O labirinto da luta institucional: após se aliar com o PSDB para derrotar o PSL, PT se alia ao PSL contra o PSDB em SP
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O labirinto da luta institucional: após se aliar com o PSDB para derrotar o PSL, PT se alia ao PSL contra o PSDB em SP
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O início da legislatura na Assembleia Estadual de São Paulo (Alesp) marca mais um capítulo da confusão em que o Partido dos Trabalhadores, assim como a maior parte da esquerda, está metido, quando se trata da “luta” política institucional.

Os deputados estaduais do partido votaram no candidato de João Doria, o governador fascista do Estado, em nome de combater a deputada, também fascista, Janaína Paschoal, a “mulher da cobra”, autora do impeachment fraudulento contra a presidenta Dilma Rousseff e apoiadora do outro fascista, Jair Bolsonaro.

Em meio ao odor fétido de tantos fascistas, após ajudar a eleger Cauê Macris, os deputados petistas alinharam-se aos bolsonaristas do PSL, da candidata derrotada Janaína Paschoal, agora para fustigar o PSDB de Doria em uma dobradinha pela instalação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar a companhia de Desenvolvimento Rodoviário S/A – Dersa – empresa controlado pelo governo de São Paulo – e seu ex-diretor, Paulo Vieira de Souza, apontado como operador do PSDB e da empreiteira Odebrecht.

A que propósito serviriam essas alianças? Para ser contra “o ódio nojento”, como declarou o deputado petista Ênio Tatto, os votos do partido não influiriam no resultado das eleições, afinal a diferença entre os dois candidatos foi de 70 a 16, o que significa que os 10 votos petistas não alterariam o resultado. Seria a vaga da 1ª vice-presidência? Vale o ônus de estar aliado com a extrema-direita?

Por outro lado, acreditar que o PSL de Jair Bolsonaro, o partido envolvido em casos de corrupção e assassinatos, tenha algum propósito de investigar o governador aliado do capitão, é verdadeiramente se perder em um labirinto institucional.

O que temos de fato é a reedição da dobradinha do PT com o PSDB para eleger mais uma vez o presidente da Alesp nesses últimos 24 anos. Quer dizer, é o apoio da esquerda parlamentar aos governos direitistas do PSDB, agora na sua versão bolsonarista.

Esse tipo de política inevitavelmente causa uma grande confusão na própria militância do partido. Como derrotar a extrema-direita se aliando com a própria extrema-direita?

Essa política, como não poderia deixar de ser, tem as suas similaridades nacionalmente. Veja-se o caso do apoio “parcial” dos governadores de esquerda no nordeste à “reforma” da Previdência, a frente eleitoral montada com o Psol na Câmara Federal, ou ainda na eleição do petista André Ceciliano para presidir a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, com apoio de uma figura grotesca como o governador do Estado, o também não menos fascista, Wilson Witzel.

A ilusão para uns e o “caso pensado” para outros de que pode haver qualquer tipo de ganho em alianças com a extrema-direita golpista é o grande nó da luta política no país contra o próprio golpe e todos os seus significados, a começar pela luta pela liberdade de Lula, mas, também, a luta contra a “reforma” da Previdência, contra o desemprego, contra as privatizações. Obviamente que o labirinto eleitoral, como se pode ver, não vai contribuir com essa luta.