O crime começa dentro do Estado burguês

Assim registram em parte de um despacho os juízes Raimundo Nonato, Maria Rosinete e Guilherme Aparecido, autorizando a prisão do tenente do BOPE do Acre, Josemar Barbosa de Farias.

“De acordo com o apurado pelas autoridades, em inúmeros diálogos restou demonstrado que o Tenente Farias se utilizava do poder que a farda lhe proporcionava para usar veículos e valores pertencentes ao ‘erário’ com a finalidade de atender aos interesses do Comando Vermelho, fosse mandando viaturas para evitar ataques do Bonde dos 13 ou para auxiliar em situações cuja busca de informações interessava às atividades do Comando Vermelho.”

O caso que pode ser considerado um práxis ou modus operandi das polícias do país, foi registrado no Rio Branco, capital do Acre.

Um tenente da polícia militar envolvido em tráfico de drogas é preso e tem seu esquema de atuação em uma organização criminosa desnudado.

O policial, que aparecia em programas de televisão fazendo o papel de herói no combate ao crime, foi preso por articular o tráfico de drogas da cidade, deixando claro o tamanho da hipocrisia e demagogia da imprensa burguesa e dos sistemas de repressão do estado.

Seguindo a mesma lógica,  devemos supor que os agentes da lei que o prenderam, também possuem seus esquemas e apenas estão retirando do caminho um “colega” que não atende mais às atuais demandas da corporação criminosa.

As polícias e todas as forças de repressão do estado possuem um único objetivo que é manter as tensões de classe controladas, servindo assim de capachos da burguesia, tendo sido em outra época chamados de capitães do mato.

As forças de repressão são usadas pelas elites para controlar os setores mais oprimidos do povo, que sequer conseguem se tornar explorados pelo sistema capitalista, e a prova disso é que o país entre miseráveis e desempregado soma mais de 50 milhões de pessoas tratadas na base da extrema violência pelo estado.

Quase um quarto da população está sendo esmagada pela ganância capitalista, num sistema onde ser bem sucedido significa ter coisas caras produzidas por trabalhadores muito mal remunerados.

Essa contradição entre as classes gera revolta e obviamente, violência.

Para controlar essa revolta social popular, a elite usa as forças de repressão do estado.

O estado burguês e seus aparelhos de repressão e controle da população são efetivamente a origem do crime e lucram absurdamente com a violência, ao mesmo tempo que impõe terror e morte às camadas mais pobres da sociedade.