O neoliberalismo queimou Notre-Dame

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A catedral de Nossa Senhora de Paris, a mundialmente famosa Notre-Dame, ardeu em chamas nessa terça-feira (16/4).

O edifício passava por uma reforma de emergência. Aos poucos, desde a década de 1990, estava caindo aos pedaços. A Arquidiocese de Paris estimava que precisaria ao todo de US$185 milhões para concluir as obras. O governo prometeu US$50 milhões ao longo de uma década. Em 2017, Macron cortou a já minguada verba destinada às reformas. O resultado era previsível e tornou-se, por obra da política neoliberal do imperialismo, inevitável.

Sob o neoliberalismo, as características mais visíveis da arquitetura deixaram de ser sua forma e estrutura e passaram  a ruínas e cinzas. As medidas mais elementares de preservação de prédios históricos foram substituídas por gambiarras, improviso e muito desvio de verbas. É o que os recentes incêndios do Museu da Língua Portuguesa, em S. Paulo, e do Museu Nacional, do Rio de Janeiro, nos ensinam. São gêmeos do incêndio na desenvolvida, culta e refinada Cidade das Luzes.

Como um companheiro da redação do Diário Causa Operária escreveu, é uma joia da arquitetura neoliberal. O estilo gótico, depois acrescido de elementos do barroco, agora foi atualizado: é o estilo neoliberal, caracterizado por cinzas e ruínas.

O imperialismo se impõe violentamente sobre a humanidade tal qual um monstro, uma fera poderosa que só seria possível na imaginação de um escritor. É o verdadeiro perigo para o futuro da humanidade. Uma força capaz de levar o mundo à ruína, literalmente, para enriquecer meia dúzia de banqueiros.

Vemos agora de que são capazes os governos de megaempresários e banqueiros na terra das grandes multinacionais e bancos poderosos. Pareceria até que o Brasil havia lançado moda com o Museu Nacional e o da Língua Portuguesa. Somos vanguarda? Não. Ocorre que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco.

A queima da catedral não é apenas uma perda para os círculos intelectuais de estudiosos, especialistas, acadêmicos de todas as ciências. É uma perda para a cultura humana, esta que deve ser defendida e preservada dos parasitas burgueses, inimigos do saber, defensores da opressão, da brutalidade e truculência contra o povo pobre e trabalhador. Cultura que só pode florescer e alcançar novos cumes se for elevada pela classe mais progressista da sociedade capitalista, o proletariado. Está nele a esperança de limpar a vida de todo o mal, de toda opressão, de toda violência e permitir que se possa gozá-la plenamente.