Atrelada à UE
Sem uma política própria e independente em relação ao que mais preocupava os eleitores, trabalhistas jogaram a vitória no colo dos conservadores
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Jeremy Corbyn is the leader of the Labour Party, and possibly the next Prime Minister.
Jeremy Corbyn. Foto: Garry Knight |

As eleições no Reino Unido foram um desastre para o Partido Trabalhista, liderado por Jeremy Corbyn. Para a burguesia, esse era o grande objetivo das eleições, mais importante do que o próprio destino do Brexit, problema que aparece com grande destaque. Em números, o trabalhismo ficou com 203 cadeiras das 650 do Parlamento, 59 a menos do que tinha anteriormente. É o pior resultado eleitoral do trabalhismo desde a década de 30. A porcentagem de votos dos trabalhistas foi de 32,2%, compostos de 10,3 milhões de votos.

O Partido Conservador, por outro lado, conseguiu uma maioria esmagadora, com uma bancada que passará a contar com 365 deputados, 47 a mais do que nas eleições anteriores, 39 a mais do que os 326 necessários para ter uma maioria absoluta e 78 a mais do que a bancada do Partido Trabalhista, segunda maior na casa. A votação do Partido Conservador foi de 43,6% do total, somando 13,9 milhões de votos. Com essa maioria, Boris Johnson deverá ter força para aprovar um acordo para realizar a saída do Reino Unido da União Europeia até 31 de janeiro.

Esse resultado desastroso para a esquerda, com maioria para a direita, era o resultado esperado de acordo com pesquisas eleitorais, embora mais recentemente elas viessem apontando uma redução na diferença entre os dois candidatos. Em outros momentos, muito anteriores a essas eleições, Corbyn, depois de assumir a liderança do Partido Trabalhista, chegou a aparecer muito à frente nas pesquisas. No entanto, a postura dos trabalhistas diante do Brexit acabou sendo decisiva para levar a uma derrota estrondosa.

 

Os trabalhistas diante do Brexit

Jeremy Corbyn foi durante muito tempo, abertamente, um “eurocético” durante sua carreira, contrastando com a posição do aparelho partidário ao longo do domínio do “Novo Trabalhismo”, período em que Tony Blair, ex-primeiro-ministro, transformou o Partido Trabalhista no condutor da continuidade da política neoliberal no Reino Unido. Essa ala dominou o partido desde a década de 90, terminando só com a ascensão de Corbyn à liderança do partido, apoiado pela juventude e pelos sindicalistas trabalhistas.

Já na liderança do partido, porém, Corbyn mudou sua posição a respeito do Brexit. Primeiro, prometeram respeitar a decisão do referendo em que a população escolheu o Brexit, por uma questão democrática. Posteriormente, contudo, acabaram se alinhando a setores que eram contra o Brexit na burguesia. Essa postura ambígua de Corbyn acabou levando o Partido Trabalhista a um choque com os trabalhadores, que votaram a favor do Brexit. De modo que o trabalhismo perdeu até redutos tradicionais seus para o Partido Conservador ou para partidos nacionalistas dos países dentro do Reino Unido, o que foi especialmente relevante no caso da Escócia, em que os trabalhistas ficaram apenas com um deputado.

 

Sem política própria

O Partido Trabalhista ficou sem uma política própria relativa ao Brexit, atrelado à política da burguesia. Enquanto isso, Boris Johnson aproveitou muito bem essa questão, prometendo realizar o Brexit, o que seria uma política que levaria a uma independência do Reino Unido em relação à União Europeia e aos bancos europeus. Da parte da extrema-direita, porém, que Boris Johnson representa de dentro do Partido Conservador, essa política é pura demagogia. Apesar da formalização do Brexit, o país continuará dominado pelos mesmos bancos.

Esse fato foi determinante para levar o trabalhismo a uma derrota como essa. Apesar das propostas econômicas populares, o partido não tinha uma proposta política frente à crise do país. E acabou ficando atrás da burguesia na questão que mais mobilizava os eleitores no Reino Unido. Dessa forma, os trabalhistas jogaram a vitória no colo dos conservadores.

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