Uma questão de classe
Debatemos no artigo a ideia de que o PT deveria ceder espaço eleitoral a outras legendas da esquerda
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Bandeira do PT | Foto: Getty Images

Em artigo publicado no dia 27 de julho pelo portal A Terra é redonda, Leonardo Avritzer, professor titular da Departamento de Ciência Política da UFMG, se propôs a analisar os “novos desafios” do Partido dos Trabalhadores (PT) na atual etapa. O texto, de título O “novo desafio do PT”, se dedica fundamentalmente à ideia de que o PT teria de abrir mão do protagonismo que o partido tem desempenhado na esquerda nas últimas décadas.

Depois de fazer uma série de considerações sobre o golpe de Estado e o avanço da direita sobre o regime político, algumas delas mais, outras menos exatas, Avritzer apresenta a sua maior preocupação

“Mas é exatamente neste momento que se coloca o segundo risco, o dos projetos pessoais ou partidários prevalecerem em relação a necessidade de impor uma derrota eleitoral acachapante às forças conservadoras em 2020”.

De fato, diante da ascensão da extrema-direita, a última coisa com a qual a esquerda deveria se preocupar seria com “projetos pessoais”. Seria preciso que toda a esquerda desse prioridade máxima à mobilização dos trabalhadores para derrubar o governo Bolsonaro com suas próprias forças, deixando de lado as preocupações de tipo carreirista dos elementos mais pequeno-burgueses e burgueses que orbitam em torno da esquerda. No entanto, não é disso que Avritzer está falando.

Quando o sociólogo fala de que projetos supostamente “pessoais” e partidários deveriam ser deixados de lado, ele está falando, basicamente, que o PT deveria ceder espaço para outras organizações da esquerda pequeno-burguesa e, até mesmo, de partidos considerados de “centro-esquerda”, como o PSB. Segundo Avritzer, o PT, um dos partidos mais populares do mundo, deveria, por alguma consideração pouco fundamentada, abrir mão de suas candidaturas em favor de partidos como o PSOL, o PCdoB e outros que não têm qualquer expressão nacional, sequer gozam de grande prestígio junto à população.

Ao tentar argumentar em seu favor, Leonardo Avritzer não consegue esconder uma dose de desespero, que acaba lhe arrastando para uma interpretação completamente desvirtuada da realidade:

“A agenda eleitoral da esquerda em 2020 deve ser diferente e centrar-se no impeachment de Bolsonaro, na recuperação da economia e em evitar que a pobreza e a desigualdade aumentem. Para isso, é preciso entender que ganhar eleições em cidades chaves é mais importante do que recuperar [o] PT e que candidatos dos demais partidos de esquerda estão muito bem posicionados em algumas cidades importantes eleitoralmente. (…) Nos casos de São Paulo e Belo Horizonte, cidades que o PT já governou por mais de um mandato, a realidade é que hoje ele é menor que outros partidos de esquerda ou tem menos potencial de crescimento eleitoral, assim como o PSOL é menor em capitais do Nordeste e outros partidos com o PCdoB tem importância em alguns estados do Nordeste como o Maranhão.”.

A análise apresentada pelo sociólogo reflete, no fim das contas, a pressão da burguesia para que a esquerda adote a política da “frente ampla” — isto é, a política de colaboração com a direita e de capitulação para os interesses da burguesia. É bastante curioso que, entre os “novos desafios” apontados,  Avritzer não considera a possibilidade em que o PT tenha força para protagonizar o processo eleitoral. Em sua mente, o PT está derrotado em praticamente todos os lugares, tendo sobrado para o PCdoB e o PSOL o papel de guiar a esquerda para a vitória. Essa é exatamente a campanha feita pela imprensa burguesa: “o PT está acabado, falido, é um partido que pertence ao passado; a ‘nova esquerda’ é que deverá sobreviver aos novos tempos”.

Em primeiro lugar, precisamos destacar que não há qualquer prova para o argumento de Avritzer. O PT continua sendo o maior partido, de um ponto de vista eleitoral, do País. Fernando Haddad, que era praticamente um desconhecido, obteve dezenas de milhões de votos em 2018 apenas por ser do PT. Além disso, esse continua sendo o partido mais popular entre os trabalhadores, que canalizam, em parte, a revolta contra o regime político para um apoio a esse partido e, sobretudo, à figura do ex-presidente Lula. A capacidade de mobilização desses partidos segue incomparavelmente menor à do ex-presidente Lula e do setor petista da CUT.

Em segundo lugar, se o PT abrisse mão de suas candidaturas e de seu espaço para a “esquerda do futuro”, se transformaria em um partido que nada tem a ver com os trabalhadores. Um partido mais palatável para o regime, um partido que talvez abandonasse o vermelho e fosse composto somente por parlamentares, dedicados a servir a burguesia e a atacar duramente os trabalhadores. Ou, pior ainda, um partido que fosse completamente diluído em um partido burguês como o PSB.

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