Revolta nos EUA
A rebelião popular é um sintoma da crise capitalista, que tende a se espalhar pela América Latina e por todo o mundo
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
ap20151802716409
Manifestantes em Minneapolis, 30 de maio de 2020 | Foto: John Minchillo/AP Photo

A partir da Análise Política da Semana de Rui Costa Pimenta:

O movimento de revolta que explodiu nos EUA a partir do assassinato do afro-americano George Floyd, morto pelo aparato de repressão policial. Todo o horror do assassinato foi filmado e amplamente difundido, um policial, Derek Chauvin, aparentemente um supremacista branco, se ajoelhou sobre o pescoço de Floyd, que estava rendido e algemado, por mais de 8 minutos, ignorando seus apelos por não poder respirar. O fato deu lugar a um levante generalizado na cidade de Mineápolis. Na sequência, ao invés de se acalmar, a revolta se estendeu para vários outros lugares no país, inclusive Nova Iorque.

Temos, como ingrediente fundamental da revolta, o problema racial. A situação racial nos EUA vem se polarizando, se radicalizando, já há algum tempo, antes mesmo da eleição de Donald Trump – um presidente racista que estimula o movimento da supremacia branca, movimentos fascistas e racistas contra os negros, a questão da opressão racial já era bastante crítica, o que deu lugar lugar a eleição de um negro, Barack Obama presidente, escolha apoiada pelo próprio imperialismo norte-americano como meio de conter as tendências à revolta da população negra.

Essa revolta da população negra tem, nos EUA, um papel muito importante. Apesar de que, nos EUA – diferentemente do Brasil – os negros são uma minoria considerável (cerca de 15% da população) constituem o centro de um conjunto de populações “estrangeiras”, que não são a população branca tradicional dos EUA (mexicanos e outras nacionalidades). Os negros são o setor mais politizado, radicalizado e organizado destas nacionalidades oprimidas no interior do país.
No passado, nas décadas de 1950 e 1960, os negros norte-americanos ocuparam um papel fundamental na luta das massas contra o governo imperialista norte-americano, chegando a pontos de altíssima radicalização com o armamento da população negra no Sul dos EUA. Os enfrentamentos se repetiram em vários lugares e isso levou o imperialismo norte-americano a se colocar contra, no Sul, as leis de segregação racial, como medida de distensão da situação.

Qual foi a preocupação do imperialismo com a população negra? É uma preocupação muito grande até hoje com movimento negro, pelo impacto que tem dentro da situação política norte-americana, que pode ser o detonador de um grande movimento de massas contra o imperialismo. Tem um volume e porta-vozes importantes, muitas organizações, um alcance nacional etc.

O imperialismo conseguiu conter esse movimento negro com uma série de alterações na sua política em relação aos negros – além de acabar com a segregação racial no sul – combateu as manifestações mais escandalosas de racismo, liquidou as organizações negras mais radicais (como os panteras negras, o Poder Negro) que foram completamente massacradas e praticamente exterminadas pelo FBI, e criou uma possibilidade de uma ascensão social de uma pequena minoria de negros que constitui uma burguesia minoritária negra.

Se isso diminuiu o impacto revolucionário da mobilização negra nas últimas décadas, porém não foi capaz de superar o problema do negro. Não é possível transformar 15% de uma população extremamente pobre – a mais pobre dos EUA – em uma burguesia e uma pequena burguesia negra. Os negros lotam as prisões norte-americanas, a situação de desemprego é mais intensa entre os negros, todos os males sociais atingem com particular dureza a população negra.

Nos últimos anos, essa tentativa de conciliação e contenção do movimento vem se erodindo, entrando em crise, e pode-se verificar que a crise ganhou uma intensidade muito grande com o governo Trump, surgiu um grande movimento de defesa dos negros contra os assassinatos da polícia, denominado Black Lives Matter,por exemplo. Isso significa que há um movimento grande e há uma intensificação da repressão política contra os negros. O acontecimento de Mineápolis de forma nenhuma foi isolado. Vindo de onde vem, onde existe uma maior pressão contra a extrema-direita, uma polarização política muito intensa, torna-o muito significativo.

Uma segunda questão é a de que não se trata simplesmente de um movimento social. Ele explode tendo como motivo imediato o assassinato de características nitidamente racistas de um jovem negro pela polícia norte-americana, mas ele faz levantar esse fundo de crise social intensa que existe nos EUA hoje. É essa justamente a preocupação da burguesia.

O próprio presidente Donald Trump disse que se começarem os saques vão começar os tiros do exército e da polícia contra os saqueadores. A linha dura contra os saqueadores. Os saqueadores, no entanto, não são apenas negros, são toda a população pobre norte-americana. Existe uma crise intensa nos EUA. Esse acontecimento incendiou o país, uma vez que a situação do capitalismo norte-americano é extremamente delicada. Há 20 milhões de desempregados, 56 milhões abaixo da linha de miséria, um crescente empobrecimento da população, uma pressão muito grande da polícia e do aparato repressivo contra a população pobre, principalmente com o ascenso da extrema-direita e, em um dado momento, um acontecimento como o de Mineápolis pode levar a uma explosão generalizada e uma intensificação da luta de classes no país com resultados ainda imprevisíveis.

É importante ficar atento e considerar que esse acontecimento é um sintoma da situação política mundial, não uma particularidade dos EUA. É essa situação que os governos latino-americanos temem, principalmente o governo brasileiro, ou seja, a intensificação da luta de classes decorrente da greve crises política, econômica, social e sanitária. Essa potencial explosão social cria um pano de fundo onde a burguesia brasileira se coloca na defensiva diante do bolsonarismo que tem um apoio aparentemente sólido das forças armadas porque é bem provável que essa situação se reproduza no Brasil.

Veja esse e muitos outros temas na Análise Política da Semana:

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas