O golpe transformou o Brasil em um Estado de terror: 6.160 mortos pela Polícia em um ano

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Levantamento apresentado ontem (19) pela imprensa burguesa dá conta de que o número de pessoas assassinadas por policiais aumentou 18% em 2018, comparado com o ano anterior. Em 2017, o braço armado do Estado matou 5.225 cidadãos, enquanto que no ano passado esse número subiu para 6.160.

Essa é a prova clara de que o Brasil vive, desde o golpe que derrubou a ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2016, um estado policial. Não exatamente uma prova científica, pois, como o estudo foi realizado pelo maior monopólio das comunicações do País, a Rede Globo, intimamente ligado ao Estado e ao próprio golpe, é bem possível que os números reais sejam ainda muito superiores. Mas, de qualquer forma, uma demonstração evidente do caráter cada vez mais fascista da repressão estatal.

Além disso, os dados jogam por terra a propaganda enganosa da direita, que, buscando justificar todos os crimes do Estado e, especialmente, dos órgãos de repressão, afirma que “policiais também morrem” só que ninguém fica comovido, ao contrário do que ocorre quando morrem “bandidos”, segundo os mesmos defensores da ditadura militar.

Isso porque, enquanto o número de mortos pela polícia aumentou 18%, o de policiais mortos caiu esses mesmos 18% em relação a 2017. Foram 307 agentes mortos (número que também pode estar manipulado, é possível que ainda menos policiais tenham morrido em confronto, haja vista a disparidade na capacidade de defesa dos policiais em comparação com os cidadãos comuns, mesmo armados).

O Rio de Janeiro foi o Estado com a maior taxa de assassinados por policiais. Praticamente, nove em cada 100 mil habitantes sofreram a morte sob as botas das forças de repressão nesse estado em 2018. Não é coincidência que foi o mesmo ano quando houve a criminosa intervenção militar autorizada pelo governo golpista de Michel Temer. Os policiais, bem como os militares do Exército, barbarizaram nos morros e favelas, deixando um rastro de morte, estupros, destruição e saques, conforme amplamente denunciado pelo povo pobre do Rio de Janeiro, mas pouco noticiado pelo cartel da imprensa capitalista.

Todos esses dados indicam claramente: o Brasil do golpe é um estado de terror policial. E, com a eleição fraudulenta do fascista Jair Bolsonaro, a tendência é que esses números aumentem ainda mais e, mesmo com a tradicional manipulação dos dados, será difícil para a burguesia esconder esse fato.

Tanto nas cidades como no campo (e, neste, ainda mais), os golpistas estão implementando, aos poucos, um Estado fascista. Os agentes das polícias e do Exército vêm fazendo o papel das milícias fascistas que tradicionalmente se viu em regimes como os de Hitler e de Mussolini. Mas não são os únicos: já é de conhecimento público a atividade de milícias paramilitares em cidades como o próprio Rio de Janeiro, que desenvolvem um caráter de perseguição política, e, nas regiões agrárias, os latifundiários vêm fazendo cada vez mais uso de seus jagunços e pistoleiros, com o apoio explícito da polícia e mesmo da Justiça, para massacrar os sem terra.

É de importância imediata a organização popular, dos operários, dos estudantes, das mulheres, dos negros e dos camponeses, para lidar com a violência estatal fascista de maneira a frear tamanho genocídio. O movimento popular deve se unir em comitês de luta contra o golpe e de autodefesa, com as organizações de massa encabeçadas pela CUT chamando a greve geral, para opor o Estado ao poder da democracia operária. Se o aumento da matança é fruto direto do golpe, só será revertido caso esse golpe seja derrotado. E, para ser derrotado, é preciso derrubar Bolsonaro e todos os que o levaram ao poder.

Mas não é só isso: a polícia e todos os órgãos de “segurança” servem apenas para garantir a proteção da propriedade privada da burguesia, reprimindo os que são jogados na pobreza para que, justamente, a burguesia possa acumular essa riqueza. Por isso, todos esses órgãos devem ser dissolvidos e substituídos por milícias proletárias, porque o próprio povo deve (e tem condições para isso) realizar a sua própria segurança.