Suicídio político
Diretório Nacional do PSOL estabelece como tática a frente amplíssima, um completo desastre político
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São Paulo SP- 04 08 2018 Partido Novo confirma João Amoêdo como candidato a presidente foto Rovena Rosa/Agencia Brasil
João Amôedo, fundador do Partido Novo. Foto: Rovena Rosa/Agencia Brasil |

Seguindo a tendência fortemente direitista verificada entre as direções da esquerda nacional, expressa na tentativa de destruir a tradição classista do primeiro de maio, a Direção Nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), reunida no dia 25 de abril, chegou à seguinte fórmula de intervenção na política nacional: o mais amplo e unitário pedido de impeachment possível. Nas resoluções da reunião, podemos encontrar, no detalhe, o que significaria essa unidade ampla:

Nesse momento, Infelizmente, a consigna “Fora Bolsonaro” não pode ganhar as ruas em uma campanha mobilizadora, mas pode ganhar o apoio da maioria da população com uma ampla campanha com os partidos, movimentos sociais das mais amplas pautas e setores, entidades democráticas que juntos pressionem o Congresso Nacional, o STF ou o TSE para viabilizar a saída do presidente genocida.

A unidade, conforme fica claro no texto, é a unidade travada em torno de organizações sociais e de algumas instituições. O que não fica claro, no entanto, é seu verdadeiro caráter. Vejamos, por exemplo, o caso dos partidos. A quais partidos exatamente o PSOL se refere: aos partidos de esquerda, vinculados aos sindicatos e ao movimento popular em geral, ou a qualquer partido que se oponha à figura do presidente ilegítimo Jair Bolsonaro, como é o caso do Partido Novo? A falta de uma caracterização dos partidos aliados é proposital e serve justamente a isso: permitir uma frente com legendas dominadas pelos inimigos do povo, os capitalistas. O Partido Novo, que tem no governo de Minas Gerais, comandado por Romeu Zema, um modelo de suas concepções, é um partido tão fascista quanto o próprio Bolsonaro. Além de defender explicitamente a pilhagem operada pelos bancos, esse partido, conforme mostra a experiência de Minas Gerais, é favorável à mais brutal repressão contra o povo pobre.

Outro termo que chama bastante atenção é o obscuríssimo entidades democráticas. O que seriam, então, essas entidades? São entidades que defendem os direitos democráticos ou entidades que defenderiam a democracia? Considerando o primeiro caso, o PSOL teria de eliminar toda a direita de sua sonhada frente “o mais ampla possível”. Isso porque a direita inteira, desde o Novo ao DEM, passando pelo MDB, participou do golpe de Estado de 2016 e da operação que levou o maior líder popular do país à cadeia e à cassação de seus direitos políticos. Não haveria, portanto, defesa de nenhum direito democrático por parte desses setores, o que derruba nossa primeira hipótese e nos leva à segunda. As entidades democráticas seriam as que defendem a democracia — um suposto bem universal cultuado pela esquerda pequeno-burguesa que qualquer político, a troco de voto, defende publicamente. As entidades democráticas seriam, portanto, todas aquelas que se autodefinissem como tais — isto é, qualquer interessado em ingressar na frente psolista.

O mais amplo e unitário pedido de impeachment possível é, apesar do malabarismo pouco habilidoso apresentado na resolução, nada mais, nada menos, que uma proposta de frente com todos os inimigos dos trabalhadores. Toda a burguesia, que foi responsável pelo golpe de 2016 e fornece a própria sustentação para o governo Bolsonaro, estaria sendo convidada para o matadouro da frente ampla. A política é não apenas criminosa em si, por enfileirar os trabalhadores ao lado de seus inimigos, mas sobretudo porque termina por cumprir única e exclusivamente as demandas da própria burguesia: reorganizar o regime diante de sua imensa impopularidade após anos de aplicação da política neoliberal.

Não bastasse a política ser um completo desastre para os trabalhadores, a Direção do PSOL apresenta um argumento cretino para formar a frente ampla:

Não será uma campanha fácil nas circunstâncias atuais, mas é urgente, necessária e inadiável. Vamos articular novos panelaços, dias de luta, campanhas de denúncia e explicativas nas redes sociais para convencer a maioria da população da urgência do Fora Bolsonaro e buscar ampliar a adesão de setores. Vamos pressionar os demais partidos e movimentos para apoiarem medidas que possam abreviar o mandato de Bolsonaro. O PSOL apoiará quaisquer medidas que se mostrem eficientes para pôr fim ao governo Bolsonaro – impeachment, cassação da chapa, afastamento via STF. Nosso objetivo principal é garantir que o Fora Bolsonaro se concretize, preferencialmente através de movimentações mais amplas.

Segundo o PSOL, a justificativa para formar uma frente com os piores inimigos dos trabalhadores seria a de que as condições sanitárias — isto é, a pandemia de coronavírus — impediria uma mobilização real, restando ao povo esperar que as instituições — isto é, o STF e o Congresso — agissem em favor dele. Conclusões, obviamente, que estão profundamente equivocadas.

Em primeiro lugar, é preciso dizer que há, sim, condições para a mobilização. Os trabalhadores estão saindo às ruas diariamente para serem massacrados em seus postos de trabalho — da mesma forma, poderiam, tomando as devidas medidas, manifestar-se. Em segundo lugar, o STF e o Congresso, por sua própria natureza, jamais irão atender aos interesses da população, a menos que sejam obrigados a isso. O STF não passa de uma burocracia controlada a pulso firme pela classe dominante, enquanto o Congresso, supostamente eleito, é selecionado por meio de expedientes como a fraude, a chantagem e a corrupção, que o torna um órgão de legislação intrinsecamente burguês. Em terceiro lugar, retirar os trabalhadores das ruas, fechar sindicatos, suspender mobilizações em um tempo de profunda crise como esta é o mesmo que entregar nas mãos dos capitalistas o poder de decidir sobre o destino dos trabalhadores.

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