“O exército é imune à corrupção”: cinco vezes em que o general Etchegoyen estava errado

Na última quarta-feira, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen, afirmou que os moradores do Rio de Janeiro devem ficar tranquilos com a intervenção militar, pois a corrupção seria algo incompatível com as Forças Armadas. Sem apresentar quaisquer provas ou argumentos minimamente lógicos, o ministro golpista falou apenas que a alta “disciplina” do Exército seria suficiente para garantir uma atuação livre de corrupção.

Obviamente, a fala de Etchegoyen não pode ser levada a sério. Uma rápida olhada na História contemporânea mostrará as diversas vezes em que comandos do Exército deram golpes de Estado a mando do imperialismo, o maior corruptor de toda a História da humanidade. O próprio golpe de 1964, no Brasil, foi dado sob encomenda estadunidense. E o golpe de 2016, disfarçado pelo nome de “impeachment“, que foi orquestrado pelo imperialismo, foi apoiado pelos militares. Tamanho interesse em destruir o regime político estabelecido em seu próprio país para entregar todas as riquezas a conglomerados estrangeiros só pode ter acontecido através, obviamente, de muitas transações corruptas entre o imperialismo e as Forças Armadas.

Para que fique claro que o Exército não é imune à corrupção, os cinco exemplos abaixo desmascaram o ministro golpista:

Maluf e a Lutfalla

Paulo Maluf, que foi governador durante a ditadura militar, foi acusado de corrupção em um caso que ficou conhecido como Lutfalla, que era a empresa têxtil de sua mulher. O caso, que contou também com a participação do ministro Reis Veloso, fez com que a família Maluf desviasse dinheiro do BNDES, alegando que a empresa Lutfalla estaria em processo de falência, o que foi desmentido pelo próprio dono da empresa.

Delfim Netto e a Camargo Corrêa

Delfim Netto, que foi ministro da Fazenda durante o golpe militar, foi acusado de receber dinheiro da Camargo Corrêa para que esta ganhasse a concorrência da construção da hidrelétrica de Água Vermelha, em Minas Gerais.

Delfim Netto e a Coroa-Bastel

Delfim Netto não se aproveitou apenas da Camargo Corrêa para se beneficiar. Em 1985, o procurador-geral da República o acusou, junto com o então ministro da Fazenda Ernane Galvêas, por terem desviado recursos públicos através de um empréstimo da Caixa Econômica Federal ao empresário Assis Paim, dono do grupo Coroa-Brastel.

As comissões da General Electric

Em 1976, o presidente da General Electric no Brasil admitiu que pagou comissão a alguns funcionários no país para vender locomotivas à estatal Rede Ferroviária Federal. De fato, o governo militar havia aprovado um fundo para compra de 180 locomotivas da General Electric.

Contrabando no Rio de Janeiro

Na década de 1970, no Rio de Janeiro, militares construíram um grande esquema de contrabando. A quadrilha não apenas recebia ilegalmente as cargas, como também roubava a carga de outros contrabandistas.