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Cuba

O congresso da continuidade

O Partido Comunista de Cuba realizou seu 8º Congresso e Raúl Castro deixou o cargo de Primeiro Secretário para ser substituído por Miguel Díaz-Canel, também presidente do país

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Díaz-Canel e Raúl Castro no 8º Congresso – Foto: Granma

(*) Por Márcia Choueri, correspondente em Havana

Os cubanos são ótimos e originais em muitas coisas, e uma delas é a criação de consignas. Por exemplo, após o VIII Congresso do Partido Comunista de Cuba, realizado entre 16 e 19 deste mês de abril, divulgaram um vídeo com vários depoimentos de respeito e carinho por Raúl Castro. Ao final, essas pessoas disseram: Fidel é Fidel, e Raúl é Raúl. Essa frase curtinha e que pode parecer redundante será o título da primeira parte deste artigo.

Para a segunda parte, outra consigna atual: Somos Continuidade.

Fidel é Fidel, e Raúl é Raúl

A leitura do relatório central, no início do Congresso, foi feita pelo General de Exército Raúl Castro Ruz, que aproveitou a ocasião para confirmar que não aceitará mais nenhum cargo como dirigente.

Sua declaração final foi: “Nada me obriga a esta decisão, mas acredito firmemente na força e no valor do exemplo e na compreensão de meus compatriotas. Enquanto viva, estarei pronto e com o pé no estribo, para defender o socialismo”. 

Raúl fala pouco, mas é muito claro. Suas palavras foram bem entendidas, e pela primeira vez, desde sua refundação, o Partido Comunista de Cuba não tem nenhum participante histórico da luta na Serra Maestra entre seus dirigentes. 

Embora seja o caçula da família, cinco anos mais novo que Fidel, e o tenha acompanhado desde o início da luta contra a ditadura, Raúl nunca esteve à sombra do irmão. 

No dia 17 de abril, divulgaram-se documentos secretos da CIA que mostram que ele era o alvo do primeiro complô norte-americano para o assassinato de líderes revolucionários cubanos. Complô que felizmente não se concretizou.

Em entrevista a Ignacio Ramonet1, Fidel diz que foi ele quem apresentou o marxismo a Raúl, e este depois ingressou na Juventude Comunista, enquanto o próprio Fidel se filiou ao partido Ortodoxo, que era nacionalista. Ele afirma também que o irmão sempre teve suas próprias opiniões.

Raúl participou do ataque ao quartel Moncada e também foi preso, após a ação. Depois de serem libertados, dirige-se ao México, antes mesmo de Fidel, onde se preparavam as condições para o retorno à Ilha. Ali ele conhece o argentino Ernesto Guevara de la Serna, que depois ficaria conhecido como o Che.

Raúl também regressa no iate Granma e vai para a luta na serra Maestra, tornando-se, graças a sua capacidade e valor, comandante de uma das frentes do Exército Rebelde.

Após a vitória da Revolução, foi Ministro das Forças Armadas Revolucionárias desde 1959 até 2008. Nesse ano, assume como Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, em substituição a Fidel Castro, que se retirava. Raúl deixa essas funções em 2018, e continua como Primeiro Secretário do Partido, cargo que ocupava desde 2011.

Sua gestão no governo da Ilha foi marcada por várias mudanças e sucessos muito importantes. Ele articula a aproximação do país com o vizinho em frente, durante o governo de Barack Obama. Além disso, são do seu período: a abertura para a legalização de atividades privadas dos chamados cuentapropistas – parecido às MEIs do Brasil; a mudança na legislação migratória, que levantou os obstáculos burocráticos para viagens internacionais e prorrogou para 24 meses o prazo que os cubanos podem ficar fora do país sem emigrar; o direito de propriedade sobre imóveis e veículos, o que permite que os cubanos possam comprar e vender esses bens. Antes, as pessoas tinham apenas a posse sobre os imóveis e só podiam permutá-los.

Essas mudanças radicais surpreenderam a muita gente, porque ele era considerado pouco propenso a novidades, mas nada disso foi feito de improviso. As mudanças internas já eram um anseio da população fazia tempo e além disso reduziram o espaço a críticas ao sistema cubano. 

Na política externa, conseguir uma flexibilização nas relações com os Estados Unidos era fundamental, para ter um pouco mais de espaço de manobra no campo econômico – mesmo consciente de que todos os governos daquele país, não importa o partido, querem mesmo é derrubar a Revolução. Além disso, também foi fruto dessas negociações a libertação dos 5 Heróis, presos como espiões pelo governo norte-americano durante muitos anos.

É consenso aqui que Raúl sempre admirou a Fidel e que nunca fez um gesto sequer que pudesse ser visto como uma crítica pública, ou uma divergência. Mas Fidel é Fidel, e Raúl é Raúl.

Somos Continuidade

Raúl se aposentou, e o oitavo Congresso – cujo lema é “Unidade, Continuidade e Fé na Vitória” – elegeu a nova direção do Partido Comunista de Cuba. Dos 14 membros do bureau político, nove continuam e cinco são novos dirigentes. O cargo de Primeiro Secretário passa a ser ocupado por Díaz-Canel, Presidente da República.

Miguel Díaz-Canel nasceu em Villa Clara, no dia 20 de abril de 1960, quase junto com a Revolução. Conhecer um pouco de sua biografia permite entender como se forma um político no sistema socialista cubano.

Filho de uma professora e um operário de indústria mecânica, graduou-se em engenharia em 1982, pela Universidade Central de Las Villas. É professor universitário e pertence às Forças Armadas Revolucionárias Cubanas, promovido a tenente-coronel no ano 2000. No final da década de 80, foi durante dois anos cooperante internacionalista na Nicarágua.

Começou sua militância cedo, ocupando cargos nas organizações estudantis, em todos os níveis de ensino. Foi membro da União de Jovens Comunistas, onde chegou a exercer cargos de direção. Em 1993, já como militante do Partido, tornou-se membro do Bureau Provincial de Villa Clara, e em 1994 tornou-se Primeiro Secretário do Partido naquela província. Em 2003, por decisão da direção nacional, passou a exercer o mesmo cargo na Província de Holguín. É membro do Comitê Central do Partido desde 1997.

Em 2009, tornou-se Ministro de Educação Superior, e em 2012 foi designado Vice-Presidente do Conselho de Ministros. Em 2013, passou a Primeiro Vice-Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros.

No dia 19 de abril de 2018, tomou posse como presidente do Conselho de Estado e de Ministros, e é presidente da República de Cuba desde 10 de outubro de 2019. Agora, em substituição a Raúl Castro, ele ocupa também o cargo mais alto na direção do Partido, para liderar o cumprimento das deliberações do Congresso para o país.

(*) A opinião da autora não expressa necessariamente a posição deste jornal

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