Ditadura
O Judiciário é o poder usado pela burguesia para controlar os demais poderes.
Abertura do terceiro dia de julgamento sobre a validade da prisão em segunda instância no  Supremo Tribunal Federal (STF)
STF. |

Em artigo publicado no jornal direitista do Paraná, Gazeta do Povo, e assinado por Celio Martins, no último dia 1/5, o ex-presidente Lula é acusado de concordar com Bolsonaro nas críticas à interferência do STF na nomeação do novo chefe da Polícia Federal. A coluna é intitulada “Lula ‘respalda’ posições de Bolsonaro em dois episódios”.

Segundo o colunista, Lula concordaria com Bolsonaro por causa da seguinte declaração em entrevista para a Folha de S.Paulo: “Se tiver alguma relação suspeita, eu acho então que para o bem da instituição é importante que não seja indicado”, ponderou ao defender o direito do presidente da República de trocar delegado da PF.”

A imprensa golpista procura usar de maneira intrigante a crítica de Lula para aproximá-lo do bolsonarismo. Na realidade, Lula está correto em sua colocação. O Supremo não tem que intervir nas decisões do Executivo e do Legislativo.

O que tem acontecido é um fortalecimento do poder imperial do Judiciário. Não se trata aqui de fazer nenhuma apreciação sobre a decisão política de Bolsonaro. Bolsonaro nem mesmo é um presidente legítimo. Mesmo assim, a interferência do STF nas decisões do Executivo é um atentado contra um princípio democrático básico.

O Judiciário foi o principal elemento do golpe de Estado de 2016. Foi essencial para o impeachment de Dilma e a prisão de Lula. Em grande medida, foi o próprio Judiciário o principal responsável por Bolsonaro.

Agora, esse mesmo STF quer controlar o presidente ilegítimo e usa esse poder ditatorial para isso. O STF é um poder imperial que não tem eleitos, não tem nenhuma relação com o povo e, por isso, é o órgão usado pela burguesia para passar por cima dos demais poderes.

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