Combate às cegas
Testar, testar, testar. Testar e isolar os infectados. Mas, onde estão os testes?. Diante do ínfimo número de testes, o governo os canaliza apenas para as pessoas em estado grave
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Foto REPRODUÇÃO, Agência Brasil EBC |

A Organização Mundial da Saúde (OMS) faz duas recomendações principais para enfrentar a disseminação da Covid-19: a realização em larga escala de testes, combinada com o  isolamento social dos infectados. Na falta da vacina, ainda não desenvolvida, “testar, testar, testar”. Testar maciçamente a população. Testado positivo, isolamento social por 14 dias.

É certo que o vírus se espraiará e infectará possivelmente até 70% da população. Mas pelo menos que isso não aconteça tudo ao mesmo tempo, então. Se muitos forem infectados infectados ao mesmo tempo, isso esgotará a capacidade dos sistemas de saúde.

Testar, testar, testar. Testar e isolar os infectados

O isolamento social é a única maneira para “achatar” a curva de disseminação do vírus no país. O isolamento social tem por objetivo atrasar a disseminação do coronavírus na população em geral.

A maioria dos infectados, cerca de 80% deles, nem se darão conta de que estiveram infectados, visto que não perceberam nenhum sintoma da doença. São os infectados assintomáticos. Nesse numeroso grupo, também se incluem os que têm sintomas leves, comumente confundidos com os sintomas da gripe comum. Para esses, recomenda-se o isolamento por 14 dias, para que, durante essas duas semanas, não fiquem por aí, repassando o vírus para outras pessoas. Nessas duas semanas, o corpo do infectado produz anticorpos, e torna a pessoa, possivelmente (embora ainda não haja certeza sobre isso) imune ao vírus. Após os 14 dias de isolamento social, o infectado estará curado e poderá voltar a circular no meio social, e não infectará mais ninguém.

“Testar, testar, testar” é a recomendação da Organização Mundial da Saúde. Testado positivo, ficará isolado, até a produção de anticorpos. Depois, poderá voltar a circular livremente.

Onde estão os testes?

No Brasil, diante do ínfimo número de testes, o governo os canaliza apenas para as pessoas em estado grave, para confirmação do contágio.

No país, existe um certo isolamento social, mas mesmo os isolados podem estar infectados, e poderão infectar aqueles que vivem com eles, o que reduz consideravelmente o efeito do isolamento, sobretudo se levarmos em consideração a precariedade habitacional do país, em que a maioria das casas tem poucos cômodos e abrigam diversas pessoas.

Mesmo assim, o correto é testar, testar, testar, identificar os infectados e isolá-los para evitar a transmissão. É o método mais eficiente. Foi usado na Coreia do Sul, e lá, foi “achatada a curva”. A Coreia tem número reduzido de mortos. Lá, não se ouve falar em possível colapso do sistema de saúde.

No Brasil, não há testes. Sem eles, não há como tomar as medidas necessárias de combate ao vírus. Relaxar ou não o isolamento? Construir ou não hospitais? Quantos já estão imunes? O número de mortes não testadas são por Síndrome Respiratória Aguda ou Covid-19? Ninguém sabe se realmente está ou não  doente.

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