tradicional.

Uma incompreensão é clara no oportunismo da esquerda, creem que ao fazerem parte da frente-ampla com a burguesia, serão também agraciados com o apoio mútuo, não é contudo real. A frente-ampla não visa colocar a esquerda no poder ou levar uma ala marginal da burguesia ao poder, mas colocar de volta no poder os principais partidos da burguesia golpista, é o caso do Rio de Janeiro mostra bem, a frente não é para levar Martha Rocha ao poder, mas garantir a vitória de Paes, esse trabalho tem se ocupado Caetano Veloso.

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