Futebol sem torcida?
Qual seria a lógica de um futebol sem torcida? Dentro da lógica capitalista, isso é um mero detalhe, mas a realidade é outra: sem torcida, o futebol não tem vida, nem alma
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Soccer Football - Carioca Championship - Flamengo v Bangu - Maracana Stadium, Rio de Janeiro, Brazil - June 18, 2020   Flamengo's Giorgian De Arrascaeta in action with Bangu's Michel, following the resumption of play behind closed doors after the outbreak of the coronavirus disease (COVID-19)  REUTERS/Ricardo Moraes
Jogo do Flamengo (sem Torcida) | Créditos: Ricardo Moraes/Reuters

A situação em que se encontra o futebol brasileiro é no mínimo esdrúxula. Enquanto os capitalistas fazem pressão para que os jogos voltem – mesmo colocando a vida de centenas ou milhares de pessoas em risco – as torcidas continuam sem poder participar dos jogos. Qual seria a lógica de um futebol sem torcida? Dentro da lógica capitalista, isso é um mero detalhe, mas a realidade é outra: sem torcida, o futebol não tem vida, nem alma – apenas uniformes e regras.

Recentemente, um estudo da consultoria EY destacou que, devido à paralisação das atividades em decorrência da pandemia da covid-19, em 2020, os 20 clubes mais bem colocados no ranking da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) serão impactados com perdas somadas de ao menos R$ 2 bilhões. Esse panorama ainda pode ser pior para os times que ainda não tem data marcada para retornarem aos campos. A retração econômica, segundo o estudo, gira em torno de 22% a 32%, o que remete ao montante alcançado em 2016. Já o estudo publicado pela Sports Value estima um prejuízo de até R$ 2,5 bilhões.

Na opinião de alguns economistas, a crise econômica apenas ganhou um ritmo acelerado com a pandemia. As demissões tem assumido um plano comum entre os clubes. Só no Flamengo a estimativa era de 60 demissões de funcionários. No Vasco, os trabalhadores receberão 30% do valor bruto dos salários contando com o Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda. Já no Corinthians, houve uma redução dos salários e da jornada de trabalho em 70%. De acordo com a diretoria, “são necessárias para a manutenção dos empregos e o pleno funcionamento do clube no retorno das atividades e foram definidas pelos gestores”. O que não se sabe, porém, é o circulante em caixa desses clubes. Nada como uma crise desse porte para reduzir os salários.

O impacto da crise é inegável. Para isso, um regime de austeridade tem sido colocado em prática como método contra a pandemia: cortes, demissões etc., o que está bem claro na cartilha dos dirigentes. Só não se tem acesso ao segredo comercial desses clubes, isto é, da saúde financeira. Essa crise, sem dúvida alguma, abrirá as portas para uma maior investida dos banqueiros que sonham em se apossar dos clubes, transformando-os em verdadeiras empresas. A tentativa de retornar com os campeonatos revela o apetite dos capitalistas que – ao fim e ao cabo – controlam os clubes brasileiros. Quanto às torcidas… resta saber se ainda sobrará alguma chance de opinar, é claro – depois que o estrago estiver feito.

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