O golpe aumentou a gasolina porque esse era o programa dos golpistas

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Uma das palavras de ordem ocultas dos coxinhatos durante a campanha golpista para derrubar Dilma Rousseff era a seguinte: “eu quero pagar R$10 por um litro de gasolina!” Durante a greve dos caminhoneiros, os coxinhas conquistaram essa reivindicação. Alguns postos pelo Brasil aproveitaram para cobrar R$10 pelo litro de gasolina. É o livre mercado em pleno funcionamento. Liberalismo em uma casca de noz: R$10 no litro da gasolina. É apenas o começo, enquanto o golpe persistir, o caos só vai piorar.

Não posso dizer que essa conquista coxinha tenha mostrado o poder da mobilização. Ela demonstrou, na verdade, o poder de manipulação da direita e do imperialismo. A participação dos coxinhas no golpe foi no papel de figuração para uma mobilização cenográfica montada pela FIESP e pela Globo. Esse foi o “apoio popular” de papelão, como o Aécio de papelão da campanha de 2014. O poder da mobilização precisará ser usado para reverter as políticas dos golpistas.

Essa posição de massa de manobra dos coxinhas durante a campanha contra Dilma não poderia ter sido diferente. O verdadeiro programa da direita não podia ser levado para as ruas. Tinha que ficar escondido nos editoriais da imprensa burguesa, lidos por pouca gente. Não dava para sair às ruas dizendo explicitamente: “gasolina mais cara já!, eu quero enriquecer a Shell mais ainda!” No lugar disso, acusavam Dilma de ter destruído a Petrobras e de ser corrupta. Essas calúnias funcionavam melhor. Dizer a verdade teria afastado até mesmo parte dos coxinhas naquele momento.

Hoje a direita ainda tenta usar calúnias contra Dilma. Argumentam que os combustíveis teriam ficado mais caros porque o PT “quebrou” a Petrobras. Muita gente já desmontou o mito da Petrobrás quebrada. Para citar um exemplo, vale a pena conferir o texto O Mito da “Petrobras quebrada”, publicado pela Aepet em seu site. O que a direita tenta fazer é atribuir à suposta corrupção na Petrobrás a alta dos combustíveis, é a tentativa tradicional de esconder o debate político debaixo de acusações de corrupção.

Os combustíveis subiram porque a direita está no poder e mudou a política de preços da estatal petroleira. A política da direita é fazer todos pagarem mais caro. Durante o governo Dilma fizeram uma intensa campanha contra o subsídio aos combustíveis. Depois que tomaram o poder, cortaram os subsídios e passaram a estabelecer o preço de acordo com a variação do petróleo no mercado internacional e a variação do dólar. Eis aí o resultado. Não foi acidente, era o plano. O plano do imperialismo para o Brasil, dos monopólios internacionais, como a Shell, é exatamente esse.

O acidente, do ponto de vista dos golpistas, foi a greve dos caminhoneiros ser efetiva do jeito que foi. Somada à greve dos petroleiros, a greve levou até à demissão de Pedro Parente da presidência da Petrobras hoje (1º). O ministro do apagão, e agora o homem do “paradão”, está fora. Foi uma derrota para o governo golpista e para direita. Porém, a política de preços continuará essencialmente a mesma, com exceção da política para o diesel, temporariamente.

A política continua a mesma porque essa é a política do golpe. Uma política que levou o Brasil a importar 80% do diesel e a operar hoje com apenas ¾ de sua capacidade de refino. O Brasil está exportando petróleo e importando combustível. O combustível da Petrobras está tão caro que tornou o combustível de fora competitivo dentro do país. Essa situação é um belo exemplo do que o golpe é: a entrega do país para capitalistas estrangeiros, às custas dos trabalhadores brasileiros.

O governo golpista está todo organizado para concluir essa entrega e para aumentar a exploração dos trabalhadores. A greve dos caminhoneiros, junto com a dos petroleiros, impôs uma derrota pontual aos golpistas e expôs a fraqueza do governo Temer. Mas para reverter as políticas golpistas que assolam o país é preciso derrotar o golpe de conjunto. Enquanto os usurpadores lacaios do imperialismo continuarem no poder, o roubo do país e o chicote nos trabalhadores (sem direitos e sem aposentadoria) vai continuar. E o preço alto da gasolina também.