Entrevista com Marília Garcia
A candidata do PCO à prefeitura de Belo Horizonte tem apenas 25 anos de idade e é estudante de letras. Nessa entrevista, ela nos conta sobre sua entrada no partido e sua campanha
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Marília Garcia em sua intervenção na 30ª Conferência Nacional do PCO | Foto: Reprodução

Marília Garcia é a candidata do Partido da Causa Operária para a prefeitura de Belo Horizonte. Ela tem 25 anos de idade e é estudante de letras, além de trabalhar como designer em uma loja. Além de atuar no PCO de Minas Gerais, ela também é do coletivo de jovens do partido, a Aliança da Juventude Revolucionária (AJR).

Sua militância começou no período em que o Partido lutava contra a prisão de Lula. Ela participou de diversas mobilizações contra a sua prisão, isso sem falar nos atos pelo Fora Bolsonaro e na organização de muitas outras atividades do partido, como os mutirões e os conselhos populares. Essa é a segunda eleição de que ela participa, tendo sido candidata a deputada federal em 2018.

Qual a sua profissão/formação?

Eu administro e trabalho como designer em uma loja e sou estudante de letras.

Quando você começou a sua militância no PCO?

Eu comecei em 2018. 

E como que você conheceu o partido?

Eu conheci o partido num ato contra a prisão do Lula em Porto Alegre, e de lá fomos direto para a Universidade de Férias do PCO, que ocorreu em São Paulo, e tinha como tema a crise histórica do capitalismo. Eu achei muito interessante a organização partidária e a efetividade do partido. Ao mesmo tempo em que era um partido que fazia as coisas, também tinha uma consideração muito clara sobre a situação política. Essas coisas me atraíram muito.

Como que está o trabalho do partido em Belo Horizonte e quais são as atividades de campanha planejadas para Belo Horizonte?

A gente tem uma organização em Belo Horizonte com uma série de militantes, tanto na cidade como na Grande BH, inclusive, estamos tirando candidatos em outros locais também. Nós fazemos mutirões na Serra, já que temos militantes que moram lá e, além disso,temos nosso tradicional mutirão todo domingo na Feira Hippie, que deu uma parada por conta da pandemia, mas ainda assim é realizado. 

Temos também um Comitê de Luta Contra o Golpe de BH, no qual a gente organiza as pessoas para lutarem na cidade mineira. Inclusive, convidamos todos os companheiros a participarem dessas organizações.

Com relação à campanha, o que já temos planejado são campanhas de ligações telefônicas, junto a uma campanha de filiação do partido nesse período de eleições. Nós vamos agrupar o maior número de pessoas, considerando que a campanha eleitoral é uma campanha também pelo “Fora Bolsonaro” e pela unidade da esquerda em torno da candidatura do Lula. Também devemos realizar uma série de debates e panfletagens. 

Diante da situação política do país, existe alguma expectativa de que vocề possa ganhar as eleições?

Não existe essa expectativa. O nosso partido é conhecido por encarar a realidade e por considerar a situação política de maneira concreta, como deve fazer um partido marxista.

Já em situações relativamente normais, as eleições são um jogo de cartas marcadas, um mecanismo supostamente “democrático”, que, na verdade, é profundamente controlado pela burguesia. E nessa situação do golpe de estado, a gente vê uma desagregação muito rápida do regime, que se mostra na própria manipulação política das eleições. Isso tem se manifestado com candidatos da própria direita. No Rio de Janeiro, a briga interna dentro da burguesia ocasionou na perseguição ao Crivella e em outros lugares, a outros candidatos do Bolsonaro e de outros setores da burguesia, que estão se digladiando pelo poder. Se a própria direita está brigando dessa forma, imagina só como está para a esquerda. O exemplo básico disso é a própria perseguição ao ex-presidente Lula, que foi impedido de participar das Eleições de 2018, configurando essas últimas eleições como uma fraude.

Se você não acredita que vai ganhar, então por que participar das eleições?

Não é porque não vamos ganhar as eleições que não ganhamos fazendo campanha. O nosso ganho nas eleições é tirar candidatos no maior número de cidades possível, coisa que estamos fazendo, temos um número recorde de candidaturas, quase o mesmo número de candidaturas em capitais que o próprio PT, o que mostra o crescimento do nosso partido e da política combativa da esquerda. Isso por si só mostra que a participação nas eleições é uma forma de a gente fazer campanha e aparecer como um partido do tamanho que a gente é. Quer dizer, um partido grande que se coloca como uma alternativa política a todo esse regime golpista. Dessa forma, a gente visa crescer nas cidades, aumentar nossa campanha política, nossa visibilidade e ainda promover um processo de mobilização em torno dos eixos da nossa campanha, que são os eixos nacionais do nosso partido, que no caso são o “Fora Bolsonaro” e a unidade da esquerda em torno da candidatura do Lula em 2022.

 

Por que vc acredita ser relevante levantar o “Fora Bolsonaro” e “Lula candidato” no contexto das eleições municipais?

Eu acho que essas questões são essenciais exatamente porque a gente precisa situar as eleições municipais e o próprio município no estado e no país no qual a gente vive. Isso é essencial pra gente expôr a realidade para a população. O nosso partido não está aqui para prometer arrumar as ruas ou qualquer coisa do tipo, que não vai fazer diferença nenhuma para uma população que está sob um golpe de estado com o maior índice de desemprego da história. 

Na verdade, a gente precisa botar uma alternativa de luta para a população que seja uma solução para todos os problemas. Não adianta a gente fazer uma tentativa de disputa administrativa ou qualquer coisa do tipo. A gente precisa barrar e derrubar o golpe de estado, que é a origem de todos os problemas, seja em âmbito nacional ou em âmbito municipal, que é uma espécie de “microclima” do âmbito nacional. Então, é preciso colocar essa pauta unificada do Partido que é a luta pelo “fora Bolsonaro” e pela unidade da esquerda em torno da candidatura do Lula em 2022. 

Lembrando também que nosso partido possui candidaturas partidárias, ao invés das candidaturas pessoais, ou seja, elas levam uma pauta política que são unificadas exatamente para que, mesmo em uma eleição municipal ou muito parcial como essas que estamos passando, possamos apresentar uma pauta tem um caráter nacional.

Você é a candidata mais jovem à prefeitura de Belo Horizonte, por que você acredita que seja importante o envolvimento da juventude nas eleições?

Eu acho que é fundamental salientar a presença das candidaturas da juventude do partido em todas as capitais nas quais estamos presentes porque isso mostra o nosso partido como um partido diferente dos outros que, apesar de fazer uma série de demagogias com as mulheres, os jovens e tudo mais, a gente vê que eles não dão espaço para que esses setores tenham poder de decisão e ocupem os espaços fundamentais caso essa demagogia fosse um discurso verdadeiro. 

O nosso partido de fato dá espaço para as mulheres, pros jovens e pros negros. Inclusive, essa questão vai além das eleições. Nós possuímos, na direção partidária, uma maioria de setores jovens que guiam trabalhos fundamentais do partido, o que mostra que as nossas candidaturas jovens – eu mesma inclusa – são plenamente preparadas para guiar um trabalho político dessa monta porque somos responsáveis por dirigir um trabalho constante na militância do próprio partido, um partido reconhecido pela sua atuação muito efetiva e eficaz. Então vamos entender a consequência política de dar espaço para os setores mais dinâmicos da política que são os jovens. 

Nesse sentido, nós defendemos as pautas da juventude. Por exemĺo, a luta contra a volta às aulas em meio à pandemia, que vai causar um genocídio contra os jovens, é uma das questões fundamentais da nossa candidatura.

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