O Esquadrão da Morte foi integrado à Ditadura Militar; agora faz parte do governo Bolsonaro

lecocq

A nomeação do ex-deputado federal pelo Espírito Santo e também ex-integrante de um esquadrão da morte com atuação naquele estado, Carlos Humberto Mannato, para um cargo no alto escalão do governo de Bolsonaro, demonstra o caráter abertamente fascista que tende a assumir o atual governo golpista, uma clara ameaça a todo o povo brasileiro.

Mannato integrou, foi filiado oficialmente, a uma organização criminosa com características fascistas, um verdadeiro esquadrão da morte com atuação no Espírito Santo, denominado de Scuderie  Le cocq. O ex-deputado permaneceu filiado oficialmente na organização entre os anos de 1992 e 1995. A Scuderie  Le cocq, apesar de ter suas ações concentradas no Espirito Santo entre meados dos anos 1980 até o início dos anos 2000, teve sua origem ainda na ditadura militar, no Rio de Janeiro, na década de 1960.

Em 1965, um ano após o golpe militar, refletindo a política repressora que viria se impor no período posterior, um grupo de policiais cariocas decide vingar a sangue a frio a morte de um investigador, Milton Le Cocq. O alvo foi Cara de Carvalho, tido como bandido pela polícia, morador  da Favela do Esqueleto, onde hoje se encontra a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, no bairro do Maracanã, zona norte do Rio de Janeiro. Cara de Carvalho foi morto com cem tiros e seu corpo foi encontrado coberto em um cartaz com a figura de uma caveira.

O símbolo se tornou o emblema da organização, onde além do nome pode-se verificar as iniciais E e M, referentes ao que tudo indica, ao próprio termo Esquadrão da Morte. Durante os anos que se seguiram, em plena vigência do terror da ditadura, a organização ganhou apoio do Estado, sendo integrada a própria Secretária de Segurança do Estado do Rio de Janeiro. Os policiais que atuavam dentro da Secuderie eram escolhidos pelo próprio Secretário de Segurança, na época Luis França. O objetivo era claro e definido, e estava de acordo com a brutal repressão da época: “limpar a cidade”. O grupo de “escolhidos”, também conhecidos como “Doze Homens de Ouro”, era formado pelos elementos mais violentos e assassinos dentro da corporação. Durante a década de 1970 o grupo atuou de maneira extremamente violenta e brutal dentro das comunidades cariocas, como uma verdadeira milícia fascista. Dentre as orientações estava, por exemplo, matar todos aqueles que resistissem minimamente às prisões.

Em 1984, próximo do fim da ditadura, a organização passa a atuar no Espirito Santo, onde é fundada oficialmente e juridicamente. Ao longo dos anos, a Scuderie agrupa elementos não apenas militares, mas também do meio jurídico, com advogados, juízes, além de políticos e empresários. Mesmo durante o período dito democrático do país, até 2005, quando a organização é considerada extinta pela justiça, o poder de morte do grupo não diminuiu. Pelo contrário, foram 30 mortes de políticos no estado e mais de 1500 homicídios, números que contribuíram para tornar o Espirito Santo um dos estados mais violentos do país.

Dentre os casos mais notáveis, estão a morte de um investigador de polícia dentro do banheiro da organização enquanto ocorria uma reunião. Denerval Gonçalves Pereira foi morto com um tiro na nuca em 1993, sua morte, assim como de outros pistoleiros, foi, ao que tudo indica, uma ação de queima de arquivo envolvendo o assassinato do prefeito da cidade de Serra, José Maria Feu Rosa e de seu motorista Itagildo Coelho de Souza. O caso até hoje não foi totalmente esclarecido.

Outro caso sem solução e que foi arquivado, é o do menino Jean Alves Cunha. Morador de rua, o garoto fora selecionado para participar de um Encontro de Meninos Moradores de Rua em Brasília no ano de 1992. Todavia, foi assassinado por policiais militares dias antes da atividade, policiais estes com ligação direta à Scuderie.

O fato de membros do governo ilegítimo de Bolsonaro terem relações diretas com organizações milicianas e paramilitares como a Scuderie Le Cocq, deixa claro o caráter abertamente fascista do governo contra o povo. Ou seja, um governo formado por assassinos e criminosos de primeira linha com o único objetivo de instaurar um verdadeiro regime de terror, perseguição e violência contra a população. Não há diálogo com fascistas. É preciso combater o governo desde já, colocá-lo abaixo por meio da mobilização popular.