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O “centrinho” é um movimento para acabar com a luta contra Bolsonaro
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O “centrinho” é um movimento para acabar com a luta contra Bolsonaro
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As eleições de 2018 foram fraudadas para que a burguesia conseguisse levar adiante os ataques contra os trabalhadores, mantendo o maior líder popular do País na cadeia e destruindo vorazmente as condições de vida da população. O governo Bolsonaro colocou, de maneira mais cristalina do que nunca, a necessidade de os trabalhadores se organizarem para enfrentar a direita golpista. No entanto, setores da esquerda nacional – fundamentalmente a ala direita do Partido dos Trabalhadores (PT), formada por governadores, juristas e parlamentares, os parlamentares do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) e os dirigentes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) – têm vindo a público para defender uma política na direção oposta.

Desde que a presidenta Dilma Rousseff foi derrubada pelo golpe de 2016, os setores da esquerda nacional citados anteriormente lançaram a palavra de ordem de “criação de uma frente ampla”. Essa “frente ampla” nada mais seria do que uma aliança dos partidos de esquerda com os mesmos partidos que organizaram o golpe de 2016: REDE, PSB, PSDB etc.

A justificativa apresentada pelos defensores da “frente ampla” para defender a aliança com os partidos golpistas é a de que haveria um “programa democrático” em comum entre os interesses da população e os interesses daqueles que compõem o regime político. Tal consideração, no entanto, não faz sentido algum para a luta política dos trabalhadores. A sociedade, afinal, é dividida em classes de interesses antagônicos: os interesses da classe operária não coincidem em nada com os interesses da burguesia. A questão do “programa democrático” em comum implicaria que a defesa dos aspectos progressistas da sociedade fosse algo em abstrato, uma questão que seria, no fundo, moral.

A constituição de uma frente ampla com partidos do regime político seria, na verdade, o mesmo que formar um “centrinho”. Isto é, se, no Congresso, a burguesia formou o “centrão” para garantir que o regime político conseguisse ter a estabilidade necessária para aprovar os projetos mais importantes do imperialismo, o “centrinho” seria, por sua vez, uma articulação para que os partidos de esquerda abandonassem seus programas e as reivindicações de suas bases para que os programas dos partidos da burguesia lograssem êxito sem sequer serem contestados.

A chamada “frente ampla” sempre levou a esquerda, em todo o mundo, à derrota. A burguesia não está disposta a ceder em absolutamente nada para os trabalhadores – prova disso é que o imperialismo vem organizando uma série de golpes em todos os continentes. Nesse sentido, a única utilidade de uma “frente ampla” é a de impedir que a polarização política se desenvolva: ao unir a esquerda aos partidos burgueses, o regime político consegue avançar, de forma muito mais fluida, rumo ao saque completo de todos os povos.

A formação de um “centrinho” como reação aos ataques do governo Bolsonaro está na mais absoluta contramão das tarefas que estão colocadas para os trabalhadores e setores democráticos no momento. Em vez de trazer a revolta do povo contra os ataques do governo Bolsonaro para um gabinete no Congresso Nacional, onde será lentamente digerida e transformada em discursos vazios, é necessário organizar um movimento que estraçalhe o regime político golpista. Às ruas, já, por um movimento que unifique toda a população pelo Fora Bolsonaro, pela liberdade de Lula e por eleições gerais!