Manobra “frenteamplista”
A política de apoiar o menos ruim frequentemente leva ao que existe de pior no cenário político e deve ser superada, não pela subordinação mas pela luta dos trabalhadores
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Dois genocidas apresentados como toleráveis | Foto: Reprodução

Uma tática conhecida da frente ampla para submeter os trabalhadores a política da burguesia vem se destacando nos últimos anos: o chamado “mal menor”. Por esta formulação, a classe trabalhadora chega ao período eleitoral tendo que optar quem irá implementar os ataques da burguesia contra a população, quase sempre, um representante da ala tradicional da direita (portanto, dos setores mais poderosos da burguesia) e outro, ligado à extrema direita. O primeiro, é apresentado como democrático, o que lhe vale a alcunha de “menos pior”, enquanto o segundo é apresentado como a encarnação do diabo, o que desencadeia uma campanha histérica e termina por levar os trabalhadores a apoiarem seus principais carrascos.

Este golpe não chega a ser exatamente uma novidade mas diante do aprofundamento da crise capitalista, arrastando para si regimes políticos em todo o mundo, vem sendo executado com uma constância crescente. E o que sempre se vê como resultado é que a busca pelo “mal menor” leva exatamente ao oposto.

Em São Paulo, esta fórmula levou o PSDB, com Mário Covas, ao governo do estado em 1994, de onde o partido nunca mais saiu. Sob a desculpa de combater o “malufismo”, a esquerda ajudou a confundir os trabalhadores, levando a uma série de governos responsáveis pelos mais variados ataques contra o povo paulista, desde o mais amplo programa de privatizações do Brasil, passando pelo sucateamento dos serviços públicos e uma máquina de repressão responsável por centenas de mortes anualmente, segundo as manipuladas estatísticas oficiais.

Na eleição americana

O mesmo fenômeno verificou-se na eleição presidencial nos EUA. Representando de maneira mais acabada a burguesia, em toda a sua podridão, toda a propaganda que levou à vitória momentânea do democrata Joe Biden centrava-se no argumento de que o voto não era para Biden mas contra o republicano Donald Trump.

A campanha de histeria, por sinal, foi uma constante da eleição americana, com esquerdistas como Noam Chomski falando no fim da sociedade caso Trump seja reeleito, na catástrofe ambiental e uma série de situações apocalípticas, que apelavam de maneira muito expressiva à irracionalidade e ignoravam as realizações monstruosas de Biden, que superam, e muito, as do republicano.

O papel fundamental do democrata na repressão à população negra e pobre dos EUA, seu apoio destacado às guerras promovidas pelo imperialismo, aos golpes de Estado impulsionados desde o último período de domínio do partido Democrata na presidência dos EUA, tudo devidamente ignorado, tornado tolerável sob a farsa do “mal menor”.

Tática orientada à derrota

O golpe do “mal menor” aparece também em diversas outras articulações, como a que levou Macron ao poder na França, manteve Angela Merkel no poder na Alemanha, (vindo a apoiar o partido de extrema-direita AfD para as eleições municipais alemãs desse ano), entre diversas derrotas para os trabalhadores que acompanham a manobra.

Esse resultado, a derrota da classe trabalhadora, é também uma característica intrínseca à manobra, dado que sendo articulada pela burguesia, esta classe é que de fato tem seus interesses atendidos, mesmo que por via de manobras. Frequentemente, o “mal menor” leva exatamente ao mal maior para os trabalhadores, sempre que o golpe brando aparece.

Isso por que tanto os partidos de extrema-direita quanto da direita tradicional representam a mesma classe: a burguesia. Essa característica deve ser lembrada por que, como se observa pela experiência, o “mal menor”, na síntese, traz em si a submissão dos trabalhadores, qualquer que seja a articulação sobre a qual se apresente.

Uma saída para os trabalhadores

Compondo os dois polos antagônicos fundamentais da luta de classes no capitalismo, é até normal que a burguesia apresente todo um arsenal de manobras contra a classe trabalhadora para dominá-la. O espantoso é que organizações de esquerda, mesmo as que reivindicam se pretendem socialistas, dediquem-se desempenhar uma papel importante na articulação deste golpe.

Esse aspecto da questão é relevante por que sem partidos como o PT, com influência sobre a classe operária, os trabalhadores paulistas poderiam eventualmente se confundir com a ideia de que o PSDB representa o mal menor, porém, a operação certamente seria muito mais complexa. Como todas as táticas da frente ampla, a influência sobre a classe trabalhadora é fundamental para se difundir uma política dessa natureza.

Os trabalhadores não devem ser mobilizados a escolher quem irá lhes torturar, nem devem aceitar manobras cujo sentido não é outra além de atacar a população. Devem, isto sim, lutar por um governo próprio, voltado aos interesses da classe trabalhadora e, consequentemente, contra a exploração da burguesia.

Nesse sentido, é preciso destacar que a política da esquerda pequeno-burguesa nesse quesito é extremamente contraproducente, levando a uma profunda deseducação política dos trabalhadores. Reforça a crença em um regime político carcomido, castra a luta contra a opressão da burguesia e asfixia a mobilização da classe trabalhadora.

Os preconceitos parlamentares, as ilusões vendidas pela burguesia e aceitas de maneira oportunista pelos setores mais conservadores da esquerda, garantem cargos à pequena burguesia, poder à burguesia e ataques, cada vez mais duros, contra os trabalhadores.

Golpes do tipo “mal menor” devem, portanto, ser superados por uma política mais decidida e propositiva, voltada não a uma administração da situação mas ao acúmulo de forças e experiências por parte dos trabalhadores, para garantir interesses que lhes beneficiem, para superar o “menos pior” pelo que efetivamente interessa à população.

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