Rock’n’roll
Ao mesmo tempo em que procurava controlar o estilo, que se tornava o mais popular do mundo, o imperialismo promovia o embranquecimento do estilo
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Little Richard, um dos fundadores negros do rock | Divulgação

“Para mim, Derrick Green não foi a pessoa certa para a banda. Achei meio cópia de Sevendust, aquelas bandas americanas que botavam um cantor preto num grupo de heavy metal” – Max Cavalera, Revista Playboy, 2015

No sistema capitalista qualquer coisa criada transforma-se em produto destinado a venda, pois do contrário o criador da coisa em si encontrar-se-ia em evidente prejuízo, uma vez que, para se ter acesso a qualquer bem de subsistência (água, comida, roupa, moradia etc), é necessário possuir dinheiro. No mundo capitalista ter dinheiro é condição necessária a todos. Não seria diferente para as artes e, no caso especifico deste texto, a música.

Os negros desenvolveram a partir de suas experiências sociais e artísticas, diversos estilos musicais: rock n roll, jazz, blues, reggae, samba, etc, e todos estes, que no início eram musica restrita ao público negro, se tornaram produtos industriais que geram bilhões em lucro todos os anos. Em muitos casos, para se conseguir tudo isso, foi necessário “transformar” a música antes “música afro” para “música de branco”, como foi o caso do rock, o exemplo mais explícito de todos.

O rock tendo sido apropriado pelos brancos, a partir da primeira jogada de marketing bem-sucedida em cima do ícone máximo Elvis Presley, passou a ser o estilo musical mais vendável de todos, influenciando outros estilos, como o POP e seus hits radiofônicos, tendo inclusive gerado outros estilos musicais calcados no ritmo rock, como é o caso do Heavy Metal e suas diversas vertentes.

Com a criação do Metal, consolidou-se no showbusiness e no público desse estilo a ideia de que ter um músico negro numa banda de Heavy Metal, principalmente se ele for o vocalista, seria uma exceção e até mesmo em alguns casos, algo estranho e bizarro. Obviamente que isso seria uma postura ignorante por parte de pessoas que não conhecem a história do rock, mas foi algo que se formalizou por parte de alguns fãs, sobretudo no Brasil e até de empresários com inclinações racistas. Porém, quando isso parte de um ícone do Metal, então o fato torna-se assunto para o debate.

A frase citada no prefácio do presente texto pelo ex-vocalista do Sepultura, Max Cavalera, é um exemplo. Alguns disseram que sua fala na entrevista é um reflexo da “dor de cotovelo”, pelo fato da banda ter continuado e recentemente até aumentado o sucesso após a sua saída, pois, segundo alguns veículos especializados, ele acreditava que a banda iria entrar em decadência com a sua ausência. Nesse caso, ele estaria com inveja e com o ego ferido. Percebe-se, no entanto, que o que ele afirma nessa declaração é o mesmo que vários fãs desse meio musical também dizem à boca pequena, pois nem todos têm coragem de expor declarações que podem ser consideradas racistas ou simplesmente alguma ignorância musical e histórica. Aliás, o racismo é o resultado da ignorância e não o contrário.

Dizer que o negro não pode cantar Heavy Metal ou que um cantor negro de uma banda de Metal é algo excepcional ou “exótico” é de uma mediocridade sem precedentes. O rock foi criado pelos negros e o Heavy Metal é uma evolução do rock, portanto o Heavy Metal também é fruto da construção e contribuição artística dos negros. Eles apenas estão tomando de volta o que é seu por direito. Aliás esse é um dos motivos da preocupação e do engajamento dos artistas do hip hop em não permitir que qualquer um se apodere do movimento, pois esse fenômeno do “negro não pode” poderia acontecer também dentro do rap; ele se tornaria um estilo musical dos brancos e depois fecharia as portas para os seus criadores, gerando essa mesma deformação artístico-intelectual presente no rock atualmente. Muito se fala sobre “apropriação cultural” quando, por exemplo um branco passa a usar cabelo rastafári, mas isso é fichinha perto desse caso especifico do rock, onde a apropriação é real, explícita, tangível, prejudicial e causou uma verdadeira confusão na cabeça de certas pessoas. Mas que, felizmente, com a difusão da informação por meio da internet, começa a mudar.

Portanto é necessário sempre que possível colocar o debate na mesa e falar a respeito sobre diversos assuntos para que se possa evoluir enquanto seres humanos. A polêmica é necessária, a verdade deve ser dita e as pessoas e coisas devem ser questionadas. No título do texto que diz “A volta dos que não foram”, significa que os negros que agora estão à frente de bandas de Metal na verdade não chegaram agora como aparenta ser; eles sempre estiveram aí, já que eles são os criadores reais do rock; então, eles não voltaram, nem foram, nem chegaram; eles sempre estiveram.

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