O nazismo foi a ditadura dos bilionários europeus, revela estudo

abre-negocios-nazismo-02abr2019-gettyimages

Nesta semana, mais um estudo foi publicado revelando as ligações dos capitalistas alemães com o regime Nazista. De fato, não se trata de nenhuma novidade devido a quantidade de estudos, fotografias e relatos sobre essa íntima relação. Entretanto, é mais uma boa oportunidade de desvelar as condições materiais e os grupos sociais que sustentavam o Nazismo e o Fascismo.

Essas novas informações dão conta do envolvimento de mais uma dúzia de empresas, como a Bosch, a L`Oreal e a BMW. Esses e outros capitalistas eram beneficiados com o uso de mão-de-obra escrava, recrutada entre prisioneiros de guerra e civis dos territórios invadidos. Além disso, muitas empresas se beneficiaram com contratos, apropriação de bens roubados e outras coisas.

“Essa descoberta não surpreende. Em 1944, um terço de toda a força de trabalho na Alemanha usava trabalho escravo. Isso significa que quase todas as empresas que produziam na época estavam de alguma forma envolvidas com a economia de guerra”, diz Roman Köster, historiador alemão.

Ademais, a família bilionária Reimann, dona de várias empresas como a JAB Holdings e muitas outras com negócios no mundo todo, teve a ligação dos seus donos com o Partido Nazista exposta na imprensa alemã. Sobre os Reimann, o estudo também fala do envolvimento de seus ancestrais com maus-tratos e abusos a esses trabalhadores. Outra empresa envolvida, a Bertelsmann se juntou a mais 6 mil empresas que concordaram em pagar US$ 4,5 bilhões a pessoas que foram vítimas de trabalho escravo.

Vale a pena relembrar que o próprio Henry Ford teve negócios com Hitler, como também a família Porsche e um dos maiores industrias alemães da época, Fritz Thyssen. O número de empresas com negócios reconhecidos com os nazistas é tão grande que jamais caberia em um texto.

Porém, em momentos de tentativa dos golpistas e da extrema direita de mentir sobre a história é sempre bom expor essas informações. Isto é, o apoio das empresas e o benefício da mesmas das práticas do Nazismo demonstram que o regime de Hitler era de extrema-direita e com apoio total dos capitalistas.

A direita e a imprensa golpista costuma se referir ao Nazismo como se não fossem conhecidas as forças econômicas e sociais que apoiaram o regime. Alguns, mais malucos e mais mal-intencionados, chegam a afirmar que o Nazismo era de esquerda. Porém, de um ponto de vista material e concreto, o regime tinha todas as características de extrema-direita e também um apoio social condizente com a pequeno-burguesia e a elite capitalista.