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O Golpe no Brasil também é um sinal de crise do Imperialismo
O Golpe no Brasil também é um sinal de crise do Imperialismo

Durante a Análise Política da Semana do último dia 30, Rui Costa Pimenta analisou o golpe no Brasil como expressão da crise política do imperialismo e da dominação imperialista no mundo

“Bom, se nós comparamos essa crise internacional extremamente grande que atinge todos os países imperialistas sem absolutamente nenhuma exceção e que tende a se agravar, isso sem falar na debilidade que o imperialismo mostra na sua dominação de tipo colonial em vários lugares, como na Síria o enfrentamento com a Rússia, disputas com a China, ameaças contra o Irã etc e tal, sem falar em tudo isso…

“Se nós comparamos tudo isso com o cenário nacional brasileiro e latino-americano, nós vemos uma tendência que parece ser oposta a essa, porque no cenário latino-americano a esquerda, uma esquerda nacionalista, moderada, evidentemente têm sido derrotada em vários lugares pela direita, então você teria a impressão de que enquanto o regime imperialista desmorona em tudo quanto é lugar (o imperialismo perde pé na Síria, por exemplo, uma questão super estratégica), ele se fortalece no Brasil, um país de grande magnitude. Essa impressão de que as coisas são contraditórias, ela é falsa, o golpe no Brasil também é um sinal do mesmo problema de crise, porque o golpe no Brasil também é um esfacelamento do esforço do plano do imperialismo para manter nos países que ele domina um regime de tipo democrático.

“Ele não consegue mais, dado o grau das contradições dentro destes países, manter aquela aparência de democracia. Então foi obrigado no Brasil a dar o golpe. Na Argentina houve um golpe branco pela via eleitoral. Deram o golpe em Honduras, deram o golpe em vários países, como a gente viu. Ganharam as eleições no Chile numa campanha enorme contra o Partido Socialista, inclusive utilizando a capitulação do Partido Socialista no Chile. Para conseguir esse resultado, deram uma espécie de golpe no Equador cooptando aí, sabe-se lá por quais meios, o presidente eleito pelo partido nacionalista, partido do Rafael Correa, e em todos esses países você tem uma crise extraordinariamente grande. A crise brasileira logicamente é a mais importante de todas, porque o Brasil é um país chave no marco político da América Latina. Se as coisas aqui desandarem, vão desandar em todos os demais países, sem dúvida.

“E também nós temos que indicar aqui que o imperialismo tentou derrubar o governo da Venezuela por meio de um golpe de Estado e fracassou. É um sinal que parece no sentido contrário do que está acontecendo, mas na verdade é parte da mesma situação, o que o golpe brasileiro ocasionou foi estabelecer no país uma enorme polarização política, muita gente que faz parte da burguesia, mas tem uma posição, digamos assim mais moderada, não se colocou abertamente a favor do golpe nem nada, tem levantado o problema de que o país está dividido,” há um ódio que divide a população brasileira”. Lógico, teria que haver mesmo esse ódio e ele realmente existe, porque você tem um governo de esquerda ou um governo moderado, aí uma imprensa cartelizada, monopolista, faz uma campanha no sentido de que esse governo é um governo corrupto, não consegue demonstrar nada e o governo é derrubado sem motivo nenhum, e em seguida o governo golpista aplica um programa que é exatamente o oposto do governo derrubado, que foi passar o rolo compressor em cima da população, só pode criar uma animosidade política extrema que se reflete, como nós já falamos várias vezes, no crescimento da preferência eleitoral pela figura do ex-presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva. Essas pesquisas eleitorais, esses índices eleitorais, eles estão indicando o crescimento da revolta da população contra o golpe, nada mais e nada menos. Não é que o Lula seja lindo, não é que o pessoal gosta mais do plano que ele tem do que o plano do outro, não é nada disso, simplesmente a população vê que ele seria o oposto daquilo que está no governo hoje, que está atacando duramente a população. Ninguém sabe o que ele vai fazer mas dado o grau de catástrofe já implantado no país ele é a alternativa natural diante da situação, então aqui no Brasil mesmo, no Brasil, na Argentina etc e tal, nós temos também a mesma decomposição mas sobre outra forma, isso é importante que a gente caracterize, a decomposição.”

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