“O mais perto de uma guerra desde 1945: 14 estados da União Europeia anunciam expulsão em massa de diplomatas russos”

Quatorze países da União Europeia anunciaram a expulsão de diplomatas russos. A iniciativa foi liderada pela Alemanha, França e pela Polônia usando como pretexto o envenenamento do ex-agente duplo russo Sergei Skripal e sua filha ocorrido dias atrás numa cidade próxima a Londres. A ação dos países europeus vem agravar mais ainda o estado já muito deteriorado das relações entre os chamados países ocidentais e a Rússia.

Os outros países que fizeram coro à expulsão de diplomatas russos são a República Tcheca, Lituânia, Holanda, Dinamarca, Itália, Espanha, Finlândia, Suécia, Romênia, Croácia e Estônia. Embora não sejam membros da União Europeia a Ucrânia, Noruega e Albânia também decidiram expulsar diplomatas russos. O governo da Áustria declarou que não decretará a expulsão de diplomatas nem adotará medidas punitivas contra a Rússia e alegando que manterá sua “neutralidade e vocação de servir de ponte entre o ocidente e o oriente e sua determinação de manter abertos os canais de diálogo com a Rússia”. Do outro lado do Atlântico o governo estadunidense anunciou a expulsão de 60diplomatas russos e o fechamento do consulado em Seattle

Os países que detém o poder real na União Europeia são apenas três: a Alemanha, a França e o Reino Unido. O restante apenas faz figuração principalmente os países da Europa Oriental cujos cidadãos já há muito tempo acordaram do sonho de adentrar na “parte social” do clube europeu e seu acesso permanecerá para sempre restrito às “dependências de serviço”. Muitos setores da burguesia europeia há muito se deram conta de que o despautério que se tornou a política externa dos Estados Unidos tem prejudicado muito seus interesses e a decisão de expulsar diplomatas russos deve ter sido tomada sob grande pressão.

Angela Merkel embora seja tão subserviente aos ianques quanto os golpistas do Brasil tem que prestar contas a setores dentro da Alemanhã que não concordam com essa postura e tem interesses legítimos em se integrar ao espaço euro asiático que os Estados Unidos vem tentando desesperadamente sabotar. Emmanuel Macron, que de maneira discreta tem se esforçado para estabelecer boas relações com a Rússia, a princípio declarou-se abertamente contra a campanha difamatória da Grã-Bretanha contra a Rússia, mas também cedeu a final.

Quem também deve ter sido pressionado de algum modo foi o Presidente dos Estdos Unidos, Donald Trump, que desde sua campanha eleitoral advogou a melhora das relações com a Rússia. A recente ocupação de cargos chaves da política externa por neoconservadores deixa ainda mais incompreensível a batalha que está sendo travada nos bastidores em Washington.

Quanto ao episódio do suposto envenenamento em si ultrapassa as fronteiras do bizarro. Não se sabe ao certo se Sergei Skripal morreu realmente. As notícias são desencontradas. Ninguém teve acesso ao corpo ou ao local onde ele (caso tenha sobrevivido) e sua filha se encontram.

Provavelmente inspirado nos processos de Curitiba – ou orientado pelos mesmos que mandam de fato operação Lava Jato – o governo britânico se recusa a seguir as leis internacionais aplicáveis ao caso, não exibe qualquer prova, não permite que o governo russo tenha acesso aos elementos que possibilitariam sua defesa e movem uma intensa campanha na venal imprensa burguesa internacional contra Moscou.

Dadas as contradições agudas entre os diversos sistemas imperialistas e também dentro deles é pouco provável que, por si só, deste episódio resulte uma guerra. Pode ser um mais um passo em direção a ela e, por enquanto, deve render munição para a campanha de ataques imperialistas à Rússia e, como parte dela, aos planos de boicote à próxima Copa do Mundo de futebol.