O futebol brasileiro está se tornando resistente ao choque

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Da redação – Naomi Klein, autora do livro A Doutrina do Choque, uma vez terminou uma palestra com a frase “estamos nos tornando resistentes ao choque”. Ela falava isso sobre o que ela considerava um “tratamento de choque” dispensado sobre os oprimidos do mundo todo. O mesmo pode ser dito sobre o futebol brasileiro.

Hoje a grande seleção canarinho foi derrotada, mas foi derrotada fora de campo, jogou melhor, e muito, que os belgas que hoje se classificam.

A seleção sofreu o chamado tratamento de choque desde sempre, mas nos últimos 2 campeonatos mundiais, 2018 e 2014 o tratamento foi especialmente brutal. As esquadras verde-amarelas eram de qualidade especial, e seus adversários, mesmo a França de Mbappe, e a Inglaterra de Harry Kane mostram um futebol bem inferior ao passado. Para conter o Brasil era necessário uma manipulação sem par.

A seleção foi caçada pelos jornais, em 2014, principalmente pela Rede Globo, em 2018 por todos os grandes jornais do mundo. Eles escondiam a violência usada contra o Brasil, enalteciam seus adversários. A seleção foi sabotada pela arbitragem. O VAR, o chamado arbitro de vídeo, não apitou um único pênalti para o gigante latino americano, apesar de várias faltas ocorridas no decorrer do campeonato, só contra Bélgica foram 3 ocasiões. Ele no entanto foi especialmente eficaz em beneficiar Harry Kane contra a Colômbia e a França contra a Austrália, em lances que vários comentaristas questionam.

Neymar, o eixo da seleção, tornou-se um símbolo do tratamento de choque contra o time. Em 2014, não arregou, e foi violentamente contundido. Em 2018 foi cassado em campo novamente, sofreu dezenas de faltas em apenas 5 jogos, várias na área. Foi pisado inclusive fora de campo. Neymar aprendeu a se proteger, e jogou até o último segundo, mesmo que machucado.

Em 2014 o time do Brasil entrou já muito afetado pela pressão, o primeiro gol contra o time veio já nos 11 minutos do primeiro tempo do primeiro jogo, um gol contra. Cambaleando, enfrentou a pressão, a arbitragem e a violência até fracassar miseravelmente contra a Alemanha.

Desta vez a pressão veio fulminante mas a seleção manteve uma calma extraordinária durante os jogos, jogadores como Daniel Alves vieram a público defender os brasileiros contra a Globo, torcedores e a própria CBF denunciaram a manipulação da FIFA. Os velhos truques já não serviriam.

Os jogadores aposentados também vieram defender os canarinhos.

Na Copa da Rússia, o Brasil veio de cabeça erguida, A defesa sofreu apenas 3 gols. Um claramente ilegal contra Suíça, e os dois contra a Bélgica, um deles contra.

O 1º gol Belga foi um acidente e mudou a história do jogo. O time brasileiro ficou quase 1 hora com 2 gols de desvantagem e foi perdendo a compostura. Nunca deixou de pôr pressão, sempre na ofensiva, vários ataques mortais. Os belgas foram levados à defensiva total, tendo apenas 3 chutes a gol.

Apenas uma coisa faltou para nivelar o placar: calma. A seleção esteve perto de converter várias vezes, faltou a calma. Em resumo a partida foi de brilhantismo não concretizado por parte dos brasileiros, e uma mediocridade suficiente dos belgas.

O Brasil deixa a Rússia 2018 com cabeça erguida, novamente derrotado pelo choque, mas desta vez não destruído por ele. Cada vez mais consciente e consistente.

O futebol dos povos atrasados tem de ser 3 vezes melhor para vencer, pois enfrenta além dos 11 adversários, a imprensa e o juiz. A América Latina deixou a copa, o talento também, não por coincidência.

O imperialismo comemora, a taça é praticamente sua, o time falando inglês ou francês. Bilhões correrão para os bolsos da gigantes do material esportivo. A manipulação custou em vários casos a beleza do jogo e várias seleções que mereciam estar na disputa.

O futebol brasileiro está se reerguendo, reaprendendo a enfrentar o juiz e a violência desenfreada, aprendendo a enfrentar a campanha da imprensa, estamos nos tornando resistentes ao choque.