A esquerda sem rumo próprio`
Caindo em uma armadilha, esquerda se une à direita golpista que derrubou Dilma, prendeu Lula, elegeu Bolsonaro e aprovou gigantescos ataques contra os trabalhadores
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bloco dos 11
Dirigentes dos 11 partidos anunciam formação do bloco | Foto: Reprodução

A consumação da formação de um bloco na Câmara dos Deputados reunindo, sob a liderança do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), as bancadas golpistas como o DEM (Ex_arena, ex-PDS, ex-PFL), PSDB, MDB, Cidadania (ex-PPS, autêntica sublegenda do PSDB), PV (também tucano), Rede (da ex-senadora Marina Silva), ao lado de partidos da esquerda burguesa, como PSB e PDT (que também deram votos para o golpe de Estado)a, além do Partido dos Trabalhadores e do PCdoB, constitui-se em uma vitória da direita que impôs ao País o golpe de Estado de 2016, que derrubou a presidenta Dilma Rousseff e estabeleceu um regime de casssação dos direitos democráticos da imensa maioria do povo e dos maiores retrocesso nas condições de vida da história do País.

Nas eleições para a presidência da Câmara dos Deputados reproduz-se aquilo que se viu ao longo do ano de 2020 e que o centro da política da burguesia na atual etapa: evitar a polarização politica enter a esquerda e extrema-direita, colocando a esquerda com vínculos com o movimento operário (principalmente o PT) na defensiva e inteiramente submetida à política da direita golpista, que se disfarça de centro.

Cinicamente, os partidos divulgaram nota assinada pelos seus presidentes em que afirmam que a Câmara dos Deputados

“a fortaleza da democracia no Brasil; o território da liberdade; exemplo de respeito e empatia com milhões de cidadãos brasileiros.”

Isso quando nos últimos anos foi o covil dos deputados, dominado ela direita, foi por onde passaram todas as medidas de eliminação dos resquícios de democracia que existiam no regime dominado pelos banqueiros e outros tubarões capitalistas que preservou todas as características antidemocráticas essenciais do regime militar.

Foi na Câmara que, sob o comando de Eduardo Cunha (MDB) e votos de 9 dos 11 partidos que assinam o documento de formação do bloco, foi iniciado – em abril de 2017 – o golpe de Estado, por meio do Impeachment de Dilma Rousseff. Foi lá que se aprovaram todas as medidas contra o povo brasileiro como o congelamento dos gastos públicos no governo golpista de Michel Temer, a famigerada reforma trabalhista que destrui a CLT (consolidação das Leis Trabalhistas) e com ela, mais de sete décadas de conquistas que resultaram das lutas dos trabalhadores. Foi também nesse “território da liberdade” que se impôs, entre outros medidas, a famigerada “reforma”da Previdência, que acabou com a aposentadoria de dezenas de milhões de brasileiros, entre outros ataques.

Sos o comando de Rodrigo Maia que – depois de Cunha – comandou toda essa ofensiva contra o povo brasileiro, e que foi “aclamado” pela imprensa golpista e por Bolsonaro como “o general da reforma da Previdência” os partidos afirmam querer

“manter a chama da democracia acesa”

Neste caso, a esquerda endossa a farsa divulgada por Maia e seus aliados da direita de que estariam conformando uma oposição à Bolsonaro, quando é justamente ele o responsável por manter paralisados, sem andamento, na Câmara, cerca de 60 pedidos de abertura de processos de impeachment do presidente ilegítimo.

Ignorando tudo isso e encenando uma grande farsa, o documento propaga ainda que

“a Câmara deve ser livre, independente e autônoma, garantindo a nossa sintonia maior, com a sociedade e com o povo brasileiro”

Com essas e outras iniciativas, isso a direita consegue deixar a esquerda completamente eliminada da situação política no que diz respeito à disputa institucional. Cria-se uma uma polarização artificial (que de modo algum corresponde à luta central que se desenvolve no mundo real, na sociedade), entre a extrema direita bolsonristas e seus aliados da direita (como PP e PSD) e também do “centro”, porque há setores do MDB que estão apoiando o candidato do bolsonarismo, e a direita golpista, liderada por Mais, que procura se apresentar como o “mal menor”.

Mesmo sendo uma figura de pouca confiança do imperialismo, Bolsonaro acabou chegando a um acordo relativamente estável para se manter no poder. Por outo lado, a direita nacional se estabeleceu como a única oposição oficial. João Doria, Bruno Covas, Rodrigo Maia e tantos outros golpistas, inimigos do povo, estão recolhendo os juros e dividendos da revolta contra o governo Bolsonaro.

Essa política, evidentemente, empurra a esquerda rapidamente a um beco sem saída. A esquerda caminha para se excluir da disputa política, justamente porque permitiu que se tornasse uma nulidade política, se colocando à reboque da direita que lhe golpeu e a todo o povo brasileiro. Justamente por, seguidamente, apoiar a direita, ao invés de estabelecer um programa próprio.

A esquerda com vínculos com o movimento operário, como é o caso da ala esquerda do PT, ligada a Lula, segue a política defensora da frente ampla e cúmplice da política de buscar enterrar vivo Lula e eliminar , que a esquerda pequeno-burguesa acabou se transformando em um apêndice da direita, incapaz de definir o rumo da situação política.

Ao invés dessa esquerda trabalhar para criar um regime político onde as suas propostas pudessem ser colocadas em prática, se adaptada à situação tal como ela é; com o que não serve absolutamente de nada, do ponto e vista da defesa dos interesses dos trabalhadores e da maioria do povo que a direita – à qual a esquerda se alia – pisotea.

Isso quando o PT tem a maior bancada da Câmara e, se quisesse fazer parte da mesa diretora na Câmara poderia levar adiante uma luta pública por meio de uma proposta de transformação da realidade, e não de submissão ao regime político golpista.

A disputa entre Bolsonaro e Maia não passa de uma fraude. Reafirmamos que, a sociedade não está dividida entre os que apoiam a extrema-direita e os que apoiam o neoliberalismo. A sociedade está dividida entre a burguesia e suas máfias políticas, por um lado,  e o povo e entre milhões e milhões de pessoas que lutam por sua sobrevivência, de outro.

Em nome do “mal menor”, a esquerda faz o maior de todos os males, abdicar da luta pela independência de classe, da união dos explorados e seus representantes contra os exploradores.

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