Manobra da frente ampla
Márcio França e Ciro Gomes se apresentam como esquerdistas e mais um aspecto da manobra da frente ampla
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Márcio_França
Estão tentando infiltrar o direitista Márcio França na esquerda. | Arquivo

O Portal Disparada trouxe um artigo um tanto quanto pitoresco sobre as eleições municipais. Segundo a matéria, Márcio França, do PSB e ex vice-governador de São Paulo de Geraldo Alckmin, do PSDB, é um candidato de esquerda.

A matéria, com o título “Por que Márcio França está à esquerda de Boulos”, defende a tese de que votar em Márcio França é mais do que um “voto útil”, mas um voto de esquerda, mais de esquerda do que qualquer um.

O portal é um veículo de propaganda de apoiadores de Ciro Gomes – que apoia França em São Paulo. A matéria se dedica a atacar Boulos, do PSOL, numa disputa para saber quem seria mais esquerdista. Por trás disso, logicamente, não há nenhuma característica esquerdista de Márcio França, mas a disputa eleitoral de dois representantes da frente ampla para saber quem poderá arrastar os votos de uma esquerda de classe média.

Mas antes de explicar a manobra eleitoral, é necessário esclarecer um ponto importante. Márcio França não pode ser mais de esquerda que Boulos pelo simples fato de que ele simplesmente não é um político de esquerda, mas um político burguês, de direita.

Dizer que Márcio França é mais de esquerda do que alguém, é dizer quem é mais mamífero, a vaca ou o lagarto. O mesmo vale para Ciro Gomes, que não é e nunca foi um elemento da esquerda.

A própria matéria mostra qual é a realidade desse “esquerdismo”: “Em primeiro lugar, temos que ter clareza que para a esquerda sair do atoleiro de 2018, temos de derrotar o petismo.” Ao bom estilo golpista, acabar com o PT e a esquerda é a primeira tarefa para os ciristas.

Márcio França foi vice de Geraldo Alckmin. Mas não é apenas isso que o faz um direitista. Seu partido, o PSB, apoiou o golpe de Estado contra Dilma Rousseff, junto com a escória da direita nacional, incluindo aí, além do PSDB, DEM e MDB, o próprio bolsonarismo.

Quando assumiu o governo na ocasião do licenciamento de Alckmin para disputar a presidência em 2018, França levou adiante uma política que nada ficou devendo para o PSDB. Apenas para citar um exemplo, França estabeleceu uma política repressiva, que na matéria, extraordinariamente, é colocada como um plano de esquerda para a segurança. ” De todas as contribuições do França, uma das mais originais e relevantes é o abandono do discurso vazio nesse campo, discutindo francamente o aparelhamento de policiais”, França quer mais repressão, ao melhor estilo bolsonarista.

Fica claro que não se trata aqui de defender nenhum princípio ou política mesmo que longinquamente esquerdista. Trata-se apenas de demagogia em busca de votos de uma classe média de esquerda. É a disputa com Boulos em busca dos votos desse setor na eleição municipal e ao mesmo tempo é a disputa com Boulos para saber quem será o escolhido “de esquerda” para a frente ampla, ou seja, da aliança com a direita golpista.

O objetivo central dessa disputa é apresentar-se como uma opção de esquerda, isolando o PT. Márcio França e os ciristas, por serem elementos da direita, deixam isso claro ao dizerem que a tarefa é “derrotar o petismo”. Boulos é de fato um candidato da esquerda e apesar da sua composição com a frente ampla, procura o mesmo resultado, mas sem bater de frente com os petistas. Mas o fundo da manobra é o mesmo.

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