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As matérias publicadas pela imprensa golpista durante a campanha eleitoral deixaram claro que torcem para Boulos se tornar um líder nacional da esquerda. Mas por quê?
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Boulos (1)
Boulos fazendo campanha eleitoral para prefeito em São Paulo | Foto: Reprodução

Uma matéria publicada pelo jornal “O Globo” neste sábado (28) não poderia ser mais clara em relação aos objetivos da família Marinho, dona de um dos maiores conglemerados de comunicação do mundo, em relação ao candidato do PSOL para a prefeitura de São Paulo em 2020, Guilherme Boulos. A matéria intitulada: “Guilherme Boulos: eleição projetou candidato em todo Brasil como novo líder da esquerda” defende abertamente e “abençoa” o candidato como uma nova liderança de esquerda brasileira.

Alguma pessoa desavisada, ou que não fosse do Brasil, poderia até achar que o jornal “O Globo” seria um jornal de esquerda, a favor dos explorados e por isso,  entusiasta de um novo líder para as lutas populares. Entretanto, vamos analisar o porquê da família Marinho estar tão empolgada com Boulos.

A matéria começa narrando uma cena:

“Numa noite de outubro, Guilherme Boulos sentou-se à frente do computador para o segundo encontro virtual de sua campanha com representantes do mercado financeiro e do mundo corporativo.”

No episódio narrado, apesar de não entrar em datalhes, aponta que Boulos se explicou sobre a sua participação em movimentos sociais e consegue a simpatia dos representantes do mercado financeiro e do mundo corporativo, mostrando que não seria um perigo para os seus interesses em São Paulo.

Depois, a matéria explica que o candidato conseguiu amenizar a sua imagem de radical e conquistar apoios importantes dentro da burguesia, o que o gabarita, segundo a visão do jornal, como novo líder da esquerda nacional. Para conseguir esse feito, Boulos contou com o apoio de algumas figuras importantes:

“A entrada no mundo que o rejeitava contou com alguns empurrões. Entre os mais significativos estão o da produtora Paula Lavigne, do advogado Walfrido Warde e do empresário do agronegócio Luís Barbieri.”

Warde seria um amigo de Boulos quando estudou na USP e depois, “tornou-se um dos advogados mais bem sucedidos da área empresarial e, ao longo da campanha, promoveu encontros do candidato do PSOL com figurões da advocacia paulistana.”

Outra figura importa, Paula Lavigne, ex-mulher de Caetano Veloso, se tornou uma ponte do candidato com duas executivas de bancos de investimento internacionais que se engajaram na campanha. As duas executivas, assim como o empresário do agronegócio se encarregaram de aproximar o candidato da “Faria Lima”, avenida conhecida em São Paulo, tal como a avenida Paulista, por sedear grande empresas e bancos.

“Foram cinco encontros com empresários no primeiro turno e outros dois no segundo, com mais de 200 pessoas no total. Além do candidato, o economista Marco Rocha, professor da Unicamp e principal assessor do candidato na área, também falava. Na medida em que Boulos se tornava mais conhecido, questões ligadas a invasões deram lugar a dúvidas sobre a disposição do candidato de trabalhar com a iniciativa privada e seguir uma gestão responsável no aspecto fiscal.”

Aqui fica evidente que a simpatia dos grandes empresários com o candidato não resultou, como algumas pessoas de esquerda querem acreditar, de uma abdicação por parte dos empresários e executivos da sua política de ataques aos direitos dos trabalhadores, das privatizações, do confisco do dinheiro público para o bolso das pessoas mais ricas do Brasil, mas o contrário, a partir de declarações do candidatos de que não vai interferir nos interesses dos “donos” de São Paulo e do Brasil.

A chamada responsabilidade no aspecto fiscal, nada mais é do que a garantia de que os banqueiro vão seguir “sugando” o erário público com dívidas impagáveis e juros exorbitantes enquanto não há sequer papel higiênico nas escolas públicas. Isso fica ainda mais claro nessa declaração de Paula Lavigne:

“— Na campanha presidencial (de 2018) e agora também fui vendo como ele muda, ouve e vai questionando (as próprias posições). No caso das organizações sociais (entidades privadas que fazem gestões de equipamentos culturais e de saúde), por exemplo, pode ser que ele não ache o modelo ideal, mas já entendeu que o caminho é a fiscalização dessas entidades, e não a demonização ou a eliminação — diz Paula.”

Aqui a mudança do programa por parte do candidato acomodou uma das políticas mais nefastas do PSDB em relação ao ensino público no município, que é a privatização das creches públicas e a concessão para “organizações sociais”, nome fictício para empresas, que já controlam mais de 80% das vagas no município.

Ou seja, Boulos se comprometeu com a privatização do ensino, que faz com que essas creches tenham funcionários e professores com salários miseráveis, em condições de atendimento às crianças ainda mais precárias e “enchendo o bolso” de oportunistas, como é o caso inclusive, do candidato a vice-prefeito de Bruno Covas, o vereador Ricardo Nunes, acusado de receber mais de R$1,5 milhão em desvios do pagamento de aluguel dessas creches conveniadas.

Para completar, a matéria ainda rende elogios a Boulos pelo fato de que Lula não ganhou posição de destaque na sua campanha:

“Ao longo da campanha, outra preocupação foi o tamanho da participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o Datafolha, 52% dos paulistanos não votariam num candidato indicado pelo líder petista. A despeito da relação estreita com o candidato do PSOL, Lula apareceu no horário eleitoral por dez segundos, e junto com Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Flávio Dino (PCdoB), com tempos idênticos. Cena que Fernando Haddad tentou no embate com Jair Bolsonaro na eleição de 2018, sem sucesso.”

Segundo o Globo, a participação de Lula, o homem que conseguiu ganhar quatro eleições presidenciais (incluindo as duas que Dilma conseguiu ganhar com o seu apoio) e inclusive levou três candidatos do PT a ganharem a eleição municipal em São Paulo (incluindo Haddad que era desconhecido na cidade), seria um grave problema para Boulos. Como o candidato ouviu os “conselhos” para afastar Lula da campanha, se tornou ainda melhor avaliado pelo jornal.

O verdadeiro “cântico” feito pelas organizações Globo, pelo grupo Folha, pelo grupo Band do fascista José Datena e até da fascista revista Veja, que declarou que Boulos é o grande fenômeno eleitoral das eleições municipais em 2020, não se deve ao fato, obviamente, que o candidato e agora proclamado “líder” irá levar a esquerda nacional a lutar bravamente para acabar com as mazelas sociais que aflingem um dos povos mais sofridos de todo o mundo, mas por outros motivos. Os grandes meios de comunicação, que promoveram uma enorme campanha fascista para levar ao golpe contra o PT em 2016, e depois para prederem numa grande farsa nacional Luis Inácio Lula da Silva (que foi  retirado das eleições de 2018), querem que Boulos cumpra justamente o papel que Lula se recusou a cumprir, que é se tornar um “personagem coadjuvante” da política nacional controlada pelos partidos golpistas.

Para cumprir o papel de “cereja do bolo” dos golpistas, Boulos está muito mais apto que Lula. A começar pelo fato de que o seu apoio eleitoral, como resultado do apoio destes mesmos meios de comunicação, está concentrado na classe média paulista. Já Lula, independemente das diferenças programáticas que tenhamos com ele, é inegavelmente um líder da classe operária e de suas organizações de massa como a CUT e o MST. Portanto, Lula possui uma dificuldade muito maior de se tornar um “camaleão” como Boulos por sofrer pressão desses setores. Também por esse fator social, Lula é um candidato que ameaça o regime político golpista por estar ligado à maioria do povo trabalhador, já Boulos é um candidato muito mais controlável, inclusive do ponto de vista eleitoral. Sem falar no fato de que Lula de fato liderou o último grande ascenso do movimento operário brasileiro que derrubou a ditadura militar, já Boulos é um burocrata que conseguiu algum apoio eleitoral devido à propaganda do monopólio de comunicação em torno da sua candidatura, em oposição ao candidato do PT, que naturalmente teria uma vaga no segundo turno das eleições municipais de São Paulo.

Outro fator fundamental para o apoio a Boulos é o fato de que o mesmo é um defensor da “frente ampla” apoiada pela burguesia brasileira. O objetivo seria uma frente com partidos de direita e partidos de centro para colocar o governo federal sob o controle do setor principal do golpe de 2016: o PSDB, DEM e o MDB. A função dos partidos de esquerda seria apoiar esses setores uma vez que “não seria possivel” unificar sob a liderança de Lula ou outro líder de esquerda. Boulos assinou o manifesto “mais direitos” com Luciano Huck, Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer e outros “lutadores”, ao contrários de Lula, demonstrando assim a sua postura maleável ao interesses desses partidos.

Assim como o jornal O Globo, o jornal O Estado de S. Paulo deixou ainda mais claro a simpatia com Boulos no seu editorial do dia 21/11/20:

 

Aqui fica claro que o papel de Boulos na eleição, projetado e confirmado pelo resultado eleitoral era de “coadjuvante”. O papel de destaque, segundo espera o Estadão, o mesmo jornal que apoiou Bolsonaro contra o PT em 2018 (assim como a Globo e os outros grupos de comunicação) é tirar de vez Lula de cena para que a esquerda fique no seu “cercadinho”, reservado pela burguesia, o que garante uma dúzia de cargos no parlamento, mas que servirá apenas para lamentar e “lacrar” nas redes sociais enquanto o país segue sendo desmantelado pelos golpistas, os trabalhadores perdem os seus direitos e é empurrado cada vez mais para a fome e a miséria.

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