19/03/1945
Há, 76 anos, Hitler decretava a destruição proposital da infraestrutura de guerra alemã

Por: Redação do Diário Causa Operária

Em 19 de Março de 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, Adolf Hitler assinava o “Decreto Nero”, que ordenava a destruição da infraestrutura da Alemanha e de seus países ocupados. Tinha como objetivo principal evitar que as tropas aliadas, especialmente as soviéticas, tivessem acesso às obras da infraestrutura nazista. Originalmente intitulado Befehl betreffend Zerstörungsmaßnahmen im Reichsgebiet (Demolições do território do Reich), fora posteriormente renomeado por lembrar o ato do imperador romano Nero, qual supostamente teria sido o autor do Grande Incêndio de Roma no ano de 64 d.C.

Em seu texto, Hitler afirmava acreditar que as infraestruturas de transportes, comunicações e industriais, bem como os abastecimentos que não tenham sido destruídas ou paralisadas temporariamente poderiam novamente ser utilizadas para os propósitos do partido nazista quando da recuperação dos mesmos. Acreditava que quem ali conquistasse arrasaria a terra por não carregar consigo consideração com o povo alemão. Segue o texto na íntegra:

“É um erro acreditar que as infraestruturas de transportes, comunicações, industriais, ou abastecimentos que não tenham sido destruídas ou paralisadas temporariamente possam ser usadas novamente para nossos propósitos quando o território perdido for recuperado.

O inimigo em retirada não nos deixará senão terra queimada, sem qualquer consideração pela população. Portanto, eu ordeno:

  1. Todas as instalações de transportes, comunicações, industriais, e de abastecimentos, bem como quaisquer outros bens de valor no território do Reich que possam ser de alguma utilidade para o inimigo, imediatamente ou num futuro próximo, para a continuação da guerra, devem ser destruídas.”

O decreto não logrou êxito. A responsabilidade por executá-lo ficou com Albert Speer, Ministro de Armamentos e Produção de Guerra do Führer. Speer ficou horrorizado com a ordem e perdeu de vez a fé no ditador. Assim como Von Choltitz, general alemão, havia feito vários meses antes ao descumprir as ordens insanas de Hitler, Albert deliberadamente falhou em cumprir a ordem. Ao recebê-la, ele pediu poder exclusivo para implementar o plano e convenceu os generais e Gauleiters (líderes provinciais) a ignorar a ordem.

Hitler permaneceu alheio a isto até o final da guerra, quando Speer, enquanto o visitava em seu bunker em Berlim, admitiu que havia lhe desobedecido de propósito. O líder nazista ficou furioso com seu ministro, porém permitiu que Speer fosse embora vivo. Hitler suicidou-se em 30 de abril de 1945, 42 dias após a emissão da ordem. Pouco depois, em 7 de maio de 1945, o general Alfred Jodl assinou a rendição militar alemã e em 23 de maio Speer foi preso por ordem do general americano Dwight D. Eisenhower, juntamente com o resto do governo provisório alemão liderado pelo almirante Karl Dönitz, sucessor de Hitler como chefe de estado.

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